21/01/2012

Cuba: morte incômoda precede a visita de Dilma


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A União Patriótica de Cuba, ONG sediada em Havana, anunciou: morreu nesta sexta (20) o dissidente Wilman Villar Mendoza, de 31 anos. Sucumbiu após submeter-se a uma greve de fome de 56 dias. Na prisão.
Willian Mendoza fora recolhido ao cárcere em novembro. Acusaram-no de desrespeito à autoridade, crimes contra o Estado e resistência à prisão. Era membro de um sindicato que se opõe à ditadura dos irmãos Castro.
A morte ocorre dez dias antes da chegada de Dilma Rousseff. A presidente brasileiraembarca para Cuba no dia 31 de janeiro. Repete-se com ela algo semelhante ao que sucedera com Lula, em fevereiro de 2010.
Em sua última visita a Cuba, Lula, mais azarado do que Dilma, desembarcara em Havana no dia da morte do dissidente Orlando Zapata Tamoyo, que ficara sem comer por 85 dias. Instado a comentar a encrenca, Lula saiu-se com o seguinte comentário:
“Lamento profundamente que uma pessoa se deixe morrer por uma greve de fome. Eu, depois da minha experiência de greve de fome, pelo amor de Deus, ninguém que queira fazer protesto peça para eu fazer greve de fome que eu não farei mais.”
O repórter Elio Gaspari recordou à época: “Em 1980, quando penou 31 dias de cadeia que ajudaram-no a embolsar pelo Bolsa Ditadura um capital capaz de gerar mais de R$ 1 milhão, Lula fez quatro dias de greve de fome. Apanhado escondendo guloseimas, reclamou: ‘Como esse cara é xiita! O que é que tem guardarmos duas balinhas, companheiro?’.”
Depois de lamentar que gente como Zapata “se deixe morrer” na Cuba dos companheiros Castro, Lula acrescentou ao inaceitável uma pitada de escárnio. De volta ao Brasil, comparou os dissidentes cubanos que recorrem à autoprivação alimentar como instrumento de resistência aos bandidos comuns das cadeias brasileiras.
O acinte foi repudiado aqui e alhures. Em sua passagem por Cuba, Dilma decerto será instada por repórteres e entidades de defesa dos direitos humanos a dizer meia dúzia de palavras sobre a morte de Willian Mendoza. Dispõe de uma dezena de dias para planejar uma manifestação que mereça respeito.

Pressão dos juízes ressuscita auxílio para alimentação: conta é de R$ 82 mi


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Resolução de junho de 2011 atendeu ao pleito de associações de magistrados e retomou o auxílio-alimentação, que havia sido cortado pela cúpula do Judiciário há sete anos

Felipe Recondo, de O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA - O Tesouro vai gastar R$ 82 milhões de uma só vez com auxílio-alimentação para juízes federais e do Trabalho. O valor é referente a um longo período, desde 2004, quando a toga perdeu o benefício que nunca deixou de ser concedido a procuradores do Ministério Público Federal e à advocacia pública.
Como a Anamatra, Gabriel Wedy, da Ajufe, também defende benefício que ‘só os juízes não recebiam' - Ajufe-23/2/2011
Ajufe-23/2/2011
Como a Anamatra, Gabriel Wedy, da Ajufe, também defende benefício que ‘só os juízes não recebiam'
Ainda não há previsão orçamentária para o desembolso, mas os juízes pressionam pelo recebimento do que consideram direito constitucional. Eles repudiam que o "plus" seja privilégio. Estão na fila cerca de 1,8 mil juízes federais e 2,5 mil do trabalho.
O auxílio foi cortado há sete anos por decisão da cúpula do próprio Judiciário federal. Mas, em junho de 2011, acolhendo pleito das entidades de classe dos magistrados, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) editou a Resolução 133, por meio da qual devolveu o bônus à classe.
Subscrita pelo presidente do CNJ, ministro Cezar Peluso, também presidente do Supremo Tribunal Federal, a resolução anota que "a concessão de vantagens às carreiras assemelhadas induz a patente discriminação, contraria ao preceito constitucional e ocasiona desequilíbrio entre as carreiras de Estado". Peluso, porém, votou contra o benefício no CNJ. Subscreve a resolução por presidir o órgão.
Desde a decisão do CNJ, o auxílio-alimentação voltou para o bolso dos juízes. São R$ 710 agregados ao contracheque da toga, mensalmente. A conta final, calculada sobre sete anos acumulados, mais correções do período, chega a R$ 82 milhões, segundo estimativa do Judiciário.
O estoque da dívida é alvo de intensa polêmica nos tribunais. A maioria dos magistrados considera justo serem contemplados com o valor total do crédito, retroativo a 2004; outros avaliam sobre a obediência ao prazo prescricional de cinco anos.
A Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) ingressou com ação judicial requerendo o pagamento inclusive dos atrasados. Decisão de primeiro grau acata o pedido, assegurando à classe verba relativa aos últimos cinco anos.

