07/01/2012

Mais um gol de Romário


Share/Bookmark

O tetracampeão de futebol contraria todos os prognósticos e se torna um craque também no Congresso, respeitado por adversários e reconhecido como um dos parlamentares mais influentes do País

Claudio Dantas Sequeira
chamada.jpg
OLHO VIVO
Romário em sessão no plenário: fiscal das obras da Copa
Quando o ex-atacante Romário foi eleito deputado federal pelo PSB, com quase 150 mil votos, muita gente duvidou que ele con­seguiria repetir no Con­gresso o sucesso alcançado nos gramados. Alguns escorregões no início do mandato reforçaram essa impressão. Primeiro, a nomeação de belas loiras como assessoras parlamentares, sem nenhuma experiência na área. Depois, um flagra numa praia carioca em dia de sessão legislativa. As bolas foras serviram de alerta para o baixinho. Depois de um ano em Brasília, a conclusão é inevitável: Romário conseguiu virar o jogo e se mostrou um craque também no plenário. Assíduo em sessões plenárias e em comissões, o parlamentar vestiu a camisa em defesa dos portadores de necessidades especiais – ele mesmo tem uma filha com síndrome de Down – e assumiu o papel de fiscal das obras da Copa de 2014, abrindo uma guerra pública com o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira. Em entrevista exclusiva à ISTOÉ, Romário diz que tinha vontade de concorrer à Prefeitura do Rio em outubro próximo, mas o PSB já firmou aliança para apoiar um candidato do PMDB. Seguir o partido, aliás, não tem sido difícil para o tetracampeão. “Política, assim como o futebol, é jogo de equipe”, afirma. 

Ganhar projeção em meio a um universo de 513 deputados não é nada fácil, especialmente para quem está no primeiro mandato. Não se trata simplesmente de atrair a atenção da mídia, o que é natural no caso de Romário, mas ser reconhecido entre os colegas, até mesmo por adversários de legenda. Pouco antes do recesso parlamentar, em meados de dezembro, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), mesmo sendo de oposição, elogiou a atuação de Romário. “Ele foi um dos maiores atletas do planeta e está se mostrando também um deputado federal de alto nível”, afirmou Demóstenes Torres. Recentemente, a consultoria Arko Advice incluiu o tetracampeão na Elite Parlamentar de 2011, um ran­king feito desde 1998, em que são eleitos os 105 congressistas mais influentes no ano. “O Romário sempre foi um cara muito inteligente, não é um abestado”, diz o cientista político Murilo de Aragão, presidente da Arko Advice. “Podia ser juvenil em matéria de política, mas acabou se destacando, especialmente no debate sobre a Copa do Mundo.”
img.jpg
"Falei para o Ronaldo tomar cuidado. No futebol, se a gente erra
um gol, o torcedor perdoa. Na política, se fizer besteira, já era"
Em novembro, Romário foi o destaque da audiência pública da Comissão Especial da Lei Geral da Copa, que contou com a participação do secretário-geral da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Jérôme Valcke, e do presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Partiram dele todas as perguntas relevantes sobre as denúncias que rondam a CBF, os gastos públicos na Copa e as tentativas da Fifa de interferir nas leis brasileiras. Sem obter resposta a seus questionamentos, Romário chamou a audiência de circo. Foi seguido por outros parlamentares e a reunião teve de ser encerrada às pressas para evitar que políticos e comandantes do esporte se digladiassem. Em dezembro, a temperatura baixou após uma reunião de Romário com Teixeira e Ronaldo Fenômeno, nomeado para o conselho de administração do Comitê Organizador Local da Copa (COL-2014). “O Ronaldo não emprestaria sua imagem para uma furada”, afirma Romário. Também em dezembro, Romário marcou um golaço ao obter do comitê a garantia de que haverá uma cota de 38 mil ingressos gratuitos para a Copa a portadores de necessidades especiais. “Um dos motivos que me levaram a entrar na política foi a minha filhinha Ivy, que tem síndrome de Down”, diz o ex-jogador. “Vou lutar para melhorar a vida dessas pessoas. Essa é minha maior bandeira.” 
img1.jpg
img2.jpg

