10/01/2013

Após expor condenados do mensalão, hacker divulga dados pessoais de Lula


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Foram publicadas também Informações sigilosas de Paulo Maluf, Aécio Neves e do ministro do STF, Ricardo Lewandoski

Ricardo Chapola - O Estado de S. Paulo
Texto atualizado às 18h05
SÃO PAULO - O mesmo hacker @nbdu1nder   que jogou os dados pessoais de três políticos condenados no processo do mensalão na internet publicou nesta quinta-feira, 10, no Twitter os telefones, endereços e CPF do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As informações foram organizadas numa página criada pelo hacker, na qual ele escreveu mensagens criticando a Justiça por não ter investigado o ex-presidente.
Hacker afirmou que pode voltar a lançar mais informações sigilosas desses e de outros políticos - Reprodução
Reprodução
Hacker afirmou que pode voltar a lançar mais informações sigilosas desses e de outros políticos
O hacker, identificado por @nbdu1nder na rede social, publicou na última terça informações sigilosas do ex-ministro José Dirceu, do ex-presidente do PT, José Genoino, e do ex-tesoureiro do PT, Delubio Soares, todos condenados no mensalão.
Nesta quarta, ele também publicou dados de outros nomes envolvidos no escândalo: telefones, e-mails e endereços do publicitário Marcos Valério e do presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, foram tornados públicos. O hacker já tinha dito que faria novas publicações."Faltavam os chefões. Estava na hora deles", disse ao Estado, afirmando ter obtido as informações do Serasa. O Instituto Lula não confirmou se os números de telefone são do ex-presidente.
Também foram divulgados dados do senador Aécio Neves (PSDB), do deputado federal Paulo Maluf (PP), do senador Renan Calheiros (PMDB) e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski.
A divulgação, de acordo com o hacker, foi uma forma de protesto e uma iniciativa declarada para expor os políticos brasileiros cujos nomes estejam envolvidos em atos de corrupção.
O especialista em crimes digitais, Renato Opice Blum, afirmou que a publicação de dados na internet configura crime se ela for feita sem consentimento do proprietário. 

08/01/2013

Hacker publica dados pessoais de Genoino, Delúbio e Dirceu


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Telefones, emails e endereços dos condenados no mensalão foram lançados na internet como forma de protesto
 
Ricardo Chapola - O Estado de S. Paulo

Texto atualizado às 16h04
SÃO PAULO - Um hacker @nbdu1nder divulgou nesta terça-feira, 8, uma página com dados pessoais de três políticos condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo do mensalão no fim do ano passado. Os telefones, endereços, e-mails e os CPFs do ex-presidente do PT, José Genoino, do ex-tesoureiro do partido, Delúbio Soares e do ex-ministro José Dirceu foram publicados e disseminados na internet via Twitter pelo perfil de um hacker identificado por @nbdu1nder. Procurado pelo Estado, o hacker afirmou, sem citar quando, liberar outros dados de outros políticos envolvidos no escândalo em breve.


 
Hacker afirmou que vai liberar informações sigilosas de outros políticos em breve - Reprodução
 Reprodução
Hacker afirmou que vai liberar informações sigilosas de outros políticos em breve

"Isto é só o começo. Muitas coisas ainda virão. Poucos perceberam, mas no texto que fiz, eu coloquei a database do planalto.gov.br. É certeza que dados de muitos outros envolvidos no mensalão serão divulgados", disse. A secretaria de Comunicação do governo federal informou que "não há possibilidade de os dados sobre os três políticos em questão terem saído do site do Planalto".

Segundo ele, a divulgação foi uma forma de protesto e um meio para que as pessoas conheçam os políticos brasileiros. "O governo omite muitas informações. A população tem direito de saber quem está por trás do nosso Brasil", disse ele, acrescentando que teve ajuda de apenas um colega para conseguir e publicar os dados.

As informações estão abrigadas na página intitulada "Leaked and Exposed" - "Vazado e exposto", em tradução para o português. Lá, o hacker criticou o direito de Genoino tomar posse da cadeira de deputado na segunda passada e classificou o momento como "um dos mais constrangedores da história". O ex-presidente do PT assumiu a vaga deixada por Carlinhos Almeida, eleito prefeito de São José dos Campos.