20/01/2012

Fernando Haddad, o mistificador, cancela uma das jornadas do Enem e evidencia uma mentira


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É estupendo!
Foi Fernando Haddad, ele próprio, quem assinou uma portaria determinando a realização de duas jornadas do Enem neste ano. A primeira estava prevista para abril. Ocorre que, como já está claro, o governo não conseguiu se organizar para realizar nem a jornada única. Devemos a Haddad, este gigante da educação, a consideração de que é impossível até mesmo garantir o sigilo da prova.
Depois que vieram a público o baguncismo e a falta de critérios dos avaliadores — 129 estudantes já tiveram a sua pontuação alterada —, o Ministério Público recorreu à Justiça para que todos os estudantes tenham acesso à correção.
Muito bem! Antes mesmo que essa possibilidade existisse, o MEC discutia possibilidade de cancelar a segunda jornada do Enem. Tanto é assim que o ministério, ficou claro hoje, já estava consultando diversas entidades, inclusive privadas, envolvidas com a feitura dos exames. E elas foram unânimes no diagnóstico: a portaria assinada por Haddad não poderia ser cumprida porque o MEC não está preparado para fazer o exame duas vezes por ano.
Para que Aloizio Mercadante não fosse obrigado a “revogar” (ooopppsss!!!) a portaria, Haddad se encarregou de fazê-lo. Só haverá Enem em novembro. Logo, é mentirosa a história de que só tomou essa decisão por causa da possibilidade de a Justiça determinar que todos os estudantes tenham acesso à correção das redações.
HADDAD TENTOU TRANSFERIR OS FRUTOS DE SUA INCOMPETÊNCIA PARA OMBROS ALHEIOS.
Mas, vocês sabem, o homem que escreveu um livro sobre as virtudes do socialismo soviético pouco antes do sistema desabar é mesmo incorrigível. Ele, como sempre, preferiu fugir dos esclarecimentos e botou a assessoria para explicar a decisão. Mas explicar o quê? Restou uma saída, vamos dizer, literária. O pedido do Ministério Público teria criado um “ambiente de tumulto” que estaria dificultando a realização do segundo exame.
Confrontar Haddad com suas responsabilidades não é uma tarefa nem fácil nem difícil. É só uma tarefa inútil.
Por Reinaldo Azevedo

Ex-assessor de Palocci será novo porta-voz de Dilma


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O jornalista Thomas Traumann assumirá o cargo no lugar do diplomata Rodrigo Baena Soares

Vera Rosa, de O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA - O assessor especial da Presidência da República, Thomas Traumann, será o novo porta-voz da presidente Dilma Rousseff. Ele assumirá o cargo no lugar do diplomata Rodrigo Baena Soares, que atualmente acumula a função com a assessoria internacional da Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência, responsável pela análise da imagem do Brasil no exterior. A partir de agora, Baena Soares ficará apenas com a parte internacional.
Palocci deixou o governo Dilma em junho do ano passado, em meio a denúncias sobre seu patrimônio - Wilson Pedrosa/AE - 08/06/2011
Wilson Pedrosa/AE - 08/06/2011
Palocci deixou o governo Dilma em junho do ano passado, em meio a denúncias sobre seu patrimônio
Jornalista, ex-assessor de Antonio Palocci - ministro da Casa Civil que caiu em junho do ano passado -, Traumann inaugura a primeira mudança na Secom desde a posse de Dilma, em janeiro de 2011. Ele integrará a comitiva presidencial para Cuba e Haiti, no próximo dia 31.