Share/Bookmark

O tetracampeão de futebol contraria todos os prognósticos e se torna um craque também no Congresso, respeitado por adversários e reconhecido como um dos parlamentares mais influentes do País

Claudio Dantas Sequeira
chamada.jpg
OLHO VIVO
Romário em sessão no plenário: fiscal das obras da Copa
Quando o ex-atacante Romário foi eleito deputado federal pelo PSB, com quase 150 mil votos, muita gente duvidou que ele con­seguiria repetir no Con­gresso o sucesso alcançado nos gramados. Alguns escorregões no início do mandato reforçaram essa impressão. Primeiro, a nomeação de belas loiras como assessoras parlamentares, sem nenhuma experiência na área. Depois, um flagra numa praia carioca em dia de sessão legislativa. As bolas foras serviram de alerta para o baixinho. Depois de um ano em Brasília, a conclusão é inevitável: Romário conseguiu virar o jogo e se mostrou um craque também no plenário. Assíduo em sessões plenárias e em comissões, o parlamentar vestiu a camisa em defesa dos portadores de necessidades especiais – ele mesmo tem uma filha com síndrome de Down – e assumiu o papel de fiscal das obras da Copa de 2014, abrindo uma guerra pública com o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira. Em entrevista exclusiva à ISTOÉ, Romário diz que tinha vontade de concorrer à Prefeitura do Rio em outubro próximo, mas o PSB já firmou aliança para apoiar um candidato do PMDB. Seguir o partido, aliás, não tem sido difícil para o tetracampeão. “Política, assim como o futebol, é jogo de equipe”, afirma. 

Ganhar projeção em meio a um universo de 513 deputados não é nada fácil, especialmente para quem está no primeiro mandato. Não se trata simplesmente de atrair a atenção da mídia, o que é natural no caso de Romário, mas ser reconhecido entre os colegas, até mesmo por adversários de legenda. Pouco antes do recesso parlamentar, em meados de dezembro, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), mesmo sendo de oposição, elogiou a atuação de Romário. “Ele foi um dos maiores atletas do planeta e está se mostrando também um deputado federal de alto nível”, afirmou Demóstenes Torres. Recentemente, a consultoria Arko Advice incluiu o tetracampeão na Elite Parlamentar de 2011, um ran­king feito desde 1998, em que são eleitos os 105 congressistas mais influentes no ano. “O Romário sempre foi um cara muito inteligente, não é um abestado”, diz o cientista político Murilo de Aragão, presidente da Arko Advice. “Podia ser juvenil em matéria de política, mas acabou se destacando, especialmente no debate sobre a Copa do Mundo.”
img.jpg
"Falei para o Ronaldo tomar cuidado. No futebol, se a gente erra
um gol, o torcedor perdoa. Na política, se fizer besteira, já era"
Em novembro, Romário foi o destaque da audiência pública da Comissão Especial da Lei Geral da Copa, que contou com a participação do secretário-geral da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Jérôme Valcke, e do presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Partiram dele todas as perguntas relevantes sobre as denúncias que rondam a CBF, os gastos públicos na Copa e as tentativas da Fifa de interferir nas leis brasileiras. Sem obter resposta a seus questionamentos, Romário chamou a audiência de circo. Foi seguido por outros parlamentares e a reunião teve de ser encerrada às pressas para evitar que políticos e comandantes do esporte se digladiassem. Em dezembro, a temperatura baixou após uma reunião de Romário com Teixeira e Ronaldo Fenômeno, nomeado para o conselho de administração do Comitê Organizador Local da Copa (COL-2014). “O Ronaldo não emprestaria sua imagem para uma furada”, afirma Romário. Também em dezembro, Romário marcou um golaço ao obter do comitê a garantia de que haverá uma cota de 38 mil ingressos gratuitos para a Copa a portadores de necessidades especiais. “Um dos motivos que me levaram a entrar na política foi a minha filhinha Ivy, que tem síndrome de Down”, diz o ex-jogador. “Vou lutar para melhorar a vida dessas pessoas. Essa é minha maior bandeira.” 
img1.jpg
img2.jpg

