21/02/2013

Yoani Sánchez critica silêncio do Brasil com relação aos direitos humanos em Cuba


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A blogueira cubana Yoani Sánchez recebeu flores antes de conceder entrevista em São Paulo (Foto: Paulo Whitaker / Reuters)
Quatro dias depois de chegar ao país, a blogueira cubana consegue, enfim, expor suas ideias sem ser interrompida por berros e baderna
Por Branca Nunes, do site de VEJA
A blogueira Yoani Sánchez criticou a mudez do governo brasileiro com relação à questão dos direitos humanos em Cuba. “Há muito silêncio”, disse a cubana. “Recomendaria uma posição mais enérgica”.
A declaração foi feita na manhã desta quinta-feira, quatro dias depois de Yoani desembarcar no país, durante um debate realizado na sede do jornal O Estado de S. Paulo.
Com a voz levemente rouca e uma pulseira do Senhor do Bonfin no braço direito, esta foi a primeira vez que a blogueira crítica ao regime ditatorial dos irmãos Castro conseguiu expor suas opiniões sem ouvirgritos de protestos nem sofrer agressões verbais.
“Não me surpreenderam”, disse, ao comentar os protestos. “Os blogs oficiais do meu país já haviam avisado que eu teria uma resposta contundente durante a viagem. Todos têm direito de manifestar sua opinião. O que me surpreendeu foi a violência física. Nunca imaginei que me impediriam de falar”.
Um dos financiadores de sua viagem: a Anistia Internacional
A blogueira aproveitou o evento para responder parte das críticas que os defensores dos irmãos Castro fazem a ela. Ao ser questionada sobre quem está financiando sua viagem – Yoani percorrerá mais de dez países em 80 dias –, a cubana respondeu que o dinheiro vem de diversas instituições, como a Anistia Internacional, universidades e blogueiros.
“Não tenho milhões de dólares, mas tenho milhões de amigos”. Um dos objetivos de Yoani é receber os prêmios (que somam mais de 300.000 reais) que recebeu ao longo dos últimos anos pelo trabalho emGeneración Y.
Yoani aproveitou para salientar que as pessoas que a ajudam com o blog (traduzido para 18 idiomas) são voluntários espalhados pelo mundo. “Quem traduz meus textos para o inglês, por exemplo, é uma motorista de ônibus de Nova York de 65 anos”, conta. “Mas o governo não acredita mais na espontaneidade. Quando eles querem algo, ordenam, pagam”.
[Nesta quinta-feira, a partir das 18h, Yoani deveria participar de um evento com blogueiros na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, também em São Paulo, e, em seguida, autografar o livro De Cuba, com carinho, mas baderneiros do pró-Cuba tumultuaram os dois eventos, que foram abreviados.] A blogueira permanece na capital paulista até sábado, quando embarcará para a Republica Checa.
Veja abaixo alguns dos temas comentados por Yoani Sánchez no debate desta quinta-feira:
Internet
A internet é para os cubanos uma plataforma de liberdade. Um campo de treinamento para o que algum dia pode se tornar realidade. Ela possibilita que mais pessoas possam se tornar o epicentro da informação. É um espaço democrático, com pessoas boas e más.
Fidel e Raúl Castro
O governo de Raúl nasceu de um pecado original: ele não foi eleito. As reformas econômicas que tem feito estão na direção correta, mas num ritmo absurdamente lento e sem profundidade.
O governo de Fidel Castro, por sua vez, queria controlar cada aspecto da vida dos cubanos, desde o que vestíamos ao café que tomávamos. Sobre a repressão, Fidel fazia dela um espetáculo, com grandes julgamentos e punições exemplares. No governo de Raúl, a repressão é velada.
Comunismo e capitalismo
Tenho uma relação ruim com as ideologias. Sou uma pessoa pós-moderna, que cultua a liberdade. Não creio que em Cuba haja um socialismo e muito menos um comunismo. Classificaria o governo cubano como um capitalismo de Estado.
O patrão é o governo.
Educação, saúde – e professores que ganham menos de 30 dólares por mês
A estrutura física e a extensão da rede de ensino e de saúde em Cuba são aspectos positivos. Existem escolas e postos de saúde em cada bairro.
Porém, existe um colapso material. Os professores ganham menos de trinta dólares por mês, o que diminui a qualidade. São pessoas despreparadas.
Economiaa alternativa de roubar ou se prostituir
Cuba vive hoje uma esquizofrenia monetária. Existe o peso cubano e o peso conversível. O cubano acorda todos os dias com um objetivo: o que fazer para conseguir pesos conversíveis e alimentar sua família.
Existem algumas alternativas. Caso ele seja um cozinheiro de um grande hotel, por exemplo, pode roubar um azeite ou um pedaço de queijo para vender no mercado negro. Também pode se prostituir, trabalhar clandestinamente ou pedir que parentes que emigraram enviem dinheiro. Quem não tem nenhum desses caminhos passa mal. O salário não é mais a principal fonte de renda.
Embargo econômico: agora, tudo é culpa do “império”
Há uma teoria que diz que o embargo é uma caldeira. O fogo geraria precariedade econômica e material, o que levaria as pessoas à rua. Só que o embargo não resulta em rebeldia, mas na imigração dos cubanos.
Outro motivo pelo qual sou contra o embargo é o fato de que ele embasa os argumentos do governo cubano que diz que não há batatas, não há tomates, não há comida por causa do império.
Sem essa desculpa, quem eles vão culpar?
Protestos internos e o medo da delação
Desde pequenos, os cubanos recebem uma série de informações e propagandas que fazem com que eles acreditem que o país não lhes pertence. Pertence a uma geração histórica, que foi a protagonista da revolução. Isso cria uma apatia grande.
Além disso, tem uma paralisia provocada pelo medo. Não um medo da morte, mas um medo da delação. Você acha que será denunciado pelo seu vizinho. Isso leva muitas pessoas a tentarem resolver os seus problemas individualmente.
Mas existe uma oposição hoje de jovens que se manifesta artisticamente, via internet, que procura divulgar as informações de forma ampla.
Manifestações no Brasil: muitos nunca estiveram em Cuba, ou só fazendo turismo
Muitas dessas pessoas que protestaram contra mim nunca estiveram em Cuba. Outras estiveram por duas semanas fazendo turismo. É uma visão muito superficial. Para os mais velhos, acredito que seja difícil assumir que aquilo em que eles tanto acreditaram está morto, não seu certo.
O governo cubano cria uma realidade distorcida. Eles propagam uma Cuba que não existe, uma cidade utópica, de esperança, onde todos têm chances.