Sarney, Dirceu e Jaqueline são agraciados com algemas de ouro, prata e bronze no 'Baile do Pega Ladrão!'


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Proposta dos organizadores é manter a mobilização contra a corrupção e a impunidade mesmo neste período de festas e férias

estadão.com.br
O Troféu Algemas de Ouro de 2011 "consagrou" o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu (PT), e a deputada Jaqueline Roriz (PMN). Os foliões que compareceram ao tradicional Clube dos Democráticos, na Lapa, para participar do 'Baile do Pega Ladrão!', realizado na madrugada desta sexta-feira, 20, no Rio, foi a entrega do  vaiaram entusiasticamente os vencedores da votação realizada no Facebook, que teve sete mil eleitores.  
Os políticos premiados no 'Baile Pega Ladrão!' - Divulgação
Divulgação
Os políticos premiados no 'Baile Pega Ladrão!'
Foram entregues as algemas de ouro, prata e bronze, respectivamente, a Sarney, que teve 59,5% dos votos, a Dirceu, com 18,8%, e à deputada Jaqueline Roriz, com 8,4%, filmada recebendo dinheiro de propina e que foi absolvida pela Câmara dos Deputados no ano passado.
O baile foi animado pelo conjunto vocal Anjos da Lua, de Eduardo Gallotti, que apresentou repertório inspirado na corrupção e na impunidade napolítica brasileira, como 'Se gritar pega ladão!', de Bezerra da Silva; 'Pecado Capital', de Paulinho da Viola; 'Lama', de Mauro Duarte; 'Homenagemao malandro', de Chico Buarque; 'Saco de feijão', de Francisco Santana; e 'Onde está a honestidade?', de Noel Rosa.
O 'Baile do Pega Ladrão!' e o 'Troféu Algemas de Ouro', foram organizados pelo Movimento 31 de Julho, que tem realizado atos contra acorrupção nos últimos meses. As iniciativas contaram com apoio de diversos movimentos do Rio e de outras cidades do País.
A proposta dos organizadores é manter a mobilização contra a corrupção e a impunidade mesmo neste período de festas e férias. O Movimento 31 de Julho planeja realizar um show na Zona Sul do Rio, depois do Carnaval, com a participação de artistas que apóiam a causa do combate à corrupção e à impunidade.
A agenda política dos grupos contra a corrupção inclui a realização de atos pela aplicação da Lei da Ficha Limpa nas eleições municipais desteano, pela agilização do julgamento do Mensalão pelo STF, em solidariedade à ministra Eliana Calmon (CNJ) e em apoio à liberdade de imprensa.

19/01/2012

Talvane é condenado a 103 anos de prisão


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TIAGO DÉCIMO - Agência Estado
O ex-deputado alagoano Talvane Albuquerque Neto foi condenado, na manhã de hoje, a 103 anos e quatro meses de prisão como mandante do assassinato da deputada Ceci Cunha e de três de seus familiares - o marido, Juvenal Cunha da Silva, a sogra, Ítala Neyde Maranhão Pureza e o cunhado, Iran Carlos Maranhão Pureza. O crime, cometido em 16 de dezembro de 1998, ficou conhecido como Chacina da Gruta.
Os quatro assessores e seguranças de Talvane acusados de serem os executores da chacina - Alécio César Alves Vasco, Jadielson Barbosa da Silva, José Alexandre dos Santos e Mendonça Medeiros da Silva - também foram condenados pelo crime. Somadas, as penas chegam a 476 anos.
O júri, formado por sete homens, acolheu a tese da acusação, de que Talvane, suplente de Ceci na Câmara dos Deputados, planejou o crime para herdar o cargo. A deputada, que havia sido eleita pelo PSDB, foi morta logo após sua diplomação como parlamentar, durante uma comemoração em família na casa de sua sogra. Para o júri, as outras vítimas foram executadas para que não houvesse testemunhas do crime.
O ex-deputado e seus assessores foram considerados culpados por homicídio duplamente qualificado - por motivo torpe e sem possibilidade de defesa para a vítima -, no caso de Ceci, e triplamente qualificado (além dos anteriores, assegurar a impossibilidade de reconhecimento) nos demais.
Jadielson e José Alexandre receberam as maiores penas, 105 anos de prisão cada, por terem atirado nas vítimas. Alécio, condenado a 87 anos e três meses, e Mendonça, sentenciado a 75 anos e sete meses, receberam penas menores porque os jurados entenderam que eles tiveram participação "de menor importância" no crime.
O juiz federal André Luís Maia Tobias Granja, que presidiu o julgamento, também determinou que os condenados pagassem R$ 100 mil por danos materiais e 500 salários mínimos por danos morais aos descendentes de cada uma das vítimas.