Share/Bookmark

Rede de Escândalos retrata mais oito casos


Share/Bookmark

Ferramenta de VEJA.com perfila os envolvidos nos mais graves escândalos da história recente e acompanha seus desdobramentos

Dinheiro apreendido pela Polícia Federal no cofre da Lunus, empresa de Jorge Murad e Roseana Sarney, em 2002
Dinheiro apreendido pela Polícia Federal no cofre da Lunus, empresa de Jorge Murad e Roseana Sarney, em 2002(Louise Maria)
Mais oito casos entram hoje para a Rede de Escândalos, ferramenta que VEJA.com lançou em 9 de dezembro, Dia Mundial de Combate à Corrupção. Com atualizações semanais, esta rede peculiar perfila os envolvidos nos piores escândalos da história recente do país e acompanha os desdobramentos dessas histórias.
Entram hoje para a galeria: o caso Erenice (2010), os atos secretos do Senado (2009), a República de Ribeirão (2005), o caso Waldomiro Diniz (2004), o caso Lunus (2002), o escândalo dos grampos do BNDES (1998), a CPI da Corrupção instalada no governo Sarney (1988) e os desvios do Banpará (1984).
Dois oito novos casos, cinco envolveram ministros, e três deles acabaram perdendo a pasta: Erenice Guerra, que comandava a Casa Civil no final do governo Lula; Luiz Carlos Mendonça de Barros, ministro das Comunicações de Fernando Henrique Cardoso; e Aníbal Teixeira, ministro do Planejamento de Sarney. Os escândalos Waldomiro Diniz e República de Ribeirão lançaram sombras sobre os dois homens fortes do governo Lula, José Dirceu, da Casa Civil, e Antonio Palocci, da Fazenda, mas ambos resistiram às primeiras denúncias - só deixariam o governo na esteira de novos escândalos, o mensalão (Dirceu) e a quebra do sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa (Palocci).
O clã Sarney aparece em três dos novos casos retratados: a CPI da Corrupção, envolvendo o então presidente José Sarney e seu genro, Jorge Murad; o caso Lunus, empresa da filha de Sarney, Roseana, e seu marido, Murad; e os atos secretos do Senado, envolvendo Sarney, então na presidência do Senado, vários de seus familiares, senadores de diferentes partidos e funcionários da casa.
Outro clã retratado na Rede de Escândalos é o do senador Jader Barbalho. A denúncia de desvios do Banpará, o Banco do Estado do Pará, atingiu Jader, ex-governador do estado, seus irmãos, o pai e a ex-mulher. O caso é de 1984, mas a ação só chegou à Justiça em 2004, quando o STF aceitou a acusação de peculato contra o senador.
Mais do que entender como funcionavam os esquemas por trás de cada um dos casos, a rede vai esclarecer o destino que tiveram seus personagens. Ao todo, serão cerca retratados cerca de 300 personagens, implicados em mais de 60 escândalos dos governos Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula e Dilma.
Clique sobre a imagem para acessar a ferramenta:
Arte/VEJA

Integração privilegiou município onde filho do ministro será candidato


Share/Bookmark

Petrolina, onde Fernando Filho vai disputar a Prefeitura, recebeu mais de um terço das 60 mil cisternas compradas pelo ministério para distribuição junto a famílias carentes de todo o País

