01/03/2012

Deputados do PMDB cobram mais espaço no governo Dilma


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Em manifesto, 45 parlamentares reclamam de 'relação desigual e injusta' da administração com o partido e da falta de espaço nas decisões do Planalto


Cristiane Samarco, da Agência Estado
BRASÍLIA - Insatisfeitos na relação com o governo Dilma Rousseff e ameaçados de perder para o PT o status de partido com maior número de prefeitos, 45 deputados do PMDB assinaram um manifesto protestando contra a hegemonia petista. No texto de 25 linhas que será entregue oficialmente na segunda-feira. 5, ao vice-presidente da República, Michel Temer, e ao presidente nacional do partido, senador Valdir Raupp (RO), os deputados reclamam "da relação desigual e injusta" do governo com o PMDB se comparado com o tratamento que o PT recebe do Palácio do Planalto.
"Nas propostas e nas decisões maiores (do governo), o PMDB não tem participado e é visível o esforço do governo para fortalecer o Partido dos Trabalhadores", afirma a nota. Embora só a metade da bancada tenha assinado o manifesto, os demais parlamentares deverão aderir ao texto até segunda-feira. Também vão receber o manifesto os líderes na Câmara, Henrique Alves (RN), e no Senado, Renan Calheiros. Mas o sinal de que não se trata de um movimento da base parlamentar contra a cúpula partidária, vem da lista de signatários. O deputado Renan Filho e Francisco Escórcio , respectivamente ligados ao líder Renan e ao presidente do Senado, José Sarney, não teriam aderido à revelia de ambos.
"Nós estamos vivendo numa encruzilhada, onde o PT se prepara com ampla estrutura governamental para tirar do PMDB o protagonismo municipalista e assumir seu lugar como o maior partido com base municipal no País", afirma o documento, resumindo a preocupação do conjunto do PMDB e o nervosismo do partido diante da proximidade das eleições municipais de outubro.
Entre os signatários estão os deputados Danilo Fortes (CE), Lúcio Vieira Lima (BA), Osmar Terra (RS) e Nilda Gondim, que é mãe do senador Vital do Rego Filho (PMDB-PB). É nesse clima de tensão na relação com o PT e com o governo que o manifesto propõe um encontro nacional das bases do partido em Brasília, no dia 25 de abril, quando vereadores, prefeitos e presidentes de diretórios do PMDB em todo o País deverão questionar a aliança.

Após carta, governo ordena que Forças Armadas punam militares


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LUCAS FERRAZ
DE BRASÍLIA

O governo determinou aos comandantes das Forças Armadas que os militares da reserva que assinaram nota com ataques à presidente Dilma Rousseff e ao ministro da Defesa, Celso Amorim, sejam punidos com advertência por ato de insubordinação.

Em texto divulgado na terça-feira (28), os oficiais reafirmaram ataques feitos por clubes militares a Dilma e disseram não reconhecer a autoridade de Amorim.


Sebastião Moreira - 30. ago.2011/Efe
O ministro da Defesa, Celso Amorim, fala em seminário
O ministro da Defesa, Celso Amorim, fala em seminário

Os chefes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica receberam do ministro ordem para "dar uma reprimenda" nos mais de 150 signatários da nota.

Cada Força tem seu regulamento, mas, em geral, a punição vai de advertência à expulsão --o que o governo não considera ser o caso.

Mesmo fora da ativa, os militares estão sujeitos à hierarquia das Forças, das quais Dilma e Amorim são os chefes máximos.

Ontem, mais oficiais da reserva aderiram à 
nota. Ela reafirma o teor de outra, do dia 16, na qual os clubes militares fizeram críticas a Dilma.

Segundo o texto da primeira nota, ela se afasta do papel de estadista ao não "expressar desacordo" a declarações de ministras e do PT favoráveis à investigação de fatos ocorridos na ditadura.

Após intervenção do Planalto e de Amorim, os clubes tiveram de retirar a primeira nota da internet.