18/01/2012

Presidente da associação de juízes visita Coaf e volta a criticar CNJ


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Nelson Calandra, da Associação dos Magistrados Brasileiros, disse que a corregedora Eliana Calmon pediu informações sobre 216,8 mil pessoas e chamou dados de 'cruzamento burro'

Eduardo Bresciani, do estadão.com.br
BRASÍLIA - O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Nelson Calandra, visitou na quarta-feira, 18, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e criticou novamente as investigações conduzidas pela corregedoria-nacional de Justiça. O presidente do Coaf, Antonio Gustavo Rodrigues, chamou de "cruzamento burro" o material encaminhado à corregedora Eliana Calmon por não ter profundidade na análise de possíveis irregularidades. Ressaltou, porém, que já houve pedido de investigação contra pessoas abrangidas no relatório.
A ação de Calandra é na tentativa de mostrar suposto abuso da corregedoria. Ele destacou que foi pedido ao Coaf informações sobre 216,8 mil pessoas. Ressaltou-se que só foi encontrada alguma movimentação atípica de 369 delas nos últimos dez anos. "É preciso afastar essa ideia de que é preciso investigar toda a magistratura, que isso está permeado de pessoas desonestas", disse o presidente da AMB. "Não queremos proibir o conselho de investigar coisa nenhuma, queremos que país funcione de acordo com constituição", completou.
O presidente do Coaf destacou que mesmo no caso das pessoas com movimentação atípica não é possível afirmar a existência de irregularidade. Rodrigues destacou que o relatório enviado ao CNJ é "genérico". "É um cruzamento burro no sentido que ele pega os CPFs e vê o que tem na base de dados. A única conclusão que se pode tirar é que existem comunicações de movimentações atípicas."
Rodrigues observou que o Coaf recebe milhares de comunicações por dia e que é feito posteriormente uma análise para verificar o que merece uma investigação da Polícia Federal e do Ministério Público. São nestes relatórios de inteligência financeira que constam a identificação das pessoas. Apesar de alguns dos requeridos pelo CNJ terem sido alvo deste tipo de relatório mais contundente esse material não chegou às mãos da corregedora.
Segundo a AMB, isso só foi barrado devido a uma decisão liminar do ministro Ricardo Lewandovski. Na medida suspensa pelo ministro a corregedora Eliana Calmon solicitava ao Coaf justamente uma análise pormenorizada sobre os integrantes do Judiciário e seus familiares que tiveram movimentação atípica. Na visão da AMB, essa análise seria justamente os relatórios de inteligência enviados à Polícia Federal e ao Ministério Público. O presidente do Coaf destacou que essa demanda não chegou ao órgão.