Vannildo Mendes, de O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA - De um total de 60 mil cisternas de plástico compradas pelo Ministério da Integração Nacional para distribuição junto a famílias carentes, mais de um terço foram destinadas a Petrolina, município onde Fernando Filho, filho do ministro Fernando Bezerra Coelho (Integração Nacional), será candidato a prefeito.
Conforme notícia publicada na sexta-feira, 6, no jornal Correio Braziliense, teria havido favorecimento à empresa fornecedora e privilégio à cidade na distribuição das cisternas, duas vezes mais caras que o modelo tradicional, de alvenaria.
O edital do pregão para compra das cisternas, orçada em R$ 210,6 milhões, foi assinado por Clementino Coelho, em outubro de 2011, na condição de presidente em exercício da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco (Codevasf). Clementino é irmão de Fernando Bezerra. Este foi três vezes prefeito de Petrolina e, na prática, é chefe do irmão.
Os equipamentos integram o Plano Brasil sem Miséria. O cadastro único registrou 738,8 mil famílias carentes em oito estados do Nordeste e em Minas Gerais. Do total encomendado, 22.799 unidades (38%) serão entregues em Petrolina, que sedia uma unidade da Codevasf. Por meio de nota, o Ministério explicou que a opção de fazer a entrega nesta cidade é da empresa fornecedora, uma multinacional com sede em Valinhos, São Paulo, por questão de logística de distribuição.
De lá, conforme o ministério, as unidades serão redistribuídas para os municípios vizinhos. Recordista em demandas por cisternas (224,9 mil), a Bahia foi contemplada com apenas 11 mil unidades, enquanto o Ceará, segundo colocado no cadastro de famílias carentes (185,9 mil), não foi sequer incluído no calendário de distribuições. As demais unidades foram destinadas a Penedo (AL), Montes Claros (MG), Teresina (PI), onde também funcionam sedes regionais da Codevasf.
Ainda conforme a nota, o edital foi aprovado pela Controladoria-Geral da União (CGU) e a opção pelo modelo de polietileno deve-se à maior economicidade. Uma cisterna tradicional leva sete dias para ser montada e tem durabilidade de 12 anos. A de plástico, adotada em países como Austrália, Índia e China, é montada em apenas três horas e tem durabilidade de 35 anos.

Em carta, Suplicy pede que Cuba libere visita de blogueira


Share/Bookmark
Em carta enviada ao embaixador de Cuba no Brasil, Carlos Zamorra, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), pediu que Havana permita a visita da blogueira Yoani Sánchez, que foi convidada a participar do lançamento de um documentário na Bahia.

Yoani é personagem do filme, que trata sobre liberdade de imprensa em Cuba e Honduras.

Escrevendo em um blog a partir de Havana, Yoani se tornou uma das principais vozes críticas ao governo de Cuba.

Desde 2004, ela não pode deixar o país. Leis de imigração exigem que cubanos recebam permissão do governo para viajar ao exterior.

Na carta, o senador argumenta que Cuba recentemente tomou medidas "no sentido de permitir maior liberdade aos cidadãos no campo econômico, da livre circulação e das comunicações".

Nos últimos meses, como forma de lidar com a crise econômica que atinge o país, o governo cubano aprovou decretos que liberaram a comercialização de casas e carros no país e que permitiram que o banco estatal conceda créditos a trabalhadores do setor privado.

"Avaliei [como sendo] importante a notícia publicada em 2011, pela imprensa brasileira, de que o Congresso do Partido Comunista Cubano aprovou resolução no sentido de que o governo deveria permitir o livre ingresso e saída de cidadãos cubanos ao exterior", diz o petista na carta.

Filho de ministro é campeão de emendas na pasta do pai


Share/Bookmark
Hoje na FolhaO ministro Fernando Bezerra Coelho (Integração Nacional) privilegiou seu filho, o deputado federal Fernando Coelho (PSB-PE), com o maior volume de liberação de emendas parlamentares de sua pasta em 2011, informa reportagem deAndreza Matais e Breno Costa, publicada na Folha deste sábado (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).

Sérgio Lima - 4.jan.2011/Folhapress
Ministro Fernando Bezerra (Integração Nacional)
Ministro Fernando Bezerra (Integração Nacional)

Coelho foi o único congressista que teve todo o dinheiro pedido empenhado (reservado no Orçamento para pagamento) pelo ministério (R$ 9,1 milhões), superando 219 colegas que também solicitaram recursos para obras da Integração.