Quando meu filho era criança chegou em casa da escola dizendo que antes de Fidel Castro não havia universidades em Cuba. Isso é mentira. 



Por que Cuba tem medo de Yoani Sánchez

STF concede revisão a aposentado que adiou pedido de benefício


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Existem pelo menos outras 400 ações similares que aguardam definição da Corte sobre o tema

Mariângela Gallucci - O Estado de S. Paulo
BRASÍLIA - O Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu nesta quinta-feira, 21, o direito de um aposentado à revisão do valor do benefício concedido na década de 80 pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em 1976, ele tinha atingido os requisitos para requerer a aposentadoria, mas optou por continuar a trabalhar. Quatro anos depois, quando pediu a aposentadoria, o valor do benefício concedido foi inferior ao que seria pago se ele tivesse deixado de trabalhar antes.
A maioria dos ministros do STF concluiu que o aposentado tinha o direito adquirido a receber o benefício mais elevado. De acordo com informações do Supremo, a aposentadoria inicial obtida pelo aposentado em 1980 foi de 47.161,00 cruzeiros. Pela revisão requerida, ela subiria para 53.916,00 cruzeiros, em valores daquela época.
No recurso, o aposentado sustentou que a Constituição Federal estabelece que um direito adquirido não pode ser modificado nem por lei. Ele também alegou que o direito previdenciário faculta ao segurado que já atingiu os requisitos mínimos para requerer a aposentadoria o direito de optar pelo momento mais benéfico.
O julgamento desta quinta começou em 2011 e tem repercussão geral, ou seja, a orientação deverá ser seguida para solucionar processos semelhantes que tramitam na Justiça. Não há dados consolidados sobre o número de ações parecidas, mas são pelo menos 400 que aguardavam uma definição do STF.
"Tenho que, uma vez incorporado o direito à aposentação ao patrimônio do segurado, sua permanência na ativa não pode prejudicá-lo", afirmou a relatora do recurso, ministra Ellen Gracie, na primeira parte do julgamento, ocorrida em 2011. Na ocasião, a votação foi interrompida por um pedido de vista. O julgamento foi retomado hoje. "Ele não está sendo punido por ter continuado a trabalhar?", perguntou o presidente do STF, Joaquim Barbosa, que votou a favor do aposentado. 