Oposição 'encena' cerimônia da privatização dos aeroportos


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Ato reuniu 30 deputados e senadores e fez referência às concessões dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e da capital do País à iniciativa privada

Leonêncio Nossa, da Agência Estado
BRASÍLIA - Cerca de 30 deputados e senadores da oposição encenaram no fim da manhã desta quinta-feira, 1º, no Aeroporto Internacional de Brasília, a cerimônia de descerramento de placa marcando a celebração da "primeira grande privatização do PT", em referência às concessões dos aeroportos de Guarulhos e Viracopos, em São Paulo e de Brasília à iniciativa privada.
Senadores e deputados levam a placa para o aeroporto de Brasília - Dida Sampaio/AE
Dida Sampaio/AE
Senadores e deputados levam a placa para o aeroporto de Brasília
"1º de março de 2012, celebração da primeira grande privatização do governo do PT. Presidente da República Dilma Rousseff. Valor da privatização 4,5 bilhões", registrava a placa em papelão preto com letras douradas, que pregada em uma coluna do aeroporto, no saguão do aeroporto.
O senador José Agripino (DEM-RN) um dis participantes da manifestação, disse que a presidente e o PT condenaram na campanha presidencial o modelo de privatização e agora estão vendendo as "joias da coroa". "O nome privatização foi usado como se fosse uma ignomínia. Agora eles reconhecem que é um caminho de saída, mas estão trilhando esse caminho de forma errada, pois estão colocando em concorrência apenas os aeroportos viáveis", disse.
O deputado ACM Neto (DEM-BA) disse que a presidente Dilma Rousseff fez campanha contra a privatização e agora numa "contradição" está chamando a iniciativa privada para participar da melhoria da infraestrutura do País. "A presidente se rendeu aos fatos e chamou a iniciativa privada. Isso evidencia que o PT do passado é um e o PT do presente é outro".
ACM também criticou o fato de o governo abrir concessão apenas para aeroportos das grandes cidades. "Os aeroportos privatizados têm um elevado interesse. Mas o problema ocorre no Brasil inteiro. Há muitos gargalos para serem resolvidos", disse. ACM Neto informou que o DEM, o PSDB e outros partidos da oposição vão realizar uma série de eventos de caráter "simbólico" nos próximos meses, para mostrar obras que estão paradas e eram promessa de campanha de Dilma. Eles pretendem mostrar, por exemplo, problemas na área de saúde. "Queremos chamar a atenção do País para as promessas que não foram cumpridas", disse.
Após o registro da manifestação a placa foi retirada por um funcionário do aeroporto e os parlamentares embarcaram para seus respectivos estados.

Não sei colocar minhoca em anzol, diz novo ministro da Pesca


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Senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) vai assumir pasta no lugar do petista Luiz Sérgio e admite que terá de fazer 'intensivão' dos assuntos da área

do estadão.com.br
O novo ministro da Pesca, Marcelo Crivella, afirmou nesta quinta-feira, 1º de março, que terá de fazer um "intensivão" sobre os assuntos ligados à pasta que vai comandar a partir desta sexta-feira, 2. "Vou dizer uma coisa com muita humildade: não sei colocar uma minhoca no anzol", disse em entrevista à rádio Estadão ESPN nesta manhã.
Marcelo Crivella durante primeira entrevista após indicação para ministério - Andre Dusek/AE - 29.02.2012
Andre Dusek/AE - 29.02.2012
Marcelo Crivella durante primeira entrevista após indicação para ministério
Engenheiro civil por formação e bispo da Igreja Universal, o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) foi anunciado para o cargo pela presidente Dilma Rousseff como forma de aproximar o PRB do governo federal. A cerimônia de posse será nesta sexta. O atual ministro, o petista Luiz Sérgio, reassumirá seu mandato na Câmara. "Estou indo para aprender, mas com espírito público", afirmou Crivella.
Em ano eleitoral, a indicação de Dilma foi entendida como uma tentativa do PT de blindar o candidato petista à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, de debates religiosos durante a campanha. Nessa quarta-feira, 29, em sua primeira entrevista após ser confirmado no cargo, Marcelo Crivella negou ter sido escolhido para aproximar os evangélicos do governo ou para assegurar o apoio do pré-candidato de seu partido à prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno, a Haddad. "Sou indicado do PRB e não da bancada evangélica", alegou.
Aos 54 anos e até então em seu segundo mandato no Senado, Crivella é sobrinho do bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, e do bispo Romildo Ribeiro Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus. No governo Dilma, o senador tem sido um dos mais fiéis aliados no Senado.