Liberado em dezembro, o dinheiro solicitado pelo deputado irá para ações tocadas pela Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Paraíba), uma empresa pública presidida pelo seu tio, Clementino Coelho, irmão do ministro da Integração.

OUTRO LADO

Em nota, o ministério negou que o filho do ministro tenha sido favorecido. Segundo a pasta, outros deputados tiveram "emendas aprovadas em percentuais equivalentes".

06/01/2012

Padre expulso durante ditadura volta ao Brasil após 31 anos


Share/Bookmark

Expulso do Brasil pelo regime militar há 31 anos, o padre italiano Vito Miracapillo, 65, retornou ao país nesta semana depois de ser autorizado pelo governo federal a renovar seu visto permanente.

Em 1980, ele foi obrigado a ir embora depois de se negar a realizar uma cerimônia pelo Dia da Independência na cidade pernambucana de Ribeirão, onde era pároco.

Na época, o religioso afirmou que não havia "independência para ser comemorada" e que, por isso, não haveria missa em Ribeirão.

Miracapillo foi denunciado ao governo pelo então deputado estadual Severino Cavalcanti (PP), que integrava a Arena. O decreto de expulsão foi assinado pelo presidente João Figueiredo.

O padre chegou a Pernambuco na última terça depois de ter obtido autorização do Ministério da Justiça para renovar seu visto permanente, como informou o jornal "O Estado de S. Paulo".

Ele já havia voltado com visto de turista, já que o decreto de expulsão foi revogado em 1993.

Para comemorar a decisão do Ministério da Justiça, o padre celebrará uma missa amanhã à noite em Ribeirão.

Ele terá de voltar à Itália, onde atua como pároco da cidade de Canosa. Para ficar em Pernambuco, precisa da autorização de superiores.

"Meu desejo é voltar e ficar, para continuar aquele trabalho que estava fazendo", disse Miracapillo em entrevista coletiva anteontem.

Ele afirmou ter perdoado os responsáveis por sua expulsão, mas não poupou o ex-vice-presidente Marco Maciel (DEM) ao ser questionado sobre sua eventual participação na Comissão da Verdade.

No ano da expulsão, Maciel era governador de Pernambuco. "Não sei quem foi chamado [para a comissão]. Lembro que, na época, a única coisa boa que Marco Maciel fez foi não falar."

OAB: CNJ protagoniza a construção da credibilidade da Justiça


Share/Bookmark
Brasília, 06/01/2012 -  "Um grande aliado da tese de que o CNJ tem contribuído positivamente com o país e com o Poder Judiciário através da sua atuação plena e democrática é a Ordem dos Advogados do Brasil. Em todos os momentos de embate entre aqueles que defendem a competência plena do CNJ e aqueles que querem que ela seja fictícia, a OAB sob o comando de Ophir Cavalcante se posiciona de forma clara e contundente, sempre a favor de uma competência ampla e irrestrita". Este é um dos trechos do artigo "CNJ protagoniza a construção da credibilidade  da Justiça", de Marcelo Nobre, conselheiro daquele órgão de controle do Judiciário, publicado hoje pelo site Consultor Jurídico. Abaixo, a íntegra do artigo:


"Em 2011, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) viveu momentos difíceis. O amplo e incondicional apoio ao CNJ pela sociedade brasileira e pelos seus representantes no Senado Federal e na Câmara dos Deputados e as críticas de uma parte da magistratura criaram sentimentos distintos na discussão acerca da competência desta grande instituição brasileira chamada CNJ.


O ano de 2011 até que começou de forma serena, pois a composição era a mesma desde julho de 2009 e os programas e projetos seguiam seus cursos. Os julgamentos dos processos e as propostas dos membros da Corte Administrativa eram aqueles - na sua grande maioria - conhecidos e com boa aceitação entre todos componentes que sempre mantiveram uma boa convivência.


