07/11/2012

Rachada, oposição entrega pedido para que Lula seja alvo de nova investigação


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Parlamentares capitaneados pelo presidente nacional do PPS protocolam representação na Procuradoria-Geral sem a adesão oficial das direções nacionais do PSDB e DEM

DÉBORA BERGAMASCO - O Estado de S.Paulo
Os partidos de oposição aos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, tradicionalmente representados pelo PSDB, pelo DEM e pelo PPS, não se entenderam sobre a necessidade de investigar as revelações feitas no novo depoimento do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza prestado em setembro.
A representação com o pedido de apuração foi entregue ontem na Procuradoria-Geral da República sem o endosso das direções do PSDB e do DEM - o PPS é o menor dos partidos, dispõe apenas de nove deputados federais.
Três parlamentares tucanos, entre eles os senadores Aloysio Nunes Ferreira (SP) e Álvaro Dias (PR), acompanharam ontem o presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire, na apresentação do documento. Nas palavras de Freire, trata-se do "mensalão 2", dessa vez com Lula como personagem principal de uma "nova ação penal".
O opositor afirma que é preciso abrir um inquérito sobre a suposta participação do ex-presidente na compra de votos de parlamentares e também para averiguar a possibilidade de crime político no assassinato do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel, em 2002. No depoimento de novembro, Valério afirmou à Procuradoria que enviou dinheiro à cidade do Grande ABC a fim de subornar pessoas que ameaçavam, um ano depois da morte do prefeito, envolver o nome de Lula e o do atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, num suposto esquema de desvio de verbas públicas.
"Não damos às declarações de Marcos Valério ares de verdade. Apenas pedimos que sejam investigadas. Não podemos desqualificar uma denúncia só porque quem a faz é um bandido. Lembramos que tudo começou com (o ex-deputado) Roberto Jefferson", afirmou o deputado. "Quem deveria provocar essa investigação é Lula, e não nós."
O líder do PPS na Câmara, o deputado Rubens Bueno, também é signatário da representação.
Sem adesão. A executiva nacional do PSDB não aderiu oficialmente ao ato, optando por esperar o fim do julgamento da Ação Penal 470 para decidir se vai se engajar contra Lula. No entanto, também não proibiu ações isoladas de seus parlamentares, como Álvaro Dias, Aloysio e o deputado Mendes Thame (PSDB-SP), líder da minoria na Câmara. Todos assinaram o documento pedindo a nova investigação.
Inicialmente, a cúpula tucana chegou a apoiar a iniciativa do PPS de pedir a investigação de Lula, mas recuou para evitar o desgaste político de enfrentar um ex-presidente popular enquanto não há provas que o incriminem.
Os tucanos liberaram a manifestação individual dos líderes de suas bancadas, mas decidiram que o partido só tomará uma providência formal depois que Valério der à Procuradoria-Geral da República informações concretas sobre o suposto envolvimento de Lula no escândalo - o que só deve ocorrer após o julgamento em curso no STF.
O DEM também considera que é preciso ter certeza sobre os fatos antes de investir contra o ex-presidente e que esta representação só se tornará um inquérito por milagre. Qualquer atitude agora poderia ser vista como perseguição política ao líder petista.
O fato de o Ministério Público já ter descartado, no passado, investigações em torno de Lula parece não desanimar os signatários: "Estamos cumprindo o nosso papel e desta vez há fatos novos", considerou Freire. Segundo Álvaro Dias, não houve conversa preliminar com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, porém as expectativas "são as melhores possíveis".
A intenção dos signatários é que a representação vire inquérito, depois uma denúncia formal da Procuradoria-Geral da República e que, em seguida, vá para o STF, levando-se em conta a teoria do "domínio do fato", utilizada durante o julgamento do mensalão pelos ministros da Corte na hora de condenar o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.
Para Dias, caberia ainda ao procurador-geral decidir se fará uma subdivisão da denúncia, levando em consideração as informações de Valério dadas em setembro ao Ministério Público Federal.