"O Brasil viveu um dos momentos mais constrangedores de sua história, não apenas por assistir a posse na Câmara dos Deputados de um corrupto e quadrilheiro condenado a seis anos e onze meses de prisão, mas pelo fato dele ter sido aplaudido por boa parte dos parlamentares, entre eles todos os petistas, como se fosse um herói nacional", disparou.

O advogado de Dirceu, José Luis Mendes de Oliveira Lima, acenou que tomará medidas judiciais. "Sim (tomaremos providências) se a ilegalidade tiver sido cometida contra meu cliente", afirmou. As defesas de Genoino e de Soares não se posicionaram.



07/01/2013

“Avisei que íamos sofrer com maus companheiros”, adverte Olívio sobre aliados e Mensalão


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Em entrevista ao Esfera Pública, ex-governador também garante que Ministério das Cidades foi usado como moeda de troca e que, para Genoíno, reassumir o mandato não foi a melhor escolha

Militante histórico do Partido dos Trabalhadores (PT) e garantindo ter "vida modesta", mesmo com aposentadoria de governador, Olívio Dutra falou, hoje, sobre as articulações políticas firmadas durante a primeira gestão do presidente Lula que culminaram em escândalos como o Mensalão e a Operação Porto Seguro, que envolve a ex-assessora especial do gabinete presidencial em São Paulo, Rosemary Noronha. Sem cargo político na sigla, ele participou do programa Esfera Pública, na Rádio Guaíba, nesta segunda-feira.

Olívio reiterou confiança na credibilidade do ex-presidente Lula e lembrou ter sido o primeiro ministro indicado para a Pasta das Cidades, criada durante o primeiro mandato. Olívio disse, porém, que o Ministério foi usado como instrumento de troca entre os partidos da base aliada. O ex-governador foi demitido do cargo em julho de 2005, o que permitiu ao governo Lula abarcar o Partido Progressista na base de sustentação.

O ex-ministro disse ainda que o ex-presidente sofria todo tipo de pressão para ter governabilidade e chegou a alertar que os aliados podiam denegrir a história do PT e do ex-presidente. “Eu avisei em uma ocasião que íamos sofrer com as más companhias. Más companhias que não são somente aquelas de fora para dentro, mas também de dentro do partido a medida que vão chegando pessoas. Na medida que tu tens cargos para oferecer, há pessoas no partido que não conhecem nada da história nem da razão de ser. O PT falha nisso e deixa de ser uma escola política e passa a agregar pessoas por conta dos cargos”, ressaltou.

As declarações foram feitas no mesmo programa do qual o petista José Genoíno também participou. Na semana passada, o deputado federal foi empossado na Câmara dos Deputados. O condenado no processo do Mensalão mencionou o artigo 5º da Constituição que prega que o indivíduo somente pode ser culpado depois de sentença penal transitada em julgado e se disse apto para permanecer no cargo legislativo. “Fui condenado à noite e no dia seguinte eu saí do governo porque era um cargo comissionado. É diferente de uma eleição onde os eleitores me delegaram como suplente. Esses eleitores não têm tido nenhuma restrição, por isso, estou assumindo tranquilamente, de maneira muito serena”, alegou. Genoíno foi condenado a seis anos e 11 meses de prisão e multa por corrupção ativa e formação de quadrilha no julgamento do Mensalão. Se cumprir a pena, deve ser em regime semiaberto.

Para Olívio, Genoíno errou em ter assumido. “É uma opinião pessoal, mas tenho convicções de que assumindo nessas condições não foi a melhor escolha para a tua própria trajetória e para o sentimento partidário”, ressaltou.

Olívio Dutra ainda disse que não está decepcionado com o partido. A sigla, na visão do político, é muito maior que o esquema de compra de votos e formação de quadrilha. “O partido não é o Dirceu, nem o Lula, nem a Dilma, nem o Tarso, nem o Olívio. O partido é uma construção coletiva da democracia brasileira”, disse. Ele complementou, porém, dizendo que o Mensalão foi um conjunto de erros entre o partido e os políticos que se beneficiaram com os delitos. “As instâncias partidárias não estavam suficientemente azeitadas e foram atropeladas por estas ilustres pessoas do partido”.

Ouça o áudio: Olívio Dutra garante ter avisado Lula sobre os maus companheiros    
Ouça o áudio: Para Lula, Genoíno errou em ter reassumido mandato na Câmara    
Ouça o áudio: José Genoíno se defende
 
Fonte: Samantha Klein/Rádio Guaíba