Juíza não sabe quem movimentou R$ 282,9 mi em 2002


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Por Fábio Grellet
Rio de Janeiro - A desembargadora Maria de Lourdes Sallaberry, presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-RJ), disse hoje (18) não saber quem é o servidor que, segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), movimentou R$ 282,9 milhões em 2002. Ela acusou o presidente da Seccional Rio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), Wadih Damous, de fazer afirmações "levianas e açodadas" ao dizer "tratar-se de dinheiro público", insinuar "haver no Tribunal 'mais um lalau', referindo-se ao ex-juiz Nicolau dos Santos Neto, do TRT de São Paulo", e ao cogitar "a possibilidade de haver correlação (da movimentação financeira) com o trágico incêndio ocorrido em 2002 na sede do TRT-RJ".
Segundo a desembargadora, que chegou a ficar com voz embargada e se esforçou para não chorar durante encontro com jornalistas, "as suspeitas lançadas pelo presidente da OAB-RJ atingiram quase 6.000 honrados e dedicados servidores e magistrados, ativos e inativos", do Tribunal. O Coaf divulgou ontem que um servidor do TRT-RJ movimentou R$ 282,9 milhões em 2002. Não se sabe a origem desse dinheiro. Antes de se tornar servidor da Justiça do Trabalho, ele teria sido um ex-doleiro e sócio de uma casa de câmbio. O homem chegou a ser preso durante uma operação realizada pela Polícia Federal.
Maria de Lourdes afirma que não cabe a ela, mas sim ao Ministério Público Federal, perguntar ao Coaf o nome do servidor. Por isso, ela encaminhou hoje ofício ao Coaf em que pergunta se, quando identificou a movimentação atípica, o órgão informou ao TRT-RJ. Maria de Lourdes também enviou ofício ao Ministério Público Federal pedindo que, caso ainda não esteja investigando o caso, comece a fazer isso imediatamente. "Não tenho conhecimento de nenhum funcionário do TRT-RJ que tenha sido preso desde 2002, nem o Tribunal foi comunicado sobre qualquer movimentação atípica (de dinheiro por seus funcionários)", afirmou Maria de Lourdes, que não pretende tomar qualquer medida judicial contra Damous.
O presidente da OAB-RJ afirmou que não fez acusações genéricas, mas cobrou o fim do sigilo de informações que podem envolver dinheiro público. "Pode ser que não haja nenhuma irregularidade na movimentação do dinheiro por esse funcionário, mas é preciso vir a público e esclarecer", afirmou. "A presidente do TRT está em um momento infeliz, mas agir com falta de respeito e criar uma relação tensa com a OAB não ajuda em nada", disse. A OAB-RJ também emitiu dois ofícios hoje: ao Coaf pediu o nome e outras informações sobre o servidor; ao Ministério Público Federal, solicitou a investigação do caso. "O TRT tomou providências semelhantes, mas só depois que a OAB-RJ apresentou suas medidas", disse Damous.

Ratos mortos são encontrados na Secretaria-Geral do Senado


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Na sexta foi realizada uma desratização e dedetização em parte da Casa.
Há uma semana, servidora foi mordida no pé por animal não identificado.

Iara LemosDo G1, em Brasília
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Funcionário prepara material para fazer dedetização em dependência do Senado (Foto: Iara Lemos / G1)Funcionário prepara material para fazer dedetização
em dependência do Senado (Foto: Iara Lemos / G1)
Dois ratos mortos foram encontrados na manhã desta quarta-feira (18) por uma equipe de limpeza na Secretaria-Geral do Senado, segundo informou a assessoria de imprensa da Casa. Na última sexta-feira (13), parte dos servidores foi dispensada do trabalho para que fosse feita uma desratização e dedetização em parte das dependências.
As providências foram tomadas depois que uma funcionária da própria Secretaria foimordida no pé, na quarta passada, por um animal que não foi identificado, segundo a secretária-geral da Mesa Diretora, Claudia Lyra.
A assessoria disse que a expectativa é que mais roedores sejam encontrados mortos nos próximos dias, uma vez que a ação do veneno utilizado na desratização tem efeito de até 10 dias.
Nesta segunda, uma equipe da Gerência de Controle de Zoonoses do Distrito Federal fez uma vistoria nas dependências do Senado. Segundo a assessoria, a vistoria, que já estava prevista para ocorrer no decorrer de 2012, acabou sendo antecipada em virtude do fato envolvendo a funcionária. Em 2011, os técnicos da zoonoses fizeram duas vistorias no Senado.

Competência de Aloizio Mercadante assombra o mundo!!!


