13/03/2013

Papa é criticado por não ter enfrentado ditadura militar


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Agência Estado
O legado do novo papa Jorge Bergoglio como cardeal inclui seus esforços para reparar a reputação de uma igreja que perdeu muitos seguidores por não desafiar abertamente a ditadura argentina entre 1976 e 1983. Na época, seu próprio histórico como líder da Companhia de Jesus na Argentina também foi manchado.
Muitos argentinos ainda se ressentem da falha reconhecida pela Igreja Católica, que não enfrentou um regime ditatorial que estava sequestrando e matando milhares de pessoas com a justificativa de procurar eliminar os "elementos subversivos" da sociedade. Essa é uma das razões pela qual mais de dois terços dos argentinos dizem ser católicos, mas menos de 10% assistem regularmente à missa.
Sob a liderança de Bergoglio, os bispos argentinos fizeram um pedido de desculpas coletivo em outubro de 2012 para as falhas da Igreja em proteger seu rebanho. Mas a declaração culpou a violência da época em medida quase igual tanto para a junta militar quanto para seus inimigos.
"Bergoglio tem sido muito criticado por causa das violações dos direitos humanos durante a ditadura, mas ele também sempre criticou as guerrilhas de esquerda, ele não se esqueceu desse lado", disse Sergio Rubin, seu biógrafo oficial. O próprio papel de Bergoglio na chamada Guerra Suja tem sido objeto de controvérsia.
Pelo menos dois processos judiciais envolvem diretamente Bergoglio. Um deles examinou a tortura de dois sacerdotes jesuítas que foram sequestrados em 1976 das favelas onde defendiam a Teologia da Libertação. Um deles acusou Bergoglio de entregá-lo à junta militar.
Os dois padres foram libertados depois de Bergoglio, nos bastidores, promover uma ação extraordinária para salvá-los. Essa ação incluiu persuadir a família do ditador Jorge Videla e rezar missa aos doentes na casa do líder da junta militar, onde privadamente ele apelou por misericórdia. Sua intervenção provavelmente salvou as vidas dos sacerdotes, mas Bergoglio nunca compartilhou os detalhes dessa história até que Rubin o entrevistou, em 2010, para uma biografia.
Rubin disse que não enfrentar os ditadores foi simplesmente uma atitude pragmática em um momento no qual muitas pessoas estavam sendo mortas. Ele atribuiu a Bergoglio, mais tarde, a relutância em partilhar o seu lado da história como um reflexo de sua humildade.
Bergoglio também foi acusado de virar as costas para uma família que perdeu cinco parentes para o Estado de Terror, incluindo uma jovem grávida de cinco meses, antes que ela fosse sequestrada e eventualmente morta em 1977. O filho dessa mulher, que sobreviveu, foi dado a uma "importante" família.
Apesar das evidências escritas, indicando que ele soube que a criança havia sido dada, Bergoglio testemunhou em 2010 que não sabia sobre quaisquer bebês roubados até bem depois do fim da ditadura. As informações são da Associated Press. 

Irmã de jesuíta preso durante ditadura contesta escolha do Papa


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O argentino Jorge Mario Bergoglio, ao lado do cardeal brasileiro dom Claudio Hummes, acena, da sacada do Vaticano, para a multidão reunida na Praça de São Pedro após ser eleito Papa Francisco Foto: AP


O argentino Jorge Mario Bergoglio, ao lado do cardeal brasileiro dom Claudio Hummes, acena, da sacada do Vaticano, para a multidão reunida na Praça de São Pedro após ser eleito Papa FranciscoAP

 BUENOS AIRES — Quando ouviu o nome do novo Papa, a argentina Graciela Yorio sentiu que o mundo caia sobre sua cabeça. Para ela, Jorge Mario Bergoglio, desde hoje o Papa Francisco, é “autor intelectual do sequestro do sacerdote jesuíta Orlando Yorio”, seu irmão, que em 1976 esteve cinco meses detido na Escola de Mecânica da Marinha (Esma, na sigla em espanhol), um dos principais centros clandestinos de tortura da última ditadura argentina (1976-1983).

A pedido da família de Yorio, falecido de um ataque cardíaco há 13 anos, Bergoglio participou como testemunha do julgamento sobre crimes cometidos na Esma, há dois anos. O novo Papa também foi convocado como testemunha pelo tribunal que julgou a implementação do chamado Plano Sistemático de Roubo de Bebês (filhos de mulheres que, em sua grande maioria, estão desaparecidas) durante o regime militar.