04/11/2012

Professores apontam falhas em questões do Enem; Objetivo defende anulação de duas


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Dois testes de física são os mais problemáticos: o 49 e o 51 do caderno amarelo

Diego Cardoso, Luísa Melo, Tomás Petersen e Victor Vieira, Especial para o Estadão.edu
Professores de cursinhos ouvidos pelo Estadão.edu fizeram reparos a cinco questões das provas de Ciências Humanas e Ciências da Natureza do Enem, aplicadas neste sábado, 3. Dois testes de física são os mais problemáticos. Etapa e Oficina do Estudante contestam o item 49, da prova amarela; Etapa e Objetivo também criticam a questão 51 da mesma prova. Professores do Objetivo defendem o cancelamento de duas questões.
A questão 49 precisa ser revista, na opinião do diretor pedagógico da Oficina do Estudante, Célio Tasinafo. Segundo ele, se o candidato fizesse o cálculo pelo comprimento de onde chegaria a um resultado. Caso a conta fosse pela velocidade, a resposta seria diferente. A opinião é compartilhada pelo coordenador de física do Etapa, Alexandre Lopes Moreno. “Mas não prejudica o aluno porque os outros resultados possíveis não aparecem entre as alternativas”, explica. Para ele, questão não deve ser anulada porque era possível encontrar uma opção certa.
O Etapa questiona ainda o item 51, que envolvia a densidade de um legume. Segundo Moreno, a diferença é que na pesquisa da internet mencionada na questão a densidade do legume é metade da densidade da água. O mesmo enunciado, entretanto, diz que o legume fica um terço para fora da água quando submerso. “Isso pode causar dúvida, porém o mais provável é que o aluno chegue à resposta correta”, afirma o coordenador.
Para o Objetivo, a questão deveria ser cancelada. "Essa pergunta é totalmente furada", diz o professor Ricardo Helou Doca, de física. "O aluno que privilegiou a parte final do enunciado se deu mal."
Ainda na parte de Ciências da Natureza, o Cursinho da Poli diz que o teste 64, da prova amarela, pode provocar interpretações errôneas. O enunciado explica o que é a formação de um carbocátion e pede que o aluno identifique as estruturas químicas encontradas nos produtos e no carbocátion. É consenso entre os professores do cursinho que a resposta correta é a letra A. Porém, de acordo com o professor Adauto Pessoa, o gráfico que explica as reações tem um erro de conceito. “Não gostamos muito da elaboração da questão, mas o gráfico não compromete a avaliação, desde que o aluno não considere as questões energéticas, que estão equivocadas. Dá pra resolver”, diz Adauto.
Ciências Humanas
De acordo com os docentes da área de Humanas do Cursinho da Poli, uma das questões do Enem pode dar margem para discussão sobre qual seria a alternativa correta. Trata-se do item 36, da prova amarela. No enunciado, dois textos comparam a situação agrária da Europa no século 19 com a da América Latina no século 21. Foi solicitado aos estudantes que, a partir da interpretação dos dois textos, apontassem a alternativa que explicasse como as alterações tecnológicas interferem na vida das populações locais. A resposta considerada correta pelos professores do cursinho foi a da letra E, que afirmava que as inovações desorganizam o modo tradicional de vida, obrigando as populações a buscarem melhores condições no espaço urbano ou em outros países, em condições às vezes precárias. Porém, os docentes consideram que as alternativas A e C também podem ser vistas como consequência parcial das inovações. A letra A refere-se à ao êxodo rural e a letra C à ampliação do protagonismo do Estado. “As alternativas A e C são muito genéricas e podem se aplicar a uma consequência para essas inovações, mas a letra E é mais completa. É como se as outras duas estivessem ‘menos certas’, mas não estivessem erradas”, explica o professor de geografia Rui Calaresi.
Outra questão problemática é a de número 20, também na prova amarela, a respeito de história antiga. O aluno deveria analisar um mosaico e inferir qual característica política romana estava presente na figura. “Havia duas possibilidades de resposta correta”, comenta o professor Daily de Matos Oliveira, do Objetivo. “As respostas sobre imperialismo e diversidade dos territórios poderiam ser consideradas corretas. Isto pode ser questionado.”
Procurado, o Ministério da Educação (MEC) disse que não se manifestará sobre as reclamações dos cursinhos.