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Ah, sim! Este blog havia cometido uma falha e deixado de registrar mais um sucesso formidável na carreira de Aloizio Mercadante, que está pronto para levar sua estupenda competência para o Ministério da Educação. Faça-se justiça a Lula num particular: em oito anos de governo, jamais deu um ministério ao homem. Acabou convencendo Dilma a fazê-lo… Leiam texto da Folha:
Brasil é acusado de atrasar construção de megatelescópio
A construção do maior e mais avançado telescópio espacial do mundo, em solo chileno, está atrasada por causa do Brasil.  A afirmação é de Tim de Zeeuw, diretor-geral do ESO (Observatório Europeu do Sul), o conjunto de instrumentos de observação em solo que mais produz publicações científicas no planeta.
“Fizemos várias tentativas de falar com o ministro da Ciência e Tecnologia [Aloizio Mercadante], mas nunca obtivemos qualquer resposta. Só silêncio”, disse de Zeeuw em um encontro com jornalistas brasileiros no Chile. Em dezembro de 2010, o Brasil assinou um compromisso de adesão ao ESO. O país seria o 15º membro do observatório, o único não europeu.
Para formalizar o acordo, porém, o texto precisa passar pelo Congresso e pelo Ministério das Relações Exteriores. O responsável por enviar esse material para a votação é o titular da pasta de Ciência e de Tecnologia, mas isso não aconteceu. Ao tornar-se membro do ESO, o Brasil tem amplo acesso às avançadas instalações do grupo. A contrapartida é o pagamento de uma anuidade.
Os cientistas brasileiros, porém, já receberam o direito de usar o observatório, como se o país fosse membro pleno. A bandeira do Brasil figura no site e em todo o material oficial do ESO.  Pelas negociações iniciais, o acordo deveria ter sido enviado para o Congresso até dezembro do ano passado. As contribuições financeiras deveriam ter começado em 2012.
A indefinição já começa a ameaçar os projetos que dependem da participação brasileira, sobretudo a construção do E-ELT (European Extremaly Large Telescope), um gigante de 40 metros no deserto do Atacama, no Chile. “Sem a definição do Brasil, o ESO não tem como começar os contratos de construção. Essa demora é algo que me surpreende muito, especialmente com as condições que foram oferecidas ao país”, disse de Zeew. Essa não é a primeira vez que o país atrasa seus compromissos na área espacial.
O Brasil prometeu à Nasa e a outras agências, em 1997, que daria US$ 100 milhões para a construção da ISS (Estação Espacial Internacional), além de fabricar peças. O país nunca entregou os componentes e pagou só US$ 10 milhões do prometido. Acabou afastado do projeto. O diretor do ESO afirma que, se até o meio do ano a questão não for resolvida, o país pode ser substituído por Rússia, Israel ou Austrália, que têm interesse no projeto.
Por Reinaldo Azevedo

17/01/2012

Celso Daniel: dez anos e oito cadáveres depois. Ou: Bruno Daniel, Gilberto Carvalho e José Dirceu