Durante esse período vivenciamos momentos produtivos e também uma importante e necessária tranquilidade interna. Um dos vários exemplos disso é o Fórum da Saúde, capitaneado pelo CNJ e sob a coordenação de Milton Nobre, Nelson Tomaz Braga e eu. Por outro lado, tivemos alguns pequenos embates. O mais expressivo deles foi a inesperada e despropositada argüição de suspeição formulada por um dos membros do colegiado contra outro, quando cabe à parte alegar tal suspeição (nunca um colega).


Outro exemplo, que vale a pena mencionar, é uma portaria do atual presidente. Este exemplo mostra como as decisões de um presidente precisam ser muito bem analisadas antes de publicadas. Esta estabeleceu que todas as diárias dos membros do CNJ para viagens fora da sede como, por exemplo, convites dos tribunais para posses, participação de lançamentos de programas dos tribunais e etc. devem ser analisadas antes pelo presidente. E estes só poderão comparecer, com o recebimento de tais diárias (para pagar as despesas), se o presidente os designar para representá-lo, mesmo que o próprio presidente não tenha sido convidado.


Essa portaria foi feita para atender a um desinformado clamor da mídia que, dias antes, divulgara matérias sobre diárias pagas pelo CNJ. O que ninguém disse nem mostrou, porque não interessava, é que os números apontam que os gastos de diárias altas são em relação aos juízes auxiliares. Ao invés de separarem as diárias dos únicos representantes constitucionais do CNJ, quais sejam, os conselheiros, daqueles convocados para os auxiliarem (na Presidência e na Corregedoria), foi muito mais cômodo misturar todos no mesmo saco. Todavia, estamos falando de água e óleo. Podem se esforçar o quanto quiserem, mas não conseguirão misturar o que não se mistura.


A mencionada portaria, ao invés de esclarecer a mídia, conseguiu amputar a atuação dos membros do Conselho, inviabilizando o bom contato necessário entre os presidentes dos tribunais e os membros que decidem todas as questões referentes às suas administrações.


Foi a primeira vez na história do CNJ que isso aconteceu. A boa relação dos presidentes dos mais de 90 tribunais do país com os conselheiros sempre se deu em razão da proximidade estimulada pelos presidentes do CNJ. Essa convivência não existe mais. Isso é péssimo para todos! Sempre tivemos uma relação positiva e próxima e que auxiliava no entendimento das questões a serem decididas, pois sabemos que conhecer a realidade dos tribunais e a real intenção dos seus dirigentes ajuda sobremaneira na avaliação sobre o que está sendo discutido. Com esta malfadada portaria, a Presidência conseguiu afastar os membros julgadores de conhecer a realidade dos tribunais, empurrando o CNJ na contramão do que deve promover.


Apesar destes contratempos, temos alguns dados que se encontram disponíveis no Justiça em Números do CNJ do ano de 2010 e que são bem interessantes - os dados de 2011 ainda não foram todos compilados e, por isso, não se encontram disponíveis para o público externo neste momento.


Romário quer demissão imediata de Ricardo Teixeira


Share/Bookmark

Em entrevista exclusiva ao site de VEJA, ex-jogador diz que os brasileiros devem se manifestar contra quem faz mal ao futebol