O que Valério contou ao MP, e o que ainda resta contar


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Reportagem de VEJA desta semana mostra que o operador financeiro do mensalão já começou a falar o que sabe ao Ministério Público. Ele tratou do caso Celso Daniel e avisou que há mais o que contar

NO INFERNO - O empresário Marcos Valério, na porta da escola do filho, em Belo Horizonte, na última quarta-feira: revelações sobre o escândalo
Valério contou ao MP detalhes envolvendo o assassinato de Celso Daniel (CRISTIANO MARIZ)
Em setembro, VEJA trouxe à tona alguns dos segredos guardados por Marcos Valério, operador financeiro do mensalão. Entre eles, a informação de que o ex-presidente Lula teve papel de protagonista no esquema. Pouco depois, o empresário informou o STF, por meio de um fax, que estava disposto a contar o que sabe. Ele também foi ouvido pelo Ministério Público. Reportagem da revista que chega às bancas nesta sexta-feira revela o que Valério disse ao MP, na tentativa de obter um acordo de delação premiada – um instrumento pelo qual o envolvido em um crime presta informações sobre ele, em troca de benefícios. À procuradoria o empresário informou, pela primeira vez, ter detalhes sobre outro caso escabroso envolvendo o PT: o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, em janeiro de 2002.
O relato do publicitário é de que Lula e seu braço-direito Gilberto Carvalho (atual secretário-geral da Presidência) estavam sendo extorquidos por figuras ligadas ao crime de Santo André – em especial, o empresário Ronan Maria Pinto, apontado pelo Ministério Público como integrante de um esquema de cobrança de propina na prefeitura. Procurado pelos petistas para dar aos achacadores o dinheiro que eles buscavam, Valério recusou: "Nisso aí, eu não me meto", disse ele em um encontro com Sílvio Pereira, então secretário-geral do PT, e Ronan. Quem relata é o próprio publicitário.
O operador do mensalão afirma que não aceitou entrar no jogo, mas sabe quem acertou as contas com Ronan: um amigo pessoal de Lula, utilizando-se de um banco não citado no esquema do mensalão.
Mais "bombas" – As declarações são apenas parte do arsenal de Valério. Como VEJA havia mostrado já em setembro, o publicitário, que diz temer por sua vida, cogita trazer à luz detalhes sobre o envolvimento de Lula no esquema do mensalão. Mais do que isso: diz ser capaz de desvendar o mistério sobre a origem do 1,7 milhão de reais apreendidos pela Polícia Federal no escândalo do dossiê dos aloprados, em 2006. E de dar detalhes comprometedores sobre a participação do ex-ministro Antonio Palocci na arrecadação de recursos para o caixa do PT.
Valério foi condenado a 40 anos de prisão. É provável que sua delação tardia não tenha grandes efeitos sobre a pena que terá de cumprir. Mas pode ajudar o país a resolver questões que ficaram sem resposta nos últimos anos.

Um cadáver volta a assombrar a República petista: o de Celso Daniel. Partido decide adiar seu manifesto contra o STF e a “mídia golpista”