Heraldo, a cor e a alma


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Leiam um artigo impecável de Demétrio Magnoli no Estadão de hoje.
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A retratação, obtida por meio dos tribunais, circula na imprensa e na internet. Nela o blogueiro Paulo Henrique Amorim retira cada uma das infâmias que assacou contra o jornalista Heraldo Pereira, apresentador do Jornal Nacional e comentarista político do Jornal da Globo. No seu blog, entre outras injúrias, Amorim classificou Heraldo como “negro de alma branca” e escreveu que o jornalista “não conseguiu revelar nenhum atributo para fazer tanto sucesso, além de ser negro e de origem humilde”.

Confrontar o poder, dizendo verdades inconvenientes às autoridades - na síntese precisa do intelectual britânico Tony Judt, é essa a responsabilidade dos indivíduos com acesso aos meios de comunicação. Amorim sempre fez o avesso exato disso. A adulação, reservada às autoridades, e a injúria, dirigida aos oposicionistas, são suas ferramentas de trabalho. Não lhe falta coerência: ao longo das oscilações da maré da política, do governo João Figueiredo ao governo Dilma Rousseff, sem exceção, ele invariavelmente derrama elogios aos ocupantes do Palácio do Planalto e ataca os que estão fora do poder. Às vésperas da disputa presidencial de 1998, no comando do jornal da TV Bandeirantes, engajou-se numa estridente campanha de calúnias contra Lula, que retrucou com um processo judicial e obteve desculpas da emissora. Há nove anos, desde que Lula recebeu a faixa de Fernando Henrique Cardoso, o blogueiro consagra seu tempo a cantar-lhe as glórias, a ofender opositores e a clamar contra o jornalismo independente. Funciona: a estatal Correios ajuda a financiar o blog infame.
Amorim não tem importância, a não ser como sintoma de uma época, mas a natureza de sua injúria racial tem. “Negro de alma branca”, uma expressão antiga, funciona como marca de ferro em brasa na testa do “traidor da raça”. No passado serviu para traçar um círculo de desonra em torno dos negros que ofereceram seus préstimos interessados ao proprietário de escravos ou ao representante dos regimes de segregação racial. Hoje, no contexto das doutrinas racialistas, adquiriu novos significados e finalidades, que se esgueiram em ruelas sombrias, atrás da avenida iluminada da resistência contra a opressão. Brincando com a Justiça, Amorim republica no seu blog um artigo do ativista de movimentos negros Marcos Rezende que, na prática, repete a injúria dirigida contra Heraldo. Custa pouco girar os holofotes e escancarar o cenário que a infâmia almeja conservar oculto.
O líder africânder Daniel Malan, vitorioso nas eleições de 1948, instituiu o apartheid na África do Sul. Amorim e Rezende certamente não o classificariam como “branco de alma negra”, pois uma “alma negra” não seria capaz de fazer o mal e, mais obviamente, porque Malan não traiu a sua “raça”. Sob a lógica pervertida do pensamento racial, eles o designariam como “branco de alma branca”, embutindo numa única expressão sentimentos contraditórios de ódio e admiração. Como fez o mal, o africânder confirmaria que a cor de sua alma é branca. Entretanto, como promoveu os interesses de sua própria “raça”, ele figuraria na esfera dos homens respeitáveis. William Du Bois (1868-1963), “pai fundador” do movimento negro americano, congratulou Adolf Hitler, um “branco de alma branca”, pela promoção do “orgulho racial” dos arianos.
Confiando numa suposta imunidade propiciada pela cor da pele ou pelo seu cargo de conselheiro do Ministério da Justiça, Rezende converteu-se na voz substituta de Amorim. No artigo inquisitorial de retomada da campanha injuriosa, ele não condena Heraldo por algo que tenha feito, mas por um dever que não teria cumprido: o jornalista é qualificado como “um negro da Casa Grande da Rede Globo”, que “não dignifica a sua ancestralidade e origem” pois “nunca fez um comentário quando a emissora se posiciona contra as cotas”. No fim, os dois linchadores associados estão dizendo que Heraldo carrega um fardo intelectual derivado da cor de sua pele. Ele estaria obrigado, sob o tacão da injúria, a subscrever a opinião política de Rezende, que é a (atual) opinião de Amorim.
O epíteto lançado contra Heraldo é uma ferramenta destinada a policiar o pensamento, ajustando-o ao dogma da raça e eliminando simbolicamente os indivíduos “desviantes”. O economista Thomas Sowell produziu uma obra devastadora sobre as políticas contemporâneas de raça. Ward Connerly, então reitor da Universidade da Califórnia, deflagrou em 1993 uma campanha contra as preferências raciais nas universidades americanas. José Carlos Miranda, do Movimento Negro Socialista, assinou uma carta pública contra os projetos de leis de cotas raciais no Brasil. Sowell é um conservador; Connerly, um libertário; Miranda, um marxista - mas todos rejeitam a ideia de inscrever a raça na lei. Como tantos outros intelectuais e ativistas, eles já foram tachados de “negros de alma branca” pela Santa Inquisição dos novos arautos da raça.
A liberdade humana é a verdadeira vítima dos inquisidores do racialismo. Mas, e aí se encontra o dado crucial, essa forma de negação da liberdade opera sob o critério discriminatório da raça, não segundo a regra do universalismo. Se tivesse a pele branca, Heraldo conservaria o direito de se pronunciar a favor ou contra as políticas de preferências raciais - e também o de não opinar sobre o tema. Como, entretanto, tem a pele negra, Heraldo é detentor de uma gama muito menor de direitos - efetivamente, entre as três opções, só está autorizado a abraçar uma delas.
Sob o ponto de vista do racialismo, as pessoas da “raça branca” são indivíduos livres para pensar, falar e divergir, mas as pessoas da “raça negra” dispõem apenas da curiosa liberdade de se inclinar, obedientemente, diante de seus “líderes raciais”, os guardiões da “ancestralidade e origem”. Hoje, como nos tempos da segregação oficial americana ou do apartheid sul-africano, o dogma da raça prejudica principalmente os negros.
Por Reinaldo Azevedo

