04/12/2012

'Por onde ele anda, é ovacionado', afirma ministro em defesa de Lula


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FLÁVIA FOREQUE
DE BRASÍLIA


O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) defendeu nesta terça-feira (4) o governo do ex-presidente Lula e afirmou que a Operação Porto Seguro, que apura esquema de corrupção e tráfico de influência dentro do governo federal.

Entre os investigados na operação estão Rosemary Noronha, ex-chefe do escritório da Presidência em São Paulo, com quem Lula tinha uma relação íntima.

"Não é o erro de uma ou de outra pessoa que vai atrapalhar esse projeto que está se consolidando como um projeto de um novo país, onde finamente os esquecidos e excluídos são lembrados, são cuidados. Isso não há campanha, não há erro de algumas pessoas que vai apagar", afirmou o ministro após participar de cúpula social do Mercosul, em Brasília.

Alan Marques - 15.ago.12/Folhapress
O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência) durante evento no Palácio do Planalto
O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência) durante evento no Palácio do Planalto

Segundo Carvalho, "o Brasil precisava passar pelo que está passando". O ministro destacou que o ex-presidente é "ovacionado" pela população - durante a cerimônia, foi exibido um vídeo com Lula em que ele lamentava a ausência no evento e defendia o bloco formado entre os países da América do Sul.

"O povo brasileiro sabe o que o nosso governo realizou e está realizando. (...) Por onde ele anda, ele é endeusado, diferente de outros. Porque nós lutamos com amor pelo país.

O ministro disse que o governo continua "de cabeça erguida". "Eu tenho um orgulho absoluto do presidente Lula."

"Por onde eu ando, eu vejo o nosso presidente Lula reconhecido e amado pelo povo. Para mim isso é o que conta. É a nossa sintonia com o povo", disse.

FHC

Questionado sobre declarações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Gilberto Carvalho fez críticas à gestão tucana. Os dois têm trocado farpas diante da investigação da operação Porto Seguro.

"Muito mais do que no passado, os erros vêm a tona. Aquilo que era colocado embaixo do tapete ou morria numa gaveta de uma procuradoria, agora não morre mais", alfinetou Carvalho. Para o ministro, agora a "corrupção velha" está aparecendo.

"O governo dele não foi isso que ele está dizendo que foi." "Eu tenho respeito por ele, pela historia dele, [mas] não posso ter respeito pelos erros que foram cometidos no governo dele", completou.

Votação do fim do fator previdenciário fica para o próximo ano


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Rodolfo Stuckert
Reunião de Líderes - presidente Marco Maia e líderes partidários definem pauta da semana
Maia já assinou a criação do colegiado, que terá até o início de março para conseguir um acordo com o governo.
O presidente da Câmara, Marco Maia, e os líderes partidários decidiram em reunião nesta tarde criar uma comissão formada por 28 deputados para avaliar o fim do fator previdenciário (PL 3299/08) e apresentar uma nova proposta em março do próximo ano.
Maia gostaria de votar a proposta ainda neste ano, mas explicou que houve acordo entre os líderes para instituir uma comissão especial dedicada a estudar a previdência no País.
O presidente informou já ter assinado a criação do colegiado, que terá até o início de março para conseguir um acordo com o governo. “Não queremos ganhar e não levar; queremos solucionar essa questão”, ressaltou. Segundo ele, é importante construir um acordo para não haver vetos presidenciais.

Íntegra da proposta:

Da Redação – RCA

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Rose teve ‘relação criminal’ com quadrilha, diz Cardozo


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Ex-chefe de gabinete da Presidência em São Paulo utilizava seu cargo para garantir benefícios à quadrilha que vendia pareceres de órgãos federais

Laryssa Borges, de Brasília
Rosemary Nóvoa de Noronha: ex-chefe de gabinete da Presidência em São Paulo
Rose foi exonerada, e o cargo que ocupava no escritório da Presidência, extinto (Jorge Araujo/Folhapress )
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse nesta terça-feira que a ex-chefe de gabinete da presidência da República em São Paulo, Rosemary Nóvoa de Noronha, mantinha uma “relação indevida e criminal” com a quadrilha desarticulada na Operação Porto Seguro, da Polícia Federal. As investigações mostram que Rose, como é conhecida, atuava em benefício da quadrilha chefiada pelo ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), Paulo Vieira. Com o estouro da investigação, ela acabou indiciada pelos crimes de corrupção ativa, tráfico de influência e falsidade ideológica e foi exonerada do cargo.
Cardozo, que presta esclarecimentos nesta terça-feira para as comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados, foi cobrado por parlamentares de oposição sobre a razão de não indiciar a ex-chefe de gabinete também por formação de quadrilha.
“Os policiais não sofreram nenhuma ingerência política e chegaram à conclusão que chegaram. Rosemary era uma pessoa que mantinha contatos ilegais, que fazia situações indevidas, o que motivou ter sido indiciada por três crimes, mas não como (integrante) da quadrilha”, disse o ministro.
“Ela teve uma relação indevida e criminal. Não estou defendendo a senhora Rose. Tráfico de influência era o que ela fazia. E, se a Polícia Federal vier a pegar outras provas e elementos, a imputação mudará. Eles farão isso com muita independência”, completou Cardozo. Ao longo de toda a audiência, o chefe da pasta da Justiça, responsável hierárquico pela Polícia Federal, negou que estivesse defendendo a ex-chefe de gabinete, que é muito próxima do ex-presidente Lula.
Conforme Cardozo, Rosemary Noronha utilizava de seu cargo para garantir benefícios para a quadrilha. As investigações apontam que ela buscava se cacifar afirmando que falaria com o ex-presidente para resolver determinada pendência, embora a Polícia Federal afirme que não há registros de que Lula tivesse conhecimento das irregularidades. “O que dava a ela liberdade para fazer isso era seu cargo, e isso está sob investigação”, afirmou Cardozo. “Imaginar que o presidente Lula está por trás disso, a meu ver, está desmentido. O presidente Lula não estava envolvido.”
AGU – Durante audiência na Câmara dos Deputados, José Eduardo Cardozo ainda saiu em defesa do advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, cujo braço direito, José Weber Holanda, foi um dos indiciados na operação Porto Seguro. Para o ministro, Adams confiou em seu auxiliar e não tinha conhecimento das irregularidades cometidas por ele.
“Não posso fazer imputação ao ministro Adams. Ele escolheu alguém em quem confiou, mas lamentavelmente essa pessoa pode ter incorrido em faltas gravíssimas”, opinou. Cardozo disse também que não é possível que as autoridades tenham “o poder da onisciência” sobre o perfil de cada nomeado e se valeu do episódio envolvendo o senador cassado Demóstenes Torres, que perdeu o cargo por manter relações com o contraventor Carlinhos Cachoeira, para defender o advogado-geral.
“Quantas vezes não nos engamos em nomeações e em situações de convivência? Fui premiado por esse senador (Demóstenes) por combate à corrupção e qual a minha surpresa ao ver na operação Monte Carlo esse senador envolvido com uma quadrilha”, disse.