Luciana Marques
O ex-jogador e deputado federal Romário
O ex-jogador e deputado federal Romário (Lula Marques/Folhapress)
"Se continuar do jeito que está, o Brasil vai passar talvez a maior vergonha da história de todas as Copas do Mundo"
Camisa 11 da seleção brasileira na Copa de 1994, Romário não tem papas na língua. Mesmo depois de assumir mandato como deputado federal pelo PSB do Rio de Janeiro, ele não deixou de falar palavrões, nem de criticar os integrantes do alto escalão do futebol brasileiro. Seu alvo, em especial, é o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira. Em entrevista exclusiva ao site de VEJA, Romário diz pela primeira vez – e com todas as letras - que defende a demissão do presidente da CBF. Caso Teixeira decida continuar no cargo, Romário quer uma intervenção da presidente Dilma Rousseff no órgão. 
O mais recente dos incontáveis escândalos que rondam o presidente da CBF diz respeito ao recebimento de propina da agência de marketing ISL. A empresa anunciou falência em 2001 e se envolveu no pagamento ilegal de mais de 100 milhões de dólares a representantes da Federação Internacional de Futebol (Fifa).
Na entrevista, o ex-jogador critica as exigências da federação para a Copa do Mundo de 2014 e diz que o Brasil pode passar o maior vexame da história do mundial, tendo em vista os atrasos nas obras. Romário diz ainda que a seleção brasileira não venceria o torneio, se ela ocorresse hoje, e que Neymar não pode ser comparado a Pelé.
Assista abaixo vídeo em que Romário responde ao site de VEJA sobre o que falta para a Copa 2014, a ser sediada pelo Brasil. Em seguida, leia trechos da entrevista concedida pelo deputado.
O senhor defende o afastamento de Ricardo Teixeira da CBF diante das suspeitas de corrupção? Existem algumas instituições que, dentro de seus estatutos, seus presidentes ficam eternamente no cargo. Infelizmente a CBF é assim. Ricardo Teixeira é uma pessoa que a gente tem que agradecer por ter trazido a Copa do Mundo, mas hoje enfrenta vários problemas de corrupção. Tem problemas com a Fifa, tem processos no Rio, no Brasil, fora do Brasil, dentro da Fifa, fora da Fifa, na CBF, no Comitê Organizador Local da Copa. Se ele deixasse a CBF agora, para ele seria até bom, porque resolveria isso definitivamente e logo. Ricardo Teixeira acha que não deve sair porque nada foi comprovado, e isso é verdade. Mas enquanto não é provado que ele cometeu algum tipo de crime, sou a favor que ele deixe a CBF.
E se ele não pedir demissão? A única forma, se não for por parte do próprio presidente da CBF de pedir para sair, seria a intervenção do governo federal. Mas hoje o presidente é o Ricardo Teixeira e, a gente querendo ou não querendo, felizmente ou infelizmente, tem que conviver com isso. O Brasil deve ter pensamento positivo e organizar manifestações contra aqueles caras que fazem mal ao nosso futebol, que é o Ricardo Teixeira, por exemplo, na opinião de todo o mundo.
Ronaldo, ao se tornar integrante do Comitê Organizador Local da Copa (COL), virou laranja do Ricardo Teixeira? Não sei se apalavra é laranja, mas hoje eu particularmente não aceitaria o cargo. Ronaldo é um cara de credibilidade, tudo o que fez na vida deu certo. Acredito que, nessa chegada ao COL, ele possa dar novas ideias, outra cara ao comitê. Com certeza isso vai ajudar também no andamento da Copa do Mundo.
Por que o senhor não aceitaria ocupar o cargo? As coisas no COL ainda infelizmente não estão totalmente definidas. Eu esperaria primeiro uma auditoria e, de posse dela, tomaria essa decisão. Mas ele achou diferente e vai ter um deputado, ex-companheiro e cara que gosta dele para ajudá-lo sempre, desde que faça o que é certo. 
O que falta para o Brasil sediar a Copa em 2014? Tudo. O Brasil tem problema nos estádios, nos aeroportos, na mobilidade urbana. O Brasil não está fazendo uma Copa que vai deixar legado para saúde, para educação, para acessibilidade. Estamos realmente 100% atrasados e infelizmente não existe, por parte dos órgãos competentes, nenhum tipo de ação para que isso modifique.
O Brasil passará vexame? Se continuar do jeito que está, vai passar talvez a maior vergonha da história de todas as Copas.  