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Sempre que está acuado, não importa o assunto – uma disputa eleitoral ou uma investigação policial –, o PT parte para o ataque. Infelizmente – para o país e para a ordem dos fatos –, costuma ser bem-sucedido. Vimos isso recentemente, na disputa eleitoral em São Paulo. Desde que Lula decidiu que o candidato seria mesmo Fernando Haddad, o partido iniciou uma intensa campanha acusando forças supostamente obscurantistas e a oposição de explorar a questão do kit gay. Quem quer que faça uma pesquisa vai constatar que os adversários do partido mal tocavam no assunto. Era só uma reação preventiva para conquistar, como conquistou, a imprensa. Tocar no tema passou a ser visto como coisa reacionária, conservadora, religiosa. Mais ainda: inverteu-se o ônus do tema. O tucano José Serra é que passou a ser literalmente perseguido por jornalistas para se posicionar a respeito, sendo acusado de explorar um tema que não diria respeito à cidade – o que, de resto, é falso porque há milhares de alunos da rede municipal de ensino.
Muito bem! Qual foi a consequência? O kit gay ficou longe da campanha. O tema não foi levado ao horário eleitoral gratuito ou aos debates na TV. A questão ficou circunscrita aos jornais, que atingem uma fatia mínima do eleitorado, e mal chegou às rádios. O PT conseguiu, assim, com o barulho que fez junto aos chamados “setores formadores de opinião”, blindar Fernando Haddad, preservando-o de sua própria obra. O ministro que autorizou a produção de um material – destinado a alunos a partir de 11 anos – que sustentava a superioridade da bissexualidade no cotejo com a heterossexualidade e que estimulava o debate sobre pessoas insatisfeitas com seu órgão genital não teve de responder por suas escolhas. O mais impressionante: Serra, que não tocou no assunto, foi acusado de estimular o preconceito. Um sedizente “cientista social” afirmou que sua campanha estaria contaminada pelo “ódio”. O PT, em suma, fez um movimento preventivo e se deu bem. Até alguns tucanos de alta plumagem, para não variar, falaram besteira a respeito, apontando o erro de uma suposta campanha contaminada pela religião.
O caso da CPI do CachoeiraEnquanto o ministro Ricardo Lewandowski permanecia sentado sobre a revisão do processo do mensalão – Lula havia prometido aos seus e a Marcos Valério que o julgamento jamais ocorreria; talvez “em 2050”, ele profetizou –, o próprio Apedeuta e José Dirceu urdiram pelas costas até da presidente Dilma a CPI do Cachoeira. Alguém buzinou informações erradas ao ouvido dos dois patriotas, sustentando que a Operação Monte Carlo tinha potencial para liquidar com a oposição, com a imprensa independente, com o procurador-geral da República e até com ministros do Supremo. No dizer de Rui Falcão, presidente do PT e pensador refinado, a bancada do PT na Câmara e no Senado defendia uma CPI “para apurar esse escândalo dos autores da farsa do mensalão”. Tudo parecia caminhar bem até que surgiram na mesa os nomes de Fernando Cavendish e Sérgio Cabral. Aí os petistas precisaram correr com o rabo enfiado entre as pernas. Afinal, ficou claro, Carlinhos Cachoeira era só um peixe pequeno de um escândalo gigantesco, que iria estourar no Palácio do Planalto. Mas, como resta evidente, houve, sim, a tentativa de usar a CPI para melar o julgamento. Parte da imprensa aderiu inicialmente à farsa.
Depois da condenação…Condenado Marcos Valério, o PT passou a viver o pânico da concessão do benefício da delação premiada ao empresário. Sabe que os 40 anos de cadeia não são coisa trivial e que seu antigo aliado está injuriado. Alguém na sua situação pode, sim, decidir se safar contando o que sabe. Então o PT resolveu correr de novo para a galera. Passou a acusar nada menos do que o próprio STF de se comportar como tribunal de exceção. De quebra, promete levar adiante a luta pela “regulamentação da mídia golpista” e discutir o financiamento público de campanha. O partido havia prometido um manifesto para quinta-feira, mas parece ter adiado em face das notícias que começaram a circular sobre o depoimento de Valério.
Agora ao pontoRecuperem o noticiário de janeiro de 2002, por ocasião do assassinato do prefeito Celso Daniel. Antes que qualquer pessoa aventasse publicamente a possibilidade de que o PT pudesse ter algum envolvimento com a morte, os petistas botaram a boca no trombone e saíram acusando a suposta tentativa de incriminar o partido, exigindo, em tom enérgico, que a polícia fizesse alguma coisa. Montou-se uma verdadeira operação de guerra para controlar o noticiário. No arquivo do blog, vocês encontram alguns textos a respeito. Celso foi o primeiro de uma impressionante fila de oito cadáveres relacionados ao caso. O prefeito morto era já o coordenador do programa de governo do então pré-candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva. O partido seria o primeiro a ter motivos para desconfiar de alguma motivação política para o sequestro e imediato assassinato. Deu-se, no entanto, o contrário: o partido praticamente exigia que a polícia declarasse que tudo não havia passado de crime comum.