28/02/2012

Associação de juízes desafia Calmon a revelar nomes de 'vagabundos'


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O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, desembargador Henrique Nelson Calandra, disse que a entidade 'não aceita' o termo empregado pela corregedora do CNJ

Fausto Macedo, de O Estado de S.Paulo
O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), desembargador Henrique Nelson Calandra, desafiou a ministra Eliana Calmon, corregedora nacional da Justiça, a revelar quem são os "vagabundos" da toga.
Calandra representa o núcleo mais duro e conservador do Judiciário. Ele disse que a AMB "não aceita essa pecha (vagabundo) para nenhum magistrado".
Em sessão da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, realizada nesta terça feira, 28, para discussão da proposta de emenda constitucional que amplia os poderes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Eliana Calmon defendeu punição aos "vagabundos" da magistratura.
Ela não citou nomes, limitou-se a falar em "meia dúzia de vagabundos que estão infiltrados na magistratura". Calmon é autora da célebre frase sobre "bandidos escondidos atrás da toga", que abriu crise sem precedentes no Judiciário.
"Se for só meia dúzia ela (ministra Eliana Calmon) que diga o nome deles e os exclua da carreira, ela que proponha ao CNJ a exclusão (dos juízes vagabundos)", reagiu o presidente da AMB. Calandra é o símbolo da resistência ao poder de investigação do CNJ e da corregedora Eliana Calmon.
A AMB foi ao Supremo Tribunal Federal para questionar o alcance das atribuições do CNJ, mas perdeu a demanda na corte máxima. As novas declarações da corregedora nacional provocou desconforto e irritação entre magistrados.