Por causa do time ou da infraestrutura? 
Acredito que pelo time não tanto, nem pelos estádios, já que muitos devem ficar prontos a tempo. Mas principalmente pelos aeroportos, pela rede hoteleira e pela mobilidade urbana. O trânsito é um caos em qualquer cidade quando há um feriado prolongado.
O que o senhor acha das exigências da Fifa para o mundial do Brasil? Não concordo com nenhum dos pontos exigidos pela Fifa. Entre os que são totalmente desfavoráveis ao brasileiro estão o preço dos ingressos e a falta de respeito a alguns estatutos como o do torcedor, o do consumidor, o do idoso, o da juventude. Essa coisa de vender álcool fora e dentro do estádio, essa coisa de você comprar ingresso e, não indo, poder ser multado. A Fifa está querendo ter poderes no país que ela não tem o direito como empresa particular. Ela vai ter seus lucros, vai pagar seus impostos, vai embora e vai deixar o Brasil assim. Com o adiamento da votação da Lei Geral da Copa para fevereiro, acredito que a gente possa pensar com mais calma e melhor no assunto. E depois, se a Fifa aceitar, aceitou. Se não, vai ter a Copa assim mesmo, não tem jeito.
Se o assunto for Copa do Mundo, o senhor jogaria no time de Ricardo Teixeira?Ultimamente não tenho jogado nem mais nas minhas peladinhas. Não tenho mais condição física de jogar na Copa do Mundo. Inclusive não é Ricardo Teixeira que escala os jogadores. O presidente escolhe o treinador - e muitas vezes escolhe errado. Poderíamos ter muito mais títulos do que hoje. Os treinadores errados é que acabam escolhendo os jogadores errados. Por isso nossa seleção tem sido uma m... nesses últimos tempos.

Está se referindo ao Dunga? Pelo contrário, acho que ele foi um dos grandes treinadores que esteve na seleção. Jogadores que as pessoas pediram para Dunga levar para a Copa participaram da última Copa América. E o Brasil foi eliminado na primeira fase. Então não era bem o Dunga que estava errado. 

A seleção brasileira está preparada para vencer a Copa de 2014? 
Não. O Brasil, com o time que tem, não está preparado nem para passar da primeira fase. Tem que modificar os jogadores ou a forma de jogar, a parte tática. Eu convocaria de 60% a 70% dos jogadores que Mano vem convocando. A coisa não funciona, o time não anda. Falta treino e tempo para os jogadores se conhecerem.
Qual time escalaria o senhor para a seleção brasileira em 2014? Júlio César, Tiago Silva, Neymar e Lucas para mim hoje são os jogadores principais. O goleiro até o ano passado tinha sido o melhor do mundo e nesse ano também está entre eles. Tiago Silva é, nos últimos cinco anos, o maior zagueiro que apareceu no futebol mundial. Ganso, depois de Zico, é um jogador com uma inteligência acima da média. E Neymar é o que é o futebol brasileiro: técnica, vontade, coragem, disposição. Tudo aquilo que o torcedor brasileiro gosta de ver em um jogador.
Neymar pode ser comparado a Pelé? Não, o próprio Neymar sabe que ele está longe de ser o Pelé. Ele tem que ter muitas vitórias ainda. Ninguém vai conseguir ser um Pelé, principalmente no futebol de hoje. Mas Neymar com certeza tem condição de chegar muito longe.
Como avalia a derrota do Santos para o Barcelona em dezembro? Neymar e muitos outros desses que falei participaram da Copa América, que foi um vexame. A seleção acabou não indo bem e, agora, o Santos. Realmente no futebol tem dias em que as coisas não acontecem. Isso não significa que o time do Santos seja ruim. Jogou mal, mas não era o dia e o Barcelona aproveitou as oportunidades que teve. Todos nós já sabíamos que o Barcelona era muito mais time, já tinha um entrosamento há muito mais tempo, porque os jogadores se preparam de uma forma diferenciada da nossa. Mesmo tendo perdido por quatro gols e apesar de muitos dizem que foi uma vergonha, o Santos foi lá e tentou fazer aquilo que tinha que fazer. Infelizmente não aconteceu.