O último morto, por causa desconhecida (!), foi o legista Carlos Delmonte Printes, que assegurou que Celso fora barbaramente torturado antes de ser assassinado. Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado do PT que acompanhou o caso em nome do partido e teve acesso ao cadáver, assegurou à família de Celso, no entanto, que não havia sinais de tortura. O fato é conhecido porque foi denunciado pela família do prefeito.
Gilberto Carvalho, braço direito de Celso na Prefeitura, movimentou-se freneticamente logo após a morte do “amigo” para que prevalecesse a versão do partido: crime comum. O esforço deixou um rastro de conversas gravadas que vieram a público. Tudo muito impressionante. Leiam, por exemplo, este diálogo em que Sérgio Sombra, acusado de ser ao assassino de Celso, entra em pânico e pede para falar com Carvalho. Alguém garante que está sendo montado “um esquema”. Sombra, no diálogo abaixo, é o “personagem A”.
A – Ô Dias!
B – Oi chefe!
A – Onde é que você está cara?
B – Tô na avenida (…). Eu tô saindo, to indo praí.
A – (…) Fala prá ligá nesse instante (…) Pará de fazer o que está fazendo.
B – Peraí, Peraí, Perai. Ei! Oi! Escuta o (…) Já está aí onde está todo mundo (…) Alô!
A – Ô meu irmão!
B – Cara cê está no sétimo? 
A – Ô meu! O cara da Rede TV está me escrachando, meu chapa! Tá falando que… Tá falando que é tudo mentira, que o carro tá pegando, que não destrava a porta, que sou o principal suspeito.
B – Ô cara! Deixa eu te falar. O que hoje tá pegando contra você é esse negócio do carro. Nós temos que fazer é armar um esquema aí: “porque as empresas de (…) junto com a Mitsubishi, por razões óbvias de mercado, se juntaram para dizer que você está mentindo, que o câmbio está funcionando”…Entendeu? Então é o seguinte…
A – Peraí. Perai, péra um pouquinho.
B – (…) Pô! Pegá o que Porra?
A – Chama o Gilberto aí! Chama o Gilberto! Tem que armar alguma coisa!
B – Calma!
A- Eu tô calmo. Quero é que as coisas sejam resolvidas.
Outro diálogo: “Puta! Tá dez!”Há outro diálogo bastante interessante. Alguém liga para Ivone, tornada pelo partido a “viúva oficial” de Celso — consta que era sua “namorada” à época… E lhe dá nota dez por sua performance como “viúva” numa entrevista. Vocês entenderam direito. Leiam. Ivone é a personagem B.
A – Oi!
B – Oi meu amor. O Xande quer falar com você. Tá bom?
A – Ok.
B – Tchau.
C – Como vai minha querida?
A – Vou assim. Arrastando.
C – Ótima a sua entrevista! Viu?
A – Você gostou Xande?
C – Eu gostei muito mesmo.
A – É importante a sua opinião pra mim porque estou totalmente sem referência. Né?
C – Eu achei muita boa. Entendeu. Tá super. Tem coisas… tá perfeito!
(…)
B – Hoje tem uma coisa. Programa pra ir na Hebe.
A – É. Porque vai a mulher… a viúva do Toninho.
B – Sabe que o Genoino quer. E é uma merda né. Uma merda.
A – Olha. Se você falar o que falou ai está 10. Puta! Tá 10, não parece estrela, a dor de uma viúva. Tá dez!
Como se nota, a morte do “companheiro” havia se transformado apenas numa questão de marketing e de guerra para ganhar a “mídia”. Com direito a nota pela performance da, sei lá como chamar, “atriz” talvez.
RetomoJá lhes contei aqui. Mesmo a ala petista da família Daniel rompeu com o PT. Um dos irmãos, Bruno, teve de se exilar na França com mulher e filhos. Estavam sendo ameaçados de morte no Brasil. Outro irmão relatou que Celso havia lhe contando que Carvalho era o portador de malas de dinheiro de um propinoduto de Santo André para o então presidente do PT, José Dirceu. Os dois negam.
Vale a pena, reitero, por curiosidade quase científica, voltar ao noticiário daqueles dias para constatar a frenética movimentação preventiva do partido, certo de que poderia conduzir para onde quisesse a opinião pública. Passada uma semana, quem estava na defensiva era a polícia paulista… Agora, Marcos Valério denuncia ao Ministério Público que o PT tentou fazê-lo participar de uma esquema para silenciar. com dinheiro, pessoas que estariam chantageando Lula e Carvalho, podendo implicá-los no assassinato de Celso. Valério diz que não participou, mas dá a entender que tem mais detalhes da operação, que teria sido realizada. Diz que sabe até que banco foi usado na operação.
Vamos ver. Uma coisa é certa: o cadáver de Celso Daniel volta a se agitar no armário. E o PT decidiu adiar o seu manifesto contra o STF e a “mídia golpista”.
*
PS – Reitero: a vida de Marcos Valério vale mais a cada dia. E, por isso mesmo, também vale menos… Se o STF não tomar as devidas precauções, o óbvio acontece. Porque o óbvio sempre acontece.
Por Reinaldo Azevedo