27/02/2012

WikiLeaks: compra de aviões seria 'aposentadoria' de Lula


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Funcionários do governo americano dizem a analista da Stratfor que aquisição de equipamentos militares pelo Brasil só poderia ter a ver com propina, revela e-mail

O caça Rafale, fabricado pela francesa Dassault, estava sendo sondado pelo Brasil
O caça Rafale, fabricado pela francesa Dassault, estava sendo sondado pelo Brasil (Tony Barson/Getty Images)
Um dos milhões de e-mails divulgados nesta segunda-feira pelo site WikiLeaks da empresa de inteligência e análise estratégica Stratfor diz respeito à compra de equipamentos militares pelo Brasil durante o governo Lula. Um funcionário do governo americano alocado no Brasil conversa sobre o negócio com um Stratfor chamado Marko Papic.
Um dos milhões de e-mails divulgados nesta segunda-feira pelo site WikiLeaks da empresa de inteligência e análise estratégica Stratfor diz respeito à compra de equipamentos militares pelo Brasil durante o governo Lula. Um funcionário do governo americano alocado no Brasil conversa sobre o negócio com um Stratfor chamado Marko Papic.
Embora afirme não ter provas, ele é devastador no seu parecer: "A compra de submarinos é tão sem sentido que só pode ter a ver com propina. Lula provavelmente está cuidando do seu plano de aposentadoria. E veja só: a compra acontece 'curiosamente' no fim de seu mandato. O mesmo vale para os jatos. Nosso Departamento do Tesouro é vingativo quando se depara com subornos. Não podemos fazer nenhum negócio real num lugar corrupto como o Brasil. Os franceses não têm esses problemas".
Marko Papic ainda acrescenta um comentário: "Não é que eu discorde, mas acredito que a França também tornou a propina ilegal".

O servidor americano finaliza: “Desculpe-me não ter mais informações no que diz respeito à estratégia brasileira. A nossa avaliação é de que isso é puramente suborno. A única diferença é que agora o Brasil tem dinheiro, muito dinheiro, e pode de fato fazer adquirir os equipamentos. Quero dizer, seria mera coincidência eles comprarem tanto equipamento militar da França? Os franceses sabem como realizar subornos”.
Vazamento - A mensagem faz parte de Os Arquivos de Inteligência Global, com mais de 5 milhões de e-mails da companhia Stratfor, no Texas, EUA, divulgados nesta segunda-feira pelo WikiLeaks. Os e-mails datam de julho de 2004 a dezembro de 2011. Entre os clientes da Stratfor estão o Departamento de Segurança Pública dos Estados Unidos, a Marinha americana e grandes empresas.

Por que o capitalismo sempre foi o verdadeiro socialismo. Agora a prova aritmética