18/02/2013

Yoani é recebida com manifestação pró-ditadura cubana


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Blogueira desembarcou no Recife e foi chamada de agente da CIA por militantes

Yoani Sanchéz, ao lado do cineasta Dado Galvão, chega ao Brasil: militantes pró-ditadura no encalço
Yoani Sanchéz, ao lado do cineasta Dado Galvão, chega ao Brasil: militantes pró-ditadura no encalço (Edmar Melo/EFE)
Após cinco anos e 20 negativas do regime cubano de viajar para o exterior, a dissidente, jornalista e blogueira Yoani Sánchez chegou na madrugada desta segunda-feira ao Brasil, primeira parada de uma viagem de 80 dias que a levará a uma dezena de países da América e da Europa. 
Depois de pegar um voo na Cidade do Panamá, Yaoni, de 37 anos, desembarcou no Aeroporto Internacional Guararapes, no Recife, onde foi recebida por amigos e pelo diretor Dado Galvão, que convidou a cubana para vir ao Brasil participar da exibição do documentário Conexão Cuba-Honduras na noite desta segunda, em Feira de Santana (BA). Yoani é uma das entrevistadas do filme, que trata da falta de liberdade de expressão nos dois países.  
Acostumada a enfrentar a perseguição do regime comunista em seu país natal, onde já foi presa e torturada por escrever sobre as dificuldades do povo cubano provocadas pela ditadura dos irmãos Fidel e Raúl Castro, Yoani Sanchéz foi surpreendida no aeroporto por um protesto de um pequeno grupo de militantes em defesa da ditadura castrista e contra sua presença no Brasil.
No saguão, a militância do chamado "Fórum de Entidades de Solidariedade a Cuba" recebeu a blogueira com gritos de "Fora Yoani" e a acusou de ser agente da CIA, o serviço de inteligência dos Estados Unidos. Em um ato grosseiro, um integrante do grupo tentou esfregar notas falsas de dólar no rosto da cubana, que reagiu de modo a valorizar a liberdade de expressão inexistente em Cuba: "Isso é a democracia. Queria que em meu país pudéssemos expressar opiniões e propostas diferentes com esta liberdade".
Nos sete dias em que ficará no Brasil, no entanto, Yoani Sanchéz não está livre das perseguições do regime cubano, como revela reportagem de VEJA desta semana. O governo de Havana escalou um grupo de agentes para vigiá-la e recrutou outro com a missão de desqualificar a ativista por meio de um dossiê com características patéticas – o documento a acusa de ir à praia em Cuba, tomar cerveja e aceitar premiações internacionais concedidas a defensores dos direitos humanos. O plano para espionar e constranger Yoani Sánchez foi elaborado pelo governo cubano, mas será executado com o conhecimento e o apoio do PT, de militantes do partido e de pelo menos um funcionário da Presidência da República.
Turnê – Do Recife, Yaoni seguirá inicialmente em avião para Salvador e, de lá, irá de carro até Feira de Santana, cidade de 557.000 habitantes, a 116 quilômetros da capital baiana. A viagem da blogueira, uma das vozes mais críticas da ilha, foi possível devido à reforma migratória vigente desde o dia 14 de janeiro em Cuba.
No ano passado Yaoni tentou visitar o Brasil para participar da apresentação do documentário e, apesar de receber o visto de entrada brasileiro, as autoridades cubanas voltaram a negar-lhe a permissão de saída. A blogueira terá no Brasil uma intensa agenda que inclui sua participação em conferências e debates sobre liberdade de expressão e direitos humanos, e também vai divulgar o livro De Cuba, com Carinho, uma coletânea de seus textos sobre o triste cotidiano do povo cubano.
Na quarta-feira ela fará turismo em Salvador e depois virá a São Paulo, onde tem atividades até sábado. A viagem de Yaoni Sanchéz pelo mundo também inclui México, Peru, Estados Unidos, República Tcheca, Alemanha, Suécia, Suíça, Itália e Espanha, onde entre outros eventos participará na cidade de Burgos de um congresso sobre internet entre 6 e 8 de março. 
(Com agência EFE)