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Nesta quarta, o seqüestro do então prefeito de Santo André, Celso Daniel, completa dez anos. Dois dias depois, seu corpo foi encontrado numa estrada de terra em Juquitiba. Desde aquele dia, tem-se uma fila imensa de cadáveres e poucas respostas. A tese do Ministério Público é a de que Celso foi vítima de um crime de encomenda, desdobramento de um esquema instalado na própria Prefeitura, coordenado por ele, destinado a desviar recursos para o PT. Membro do grupo, Sérgio Sombra, amigo pessoal do prefeito, é acusado de ser o mandante.
Até agora, o único condenado é Marcos Roberto Bispo dos Santos, o Marquinhos. O julgamento aconteceu no Fórum de Itapecerica da Serra. Adriano Marreiro dos Santos, seu advogado, diz que  seu cliente confessou sob tortura. O Ministério Público reuniu evidências de que ele dirigiu um dos carros que abalroou a picape em que Celso estava, encomendou o roubo de outro veículo que participou da operação e conduziu a vitima da favela Pantanal, em Diadema, para Juquitiba, onde foi assassinada.
Bruno Daniel, um dos irmãos de Celso, afirma que, no dia da Missa de Sétimo Dia, Gilberto Carvalho, hoje secretário-geral da Presidência do governo Dilma, confessou que levava dinheiro do esquema montado na Prefeitura para a direção do PT. Carvalho lhe teria dito que chegou a entregar R$ 1,2 milhão ao então presidente do partido, José Dirceu. Carvalho e Dirceu negam. Bruno e sua família são os únicos brasileiros na França que gozam do estatuto oficial de “exilados”. Tiveram de deixar o país, ameaçados de morte. Francisco, o outro irmão, também teve de se mandar. Eles não aceitam a tese de que o irmão foi vítima de crime comum.
O ressentimento de Bruno - ele e a mulher eram militantes do PT - com o partido é grande. Ele acusa os petistas de terem feito pressão para que a morte fosse considerada crime comum. Outro alvo seu é o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, então deputado federal pelo partido. Greenhalgh acompanhou a necropsia do corpo e assegurou à família que Celso não tinha sido torturado, o que foi desmentido pelo legista Carlos Delmonte Printes em relato feito à família. A tortura é um indício de que os algozes do prefeito queriam algo mais do que seqüestrá-lo para obter um resgate, o que nunca foi pedido. Por que Greenhalgh afirmou uma coisa, e o legista, outra? Difícil saber: no dia 12 de outubro de 2005, Printes foi encontrado morto em seu escritório. A perícia descartou morte natural e não encontrou sinais de violência. A hipótese de envenenamento não se confirmou. Não se sabe até agora o motivo.
Todos os mortos
A lista de mortos ligados ao caso impressiona. Além do próprio Celso, há mais sete. Uma é o garçom Antônio Palácio de Oliveira, que serviu o prefeito e Sérgio Sombra no restaurante Rubaiyat em 18 de janeiro de 2002, noite do seqüestro. Foi assassinado em fevereiro de 2003. Trazia consigo documentos falsos, com um novo nome. Membros da família disseram que ele havia recebido R$ 60 mil, de fonte desconhecida, em sua conta bancária. O garçom ganhava R$ 400 por mês. De acordo com seus colegas de trabalho, na noite do seqüestro do prefeito, ele teria ouvido uma conversa sobre qual teria sido orientado a silenciar.
Quando foi convocado a depor, disse à Polícia que tanto Celso quanto Sombra pareciam tranqüilos e que não tinha ouvido nada de estranho. O garçom chegou a ser assunto de um telefonema gravado pela Polícia Federal entre Sombra e o então vereador de Santo André Klinger Luiz de Oliveira Souza (PT), oito dias depois de o corpo de Celso ter sido encontrado. “Você se lembra se o garçom que te serviu lá no dia do jantar é o que sempre te servia ou era um cara diferente?”, indagou Klinger. “Era o cara de costume”, respondeu Sombra.
Vinte dias depois da morte de Oliveira, Paulo Henrique Brito, a única testemunha desse assassinato, foi morto no mesmo lugar com um tiro nas costas. Em dezembro de 2003, o agente funerário Iran Moraes Rédua foi assassinado com dois tiros quando estava trabalhando. Rédua foi a primeira pessoa que reconheceu o corpo de Daniel na estrada e chamou a polícia.
Dionízio Severo, detento apontado pelo Ministério Público como o elo entre Sérgio Sombra, acusado de ser o mandante do crime, e a quadrilha que matou o prefeito, foi assassinado na cadeia, na frente de seu advogado. Abriu a fila. Sua morte se deu três meses depois da de Celso e dois dias depois de ter dito que teria informações sobre o episódio. Ele havia sido resgatado do presídio dois dias antes do seqüestro. Foi recapturado. O homem que o abrigou no período em que a operação teria sido organizada, Sérgio Orelha, também foi assassinado. Outro preso, Airton Feitosa, disse que Severo lhe relatou ter conhecimento do esquema para matar Celso e que um “amigo” (de Celso) seria o responsável por atrair o prefeito para uma armadilha.
O investigador do Denarc Otávio Mercier, que ligou para Severo na véspera do seqüestro, morreu em troca de tiros com homens que tinham invadido seu apartamento. O último cadáver foi o do legista Carlos Delmonte Printes. Perdeu a conta? Então anote aí:
1) Celso Daniel
 : prefeito. Assassinado em janeiro de 2002.
2) Antonio Palacio de Oliveira
 : garçom. Assassinado em fevereiro de 2003
3) Paulo Henrique Brito
 : testemunha da morte do garçom. Assassinado em março de 2003
4) Iran Moraes Rédia:
 reconheceu o corpo de Daniel. Assassinado - dezembro de 2003
5) Dionizio Severo:
 suposto elo entre quadrilha e Sombra. Assassinado - abril de 2002
6) Sérgio Orelha:
 Amigo de Severo. Assassinado em 2002
7) Otávio Mercier:
 investigador que ligou para Severo. Morto em julho de 2003.
8 ) Carlos Delmonte Printes:
 legista encontrado morto em 12 de outubro de 2005.
PS : Evitem acusações nos comentários, ainda que a vontade seja grande, ok?
Por Reinaldo Azevedo