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Vocês sabem que a tirania chinesa é o grande farol do petismo. Os companheiros são fascinados por aquele misto de estatismo, ditadura, elite pistoleira e, ora veja, crescimento econômico.  Se há um lugar onde o capitalismo exibe a sua face realmente selvagem — sem, vamos dizer, os requintes civilizatórios dos direitos sociais —, esse lugar é a China. Fez-se uma sociedade de mercado para uns 400 milhões de pessoas, mantém-se uns 900 milhões debaixo de chicote, e a vida continua.
- Os petistas são obcecados pela “ditadura que funciona”.
- Alguns plutocratas nativos são obcecados pela “parceria” lá existente entre estado e iniciativa privada. Chamam  ”parceria” a mais pura pistolagem.
- Alguns que se querem “pragmáticos” são obcecados pelo, como chamarei?, “produtivismo”.
Como todo mundo sabe, a China só pode fazer o dumping clássico e exportar ao mundo a preço de banana porque faz um outro dumping, o de vidas humanas. Até alguns que se querem da minha turma, liberais, acham aquilo lindo! Lixo! Não são da minha turma. O liberalismo que não supõe o exercício das liberdades individuais e de organização é só a pistolagem dos mais fortes. Assim como o comunismo original era a pistolagem dos mais fracos. É claro que não poderia dar em nada.
Por que isso tudo? No Radar Econômico do Estadão Online, Sílvio Guedes Crespo traz uma informação espetacular, veiculada pela agência Bloomberg. Leiam trechos:
Um levantamento da agência Bloomberg a partir de dados da Hurun Report, instituição que mede riqueza na China, mostrou que a elite política do país asiático tem um patrimônio dezenas de vezes superior ao das autoridades americanas. Em reportagem intitulada “Congresso bilionário chinês faz seus pares americanos parecerem pobres”, a Bloomberg informa que os 70 delegados mais ricos do Congresso Popular da China (que tem no total 3 mil membros) possuem, juntos, uma fortuna de US$ 89,8 bilhões. Enquanto isso, nos Estados Unidos, os 535 membros do Congresso, o presidente, os secretários (equivalente a ministros) e os nove membros da Suprema Corte - 660 pessoas no total - detêm, juntos, um patrimônio de US$ 7,5 bilhões.
A Bloomberg acredita que isso seja uma amostra de como o crescimento econômico chinês tem ocorrido de forma desequilibrada. É muito provável que seja verdade, mas, para não deixar dúvida, a agência poderia ter mostrado a evolução desses números ao longo do tempo. “É extraordinário ver esse grau de casamento entre riqueza e política”, disse à Bloomberg um analista do Brookings Institution, em Washington.
Na China, vários bilionários têm cargo público. Por exemplo, Zong Qinghou, segundo homem mais rico do país de acordo com a lista mais recente da Hurun Report, é um delegado do Congresso. Zhang Yin, a mulher mais rica da China, é membro da Conferência Consultiva Política Popular da China. Segundo a Bloomberg, o ex-presidente chinês Jiang Zemin promoveu a inclusão de empresários privados no Partido Comunista.
Essa diferença entre o patrimônio das autoridades americanas e o das chinesas ocorre porque na China parte considerável da elite econômica é ligada diretamente ao governo ou ao partido. Já nos EUA, as autoridades e os legisladores não são necessariamente bilionários.
(…)
EncerroA democracia liberal é o único regime que permitiu, até hoje, a efetiva participação do homem comum no processo político: não precisa ser um plutocrata nem um membro do “partido”. Tudo aquilo que os comunas sempre pregaram é garantido, ora vejam, pelo capitalismo — desde que exercido sob a tutela democrática. Verdade insofismável: existe capitalismo sem democracia, mas não há democracia sem capitalismo. Se livres, é claro que a tendência dos homens será em favor da redistribuição da riqueza. O verdadeiro “socialismo”, pois, é a democracia capitalista. Sob ditaduras, o que se terá sempre será a concentração da riqueza.
O PT só não consegue ser “chinês” porque é incompetente. No mais, aquele modelo os inspira. O partido também ama o estado, a ditadura e vive de braços dados com espertalhões subsidiados, convertidos em grandes esteios da economia nacional.
Não se esqueçam jamais, meus queridos: o verdadeiro confronto de posições hoje em dia se dá entre “a direita” (como eles chamam) que trabalha para arrecadar impostos e “a esquerda” que vive pendurada nas tetas do estado, com seus plutocratas agregados.
Voltando ao centro: aquela desproporção entre a concentração de riqueza dos políticos chineses e dos homens de Estado nos EUA é ainda mais eloqüente se nos lembrarmos que os EUA têm um PIB de US$ 15 trilhões para uma população de 300 milhões de habitantes, e a China, de US$ 7 trilhões para a uma população de 1,3 bilhão! Os EUA, nação mais rica do planeta, tem o 15º PIB per capita do mundo (US$ 48.147); a China, o 90º (US$ 5.184). Só para vocês terem uma idéia, o PIB per capita de Banânia (US$ 11,177) é mais do que o dobro do chinês, o que nos coloca em 71º no ranking.
De novo: o modelo chinês, tão admirado pelos “companheiros”, consegue ter o 90º PIB per capta do mundo e concentrar nas mãos de 70 políticos a estratosférica quantia de US$ 89,8 bilhões. Em 15º lugar, toda a elite política americana tem apenas o correspondente a 1/12 desse total.
Ah, sim: o comunismo, o tal “regime da igualdade” tão apreciado pela petezada, é o chinês, tá, pessoal? Do modelo americano, os companheiros não gostam. Acham que ele é muito concentrador de renda…
Essa é uma das razões por que esses homens justos me encantam tanto. É por isso os JEGs (Jornalistas da Esgotosfera Governista) os defendem tanto!
Por Reinaldo Azevedo