O homem de Carvalho na tramoia cubana contra Yoani – Nota da Secretaria-geral, cotejada com a lógica, é uma mentira escandalosa


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O secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, decidiu agora escarnecer dos fatos.  Conforme revelou a revista VEJA nesta semana, a embaixada de Cuba em Brasília reuniu militantes de esquerda — do PT, da CUT e do PCdoB — para lhes fornecer um dossiê com acusações estúpidas contra a blogueira cubana Yoani Sánchez. Na ocasião, o embaixador de Cuba revelou que os passos de Yoani seriam vigiados por agentes cubanos. As duas ações — a reunião e a espionagem — são ilegais. As coisas poderiam ter parado por aí, mas tiveram gravidade muito maior.
Ricardo Augusto Poppi Martins, auxiliar de Carvalho, participou de todo o encontro, ficou até o fim e levou uma cópia do dossiê. Em seguida, viajou para Cuba para participar de um seminário que trata justamente de… guerra na Internet.  Na pasta comandada pelo ministro, ele é o responsável por essa área. A secretaria-geral havia divulgado uma primeira nota afirmando que apuraria o caso. Nesta segunda, divulgou outra. Leiam. Volto em seguida.
A Secretaria-Geral da Presidência da República, tendo ouvido o servidor Ricardo Augusto Poppi Martins, esclarece:
O servidor esteve na embaixada de Cuba, em dia e horário definidos por aquele órgão, para obter seu visto de entrada no país, visando participar, em Havana, de um seminário sobre redes sociais.
Após a concessão do visto, o servidor foi convidado por um funcionário da embaixada a participar de reunião na qual foi abordada a política migratória de Cuba e a vinda da blogueira Yoani Sánches ao Brasil.
Na reunião, em que não permaneceu até o final, o servidor recebeu um CD com informações sobre Yoani Sánches, do qual não fez qualquer uso.
O seminário em Havana não teve relação com os temas tratados na reunião.
Assessoria de Comunicação
Secretaria-Geral da Presidência da República
VolteiÉ um acinte! Com que então o tal rapaz vai à embaixada cubana para obter um visto, e eis que chega um funcionário e convida: “Estamos fazendo aqui uma reunião sobre a política migratória e de cuba e a vinda da Yoani, você não quer participar?” Como Poppi estava mesmo desocupado — embora estivesse em horário de expediente —, aceitou o convite. Fica parecendo, leitor, que, fosse você a estar lá, seria alvo de abordagem idêntica.
É evidente que estamos diante de uma desculpa ridícula, esfarrapada. Com que então um dos coordenadores da secretaria-geral da Presidência acha normal que se faça um “seminário”, com esquerdistas brasileiros, sobre a vinda de uma cubana ao Brasil? Carvalho escarnece dos fatos, da verdade, da lógica.
Mas digamos que fosse verdade. A primeira reação do ministro foi a de quem não sabia de nada. Sei… Então o tal Poppi vai a um encontro como aquele, assiste à combinação de uma tramoia, ouve a informação de que agentes cubanos atuam livre e ilegalmente no Brasil e não passa a informação a seu chefe???
Carvalho acha que somos todos idiotas? Acha!
O ministro certamente não é um mentiroso. Mas a versão divulgava pela secretaria-geral da Presidência, quando cotejada com a lógica dos fatos, é uma mentira escandalosa.As oposições que não corram o risco de deixar barato esse troço. Por que um governo que condescende com a espionagem ilegal promovida por um “país amigo” não pode, ele mesmo, espionar? Aliás, tenho umas perguntinhas a fazer a algumas entidades da sociedade civil. No próximo post.
Por Reinaldo Azevedo