Em entrevista ao GLOBO, Estela de la Cuadra, que até hoje procura sua sobrinha, Ana, nascida na mesa de uma delegacia em junho de 1977, assegurou que “a Igreja Católica escolheu uma pessoa que para nós, familiares de vítimas da repressão exercida pelos militares, foi cúmplice de um governo genocida”.

A indignação de Graciela e Estele reflete, em grande medida, o clima que se viveu nesta quarta-feira em associações de defesa dos direitos humanos da Argentina. Nas sedes das Mães e Avós da Praça de Maio, entre outras ONGs locais, seus representantes receberam com surpresa e estupor o nome do novo Papa. Para este setor da sociedade argentina, acompanhado nas redes sociais por dirigentes esquerdistas, a escolha de Bergoglio foi difícil de digerir.

Graciela e Estela não duvidam em considerar o ex-Arcebispo de Buenos Aires “representante de uma Igreja que permitiu, como muitos outros atores da sociedade argentina, a perseguição, sequestro e assassinato de milhares de pessoas em nosso país”. A cumplicidade da Igreja foi confirmada recentemente por um tribunal da província de La Rioja, onde estão sendo julgados crimes da ditadura. No entanto, neste caso, o nome do novo Papa não foi mencionado.

- Até hoje, a Igreja continua sem colaborar com as investigações da Justiça. Bergoglio nunca quis abrir os arquivos da Conferência Episcopal - lamentou Graciela.

Na década de 70, Bergoglio era o general dos Jesuítas na Argentina, ou seja, a principal autoridade da congregação no país. Nos últimos anos, seus amigos e colaboradores asseguraram, em conversas informais, que o novo Papa ajudou muitas pessoas na época e nada teve a ver com o sequestro e desaparecimento de opositores do regime militar. Pelo contrário. Insistem em defini-lo como “um homem que fez o que pode para ajudar”. O nome do ex-Arcebispo de Buenos Aires, porém, surgiu em dois processos judiciais encerrados com condenações de cadeia perpétua para figuras de proa do regime militar, entre elas o ex-ditador Jorge Rafael Videla, considerado o principal responsável pelo roubo de bebês.

O caso de Elena de la Cuadra (sequestrada quando estava grávida de cinco meses), irmã de Estela, foi um dos julgados e condenados. Após o sequestro de Elena, sua família pediu, pessoalmente, ajuda a Bergoglio. Na época, lembrou Estela, “ele escreveu uma carta pedindo a outros membros da Igreja que nos ajudassem, mas foi inútil. Terminaram nos dizendo que a situação era irreversível, que Ana, minha sobrinha nascida numa delegacia, estava com uma boa família, que cuidaria muito dela”.

- Há alguns anos, Bergoglio disse que ficara sabendo da situação dos bebês roubados há pouco tempo. Isso é mentira, porque ele, pessoalmente, nos recebeu durante a ditadura - enfatizou Estela.

Ela afirmou que “muitos dos bebês eram distribuídos pelo Movimento de Famílias Cristãs, fortemente vinculado à Igreja”.

- Agora que é Papa, Bergoglio tem a obrigação de nos dizer onde estão as crianças roubadas - insistiu Estela.

Jornalista denunciou Papa de conexão com desaparecimentos

O caso de Yorio é diferente. O sacerdote foi sequestrado junto com outro colega jesuíta, Francisco Jalics, e esteve cinco meses preso na Esma, onde ambos, segundo eles mesmos confirmaram, foram torturados. Os dois conseguiram sobreviver e após terem sido libertados rumaram para o exílio. Orlando morreu em 2000 e Francisco vive atualmente na Alemanha. Em investigações publicadas em livros e no jornal “Página 12”, o jornalista Horacio Verbitsky acusou Bergoglio de estar vinculado à detenção de ambos sacerdotes. O ex-Arcebispo de Buenos Aires negou as denúncias em depoimento ao tribunal que julgou o caso - que incluiu outras violações dos direitos humanos cometidas no âmbito da Esma -, mas a família das vítimas insistem.

- Bergoglio os desprotegeu. Como meu irmão e Francisco não seguiram os conselhos de deixar de viver numa favela, foram expulsos da congregação pelas pressões da ditadura, que achava que eram subversivos, e posteriormente presos - contou Graciela.

Segundo ela, Bergoglio era o chefe imediato de seu irmão e após o sequestro visitou a minha família.

