22/11/2012

Em posse, Barbosa critica excesso de recursos e diz que Justiça é desigual


Share/Bookmark

Ministro chega ao comando da corte após ter sido relator do mensalão

Laryssa Borges, de Brasília
MInistro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, cumprimenta a presidente Dilma Roussef, em Brasília - PR
"Nem todos os brasileiros são tratados com igual consideração quando buscam o serviço público da Justiça"





























O novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, criticou nesta quinta-feira, durante a posse que o levou ao mais alto posto do Poder Judiciário, o excesso de recursos processuais apresentados por advogados, a demora no julgamento de processos e a ainda persistente desigualdade entre cidadãos que buscam os tribunais para a solução de seus problemas. 
Alçado a patamares de celebridade após ter relatado a ação penal do mensalão, processo que culminou com a condenação de 25 réus entre políticos, empresários e banqueiros, Barbosa ainda criticou juízes que não se atentam para os anseios da sociedade e que preferem permanecer “isolados, fechados, como se estivessem encerrados em uma forma”. 
“No exercício da sua missão constitucional, o juiz deve sopesar, sim, com a devida conta os valores mais caros à sociedade na qual ele opera. O juiz é um produto do seu meio e do seu tempo. Nada mais ultrapassado do que o modelo de juiz isolado, fechado, como se estivesse encerrado em uma forma”, disse, segundo estatísticas do STF, a cerca de 2 mil convidados. 
Avesso a receber advogados em seu gabinete, o novo presidente da Suprema Corte disse que o Poder Judiciário precisa ser mais célere, sem recursos procrastinadores e sem “sem firulas, sem floreios, sem rapapés”. “De nada valem as edificações suntuosas e o sofisticado sistema de comunicação e de informação se naquilo que é essencial a Justiça falha. Falha porque é prestada tardiamente”, opinou. No mensalão, cuja relatoria vai acumular com a presidência do STF, Joaquim Barbosa pretende publicar o mais rápido possível o acórdão do julgamento e julgar rapidamente os recursos dos condenados.
“É preciso ter a honestidade intelectual para reconhecer que há um grande déficit de Justiça entre nós. Nem todos os brasileiros são tratados com igual consideração quando buscam o serviço público da Justiça. O que se vê aqui e acolá é o tratamento privilegiado e a preferência desprovida de qualquer fundamentação nacional”, criticou o magistrado.