12/03/2012

Personalidades do futebol falam sobre a saída de Ricardo Teixeira


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Dirigente anunciou sua saída da CBF após 23 anos comandando o esporte no País


SÃO PAULO - Ricardo Teixeira, por meio de uma carta lida nesta segunda-feira, anúnciou sua renúncia da presidência da CBF, passando o cargo a seu vice-presidente mais velho, José Maria Marin, de 79 anos. O fim da gestão Teixeira à frente da entidade e da Copa de 2014 gerou repercussão no País. Não era sem motivo. Ele comandou o futebol brasileiro durante 23 anos. Saudosistas ou aliviados, alguns técnicos, dirigentes e jogadores se pronunciaram sobre a saída do cartola e deram sua opinião sobre a decisão e também em relação ao novo presidente empossado. Confira o que eles falaram: 
Dunga (ex-técnico da Seleção Brasileira e capitão do tetra em 1994)"Eu não gostaria de falar muito a respeito. Não estava acompanhando porque viajei muito nos últimos dias. Agora é esperar para ver o que vai acontecer. O fato é que não me lembro, nos quatro anos em que fiquei na seleção, de já ter falado com o novo presidente José Maria Marín."
Juvenal Juvêncio (presidente do São Paulo)"O Dr. Marin é um advogado ilustre, com uma trajetória importante no futebol. Inclusive, com experiência dentro do campo. Temos plena confiança de que ele vai trazer um novo momento para o futebol brasileiro. Desejamos a ele toda sorte e apoio neste momento."
Emerson Leão (técnico do São Paulo e ex-comandante da Seleção)"Não tenho nada a falar sobre ele (Ricardo Teixeira). O que tinha já disse há muitos anos e hoje não falo mais. Sobre o Marin, eu o conheço pessoalmente há mais de 40 anos. Desejo a felicidade e o êxito de que a CBF precisa. Ele vai fazer o seu melhor para organizar a Copa do Mundo de 2014." 
Carlos Alberto Parreira (técnico do tetra)"Ricardo Teixeira é um amigo. Nós nos conhecemos há muitos anos e ele me levou para a CBF. Fomos juntos campeões do mundo. O trabalho fica marcado pelos fatos positivos, vitórias, e também algumas coisas conturbadas contra ele. Havia muita pressão e prevaleceu o lado humano do Ricardo. É um homem pai de família, marido, avô e que agora está com um problema de saúde. É preciso se cuidar. As pressões eram enormes e ele resolveu dar fim a isso tudo, descansar e cuidar da vida pessoal. Cada dirigente tem a sua filosofia, preferências, e é necessário dar continuidade. Não se pode interromper o processo. O bom senso é dar continuidade."
Cafu (capitão da seleção do penta)"Tive um bom relacionamento com o Ricardo Teixeira e respeito a decisão de ele renunciar. Não sei quais foram os motivos que o levaram a isso, mas se for pelos problemas de saúde somente, espero uma plena e boa recuperação a ele. Ele viveu o futebol e sabe tudo sobre Copas. É imprescindível que colabore na organização do mundial aqui no Brasil."
Bebeto (membro do Comitê Organizador Local)Me pegou de surpresa! Acho que foi um problema pessoal dele, mas não podemos esquecer o trabalho que fez na seleção. Teixeira foi o homem que trouxe a Copa para o Brasil."
Casagrande (ex-jogador e comentarista)"Sou contra mandatos longos. Não sou contra o Ricardo Teixeira, mas acho que vai ser um bem para o futebol brasileiro (sua saída). Se ele fez o bem para o futebol brasileiro e construiu coisas boas durante o mandato, houve coisas ruins também. Estava na hora de sair, até para dar uma revigorada. Era necessário respirar novos ares."
Romário (deputado federal)"Hoje podemos comemorar. Exterminamos um câncer do futebol brasileiro. Finalmente, Ricardo Teixeira renunciou à presidência da CBF. Espero que o novo presidente, José Maria Marin, que furtou a medalha do jogador do Corinthians na Copa São Paulo de Juniores, não faça daquele ato uma constante na Confederação Brasileira de Futevol. Senão, teremos de exterminar a AIDS também. Desejo boa sorte ao novo presidente e espero que a partir de hoje (acho difícil e quase impossível) a CBF dê uma nova cara para o nosso futebol. Estou também muito feliz em saber que participei deste momento de vitória e de mudança no futebol brasileiro. Não só acredito, mas também espero, que uma limpeza geral seja feita na CBF. Só então, definitivamente, poderemos ficar tranquilos de que a mudança acontecerá em todos os sentidos."
João Paulo de Jesus Lopes (vice-presidente de futebol do São Paulo)"A renúncia de Ricardo Teixeira já estava sendo desenhada há semanas e foi motivada por diversas dificuldade com o governo, com a Fifa... Considero a entrada de Marín positiva. Ele é uma pessoa hábil e tem ótimas relações com os clubes e com o governo, o que vai colaborar em algumas questões estruturais do nosso futebol, que estão faltando ser exploradas. Uma delas é o calendário do futebol. A saída de Teixeira também deve facilitar a relação do Brasil com a Fifa, na preparação para a Copa do Mundo no Brasil." 

Após 23 anos, Teixeira renuncia à presidência da CBF


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José Maria Marín assume cargo na CBF e também no Comitê da Copa 2014

Tiago Rogero e Sílvio Barsetti - Agência Estado
Por meio de uma carta lida nesta segunda-feira pelo seu sucessor, José Maria Marín,Ricardo Teixeira anunciou oficialmente a sua renúncia da presidência da CBF. O dirigente já havia se licenciado do cargo na semana passada, por motivos de saúde, mas agora decretou a sua saída definitiva do cargo que assumiu em 1989. O dirigente também confirmou a sua demissão do cargo de presidente do Comitê Organizador Local (COL) daCopa do Mundo de 2014, posto que também será assumido por Marín.
Teixeira, de 64 anos, que estava licenciado da CBF, decreta saída definitiva da entidade - Divulgação
Divulgação
Teixeira, de 64 anos, que estava licenciado da CBF, decreta saída definitiva da entidade
Inicialmente, Marín assumiria o cargo apenas de forma interina, mas Teixeira resolveu deixar a presidência com a justificativa de que precisa cuidar da sua saúde e ficar com a sua família. O fato é, porém, que o dirigente está saindo da CBF pela porta dos fundos depois ter o seu nome envolvido em diversas denuncias de corrupção.
Manifestações públicas de torcedores pela saída de Teixeira do cargo se tornaram frequentes a partir do ano passado e agora, por meio de um texto bem amargurado, ele resolveu se afastar da entidade que comanda o futebol brasileiro. A sua gestão foi marcada pela conquista de dois títulos mundiais, em 1994 e 2002, e pelo vice-campeonato de 1998, na França, mas o presidente sempre esteve longe de ser uma unanimidade no cargo.
"Eu, hoje, deixo definitivamente a presidência da CBF... Futebol em nosso país é associado a duas imagens: talento e desorganização. Quando ganhamos, exaltam o talento. Quando perdemos, a desorganização. Fiz o que estava ao meu alcance. Renunciei à saúde. Fui criticado nas derrotas e subvalorizado nas vitórias", afirmou Marín, lendo a carta de Teixeira.
Ex-governador de São Paulo, Marín, de 79 anos, assume o cargo de presidente da CBF agora de forma definitiva pelo fato de o estatuto da CBF prever que o vice-presidente mais velho seja o substituto imediato de Teixeira. O ex-mandatário da entidade poderia ter escolhido qualquer um dos cinco vices, mas optou pelo dirigente paulista.