- Ele nos disse que sobre Orlando não se falava mais, dando a entender que ele estava morto. Nossa sensação é de que ele os entregou. Quando meu irmão e Francisco foram soltos, telefonaram para Bergoglio e ele lhes disse que não podia ajudá-los - afirmou Graciela.

Nos próximos meses, ela pretendia apresentar novas testemunhas aos tribunais de Buenos Aires, para tentar “confirmar que Bergoglio foi o autor intelectual do sequestro. Com esta notícia estamos destruídos, o processo não poderá mais avançar”.

O GLOBO

 

Depoimento de Valério sobre Lula é enviado à promotoria em Brasília


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Procurador da República em Minas, que havia recebido o depoimento em fevereiro, alegou não ter competência para investigar parte dos fatos

FELIPE RECONDO - Agência Estado
BRASÍLIA - O depoimento prestado em setembro do ano passado pelo operador do mensalão, Marcos Valério, ao qual o jornal O Estado de S. Paulo teve acesso, foi remetido para o Ministério Público Federal em Brasília. O procurador da República em Minas Gerais Leonardo Augusto Santos Melo, que havia recebido o depoimento em fevereiro, alegou não ter competência para investigar parte dos fatos narrados por Valério. Já os repasses financeiros citados no depoimento já estão sendo apurados em Minas.
Uma dessas investigações em curso em Minas Gerais seria dos repasses feitos por Valério à empresa do ex-assessor da Presidência da República Freud Godoy. As outras acusações, contidas nas 13 páginas do depoimento, não teriam relação com as investigações em curso em Minas Gerais. Por isso, o procurador determinou a remessa para os procuradores em Brasília.
Desde segunda-feira, 11, o depoimento passa por uma análise preliminar e já está nas mãos de alguns procuradores da República, que têm investigações correlatas ao processo do mensalão. Caso guarde alguma relação com apuração em curso, o trecho do depoimento será apensado a esta investigação.
Caso contrário, se não houver nenhuma correlação com apurações já em curso, o depoimento será distribuído para um procurador da República. Caberá a ele determinar a instauração de processos administrativos para investigar as acusações feitas por Valério ou arquivar o caso depois de análise preliminar. Se entender haver indícios de crime a serem investigados, o procurador poderá abrir quanto processos administrativos quantos considerar necessários para abarcar a íntegra do depoimento.
Em meio ao julgamento do mensalão, Valério foi voluntariamente à Procuradoria-Geral da República no dia 24 de setembro na tentativa de obter algum benefício em troca de novas informações sobre o caso. Em mais de três horas de depoimento, disse que o esquema do mensalão ajudou a bancar "despesas pessoais" do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Também afirmou que o ex-presidente deu "ok", em reunião no Palácio do Planalto, para os empréstimos bancários que viriam a irrigar os pagamentos de deputados da base aliada. E contou ter sido ameaçado de morte pelo PT caso decidisse contar o que sabia do esquema. 

Argentino Jorge Mario Bergoglio é o novo papa da Igreja Católica


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Fiéis se emocionam com a escolha do novo papa

O Estado de S.Paulo com Efe
Após discurso, o papa Francisco dá a bênção Urbi et Or::bi (à Cidade de Roma e ao Mundo) - Tony Gentile/Reuters
Tony Gentile/Reuters
Após discurso, o papa Francisco dá a bênção Urbi et Or::bi (à Cidade de Roma e ao Mundo)
Cidade do Vaticano - O novo papa da Igreja Católica é o argentino Jorge Mario Bergoglio, jesuíta de 76 anos. Ele adotou o nome Francisco. O arcebispo do Rio, d. Orani, disse acreditar que a escolha do nome pode ser uma homenagem a São Francisco de Assis, pela simplicidade, e também a São Francisco Xavier, que foi jesuíta como o novo papa.
Cardeal desde 2001 e arcebispo de Buenos Aires desde 1998, o nome dele não figurava entre os favoritos para suceder Bento XVI. Esta é a primeira vez, em 1300 anos, que o papa não é da Europa.
Segundo John Allen Jr, um dos mais experientes vaticanistas da atualidade, Bergoglio é um ortodoxo inflexível em matéria de moral sexual e convicto opositor do aborto, da união homossexual e da contracepção. Em 2010 ele afirmou que a adoção de crianças por gays é uma forma de discriminação contra as crianças, o que lhe valeu uma reprimenda pública por parte da presidente argentina Cristina Kirchner. Ao mesmo tempo, ele demonstra sempre profunda compaixão pelas vítimas da aids; em 2001, por exemplo, visitou um sanatório para lavar e beijar os pés de 12 pacientes soropositivos.
O anúncio da escolha do 266º pontífice da Igreja Católica foi feito pelo cardeal Protodiácono (primeiro dos diáconos), o francês Jean-Louis Tauran. Antes do conclave, a imprensa argentina tinha pouca confiança nas chances de Bertoglio, que esteve perto de ser escolhido papa em 2005. Segundo o jornal Clarín, a idade avançada e alguns problemas recentes de saúde pesavam contra o cardeal nesta eleição. Sua entrada na Capela Sistina, porém, provocou aplausos entusiasmados dos presentes e deu um indício de sua força. O novo pontífice foi o segundo mais votado no conclave de 2005, no qual foi eleito o alemão Joseph Ratzinger, Bento XVI.
A eleição
A fumaça branca que saiu da chaminé instalada na Capela Sistina para anuncia ao mundo que os cardeiais tinham eleito o sucessor de Bento XVI, foi recebido com uma explosão de júbilo pela multidão que esperava sob chuva na Praça de São Pedro. Os 115 cardeais reunidos em conclave na Capela Sistina elegeram o novo pontífice na quinta votação.
Os 115 cardeais demoraram pouco mais de 25 horas para escolher o sucessor de Bento XVI. A rapidez na eleição manteve a tônica das últimas décadas, nas quais nenhuma superou as 11 votações.
Pio XII foi eleito com três votações e em menos de 24 horas; João Paulo I com quatro; Bento XVI com quatro; Paulo VI com cinco; João Paulo II com oito; e João XXIII, com 11.

Veja trechos do discurso do papa Francisco:
Vocês sabem que o dever do conclave era dar um bispo à Roma e parece que meus irmãos cardeais foram buscá-lo quase no fim do mundo. Aqui estamos. Agradeço pela acolhida à comunidade de Roma. Obrigado.
E, antes de mais nada, gostaria de fazer uma oração pelo nosso bispo emérito, Bento XVI. Oremos todos juntos por ele, para que o Senhor o abençoe.
E agora vamos iniciar este caminho juntos, bispo e povo, esse caminho da igreja de Roma, um caminho de fraternidade, de amor, de confiança mútua entre nós.
Vamos rezar pelo mundo todo, para que haja uma grande fraternidade, desejo que este caminho de igreja, que hoje iniciamos, que seja frutuoso na evangelização desta belíssima cidade.
Vamos fazer silêncio para fazer esta oração de vocês por mim.

10/03/2013

Feliciano divulga entrevista de fiel que doou cartão: 'Finanças foram abençoadas'


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Samuel Souza fez a doação durante culto de pastor que preside Comissão de Direitos Humanos

 Bruno Lupion e Ricardo Chapola - O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - O homem que doou o cartão de crédito durante o culto ministrado pelo deputado e pastor Marco Feliciano (PSC), recém-eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, afirmou nesta sexta-feira, 8, que, depois disso, teve suas finanças abençoadas.
A doação de Samuel de Souza foi registrada em vídeo no ano passado, mas se espalhou na internet nesta semana depois que Feliciano foi empossado na chefia do colegiado. Na gravação, o pastor pede a Samuel Roza a senha do cartão.


Roza concedeu uma entrevista para a equipe do pastor como parte de uma nota de esclarecimento divulgada na página oficial de Feliciano.
"Como seu cartão foi parar nas salvas?", pergunta a assessoria do deputado. "Sem mais recursos disponíveis, resolvi fazer um ato profético de consagrar simbolicamente a minha conta corrente. Coloquei meu cartão nas salvas de oferta e com fé acreditei que isso abençoaria minhas finanças", respondeu o fiel.
E completou ao ser questionado se tinha funcionado: "Sim! Na época eu nem esperava em casar, nem pretendente tinha (risos), ganhava muito pouco como eletricista. Na época era apenas obreiro, hoje sou diácono e sonho um dia ser um pastor como o Pr. Marco Feliciano para pregar a palavra de Deus".
A nota ainda acusa ativistas de grupos que protestaram contra a eleição de Feliciano ao cargo de terem divulgado o vídeo nas redes sociais. Feliciano disse que estava brincando ao pedir a senha do cartão do fiel.
A resistência ao nome de Feliciano se deve porque ele é acusado de ser racista e homofóbico. Em 2011, o pastor Feliciano escreveu no Twitter que o amor entre pessoas do mesmo sexo leva "ao ódio, ao crime e à rejeição".