04/11/2012

Professores apontam falhas em questões do Enem; Objetivo defende anulação de duas


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Dois testes de física são os mais problemáticos: o 49 e o 51 do caderno amarelo

Diego Cardoso, Luísa Melo, Tomás Petersen e Victor Vieira, Especial para o Estadão.edu
Professores de cursinhos ouvidos pelo Estadão.edu fizeram reparos a cinco questões das provas de Ciências Humanas e Ciências da Natureza do Enem, aplicadas neste sábado, 3. Dois testes de física são os mais problemáticos. Etapa e Oficina do Estudante contestam o item 49, da prova amarela; Etapa e Objetivo também criticam a questão 51 da mesma prova. Professores do Objetivo defendem o cancelamento de duas questões.
A questão 49 precisa ser revista, na opinião do diretor pedagógico da Oficina do Estudante, Célio Tasinafo. Segundo ele, se o candidato fizesse o cálculo pelo comprimento de onde chegaria a um resultado. Caso a conta fosse pela velocidade, a resposta seria diferente. A opinião é compartilhada pelo coordenador de física do Etapa, Alexandre Lopes Moreno. “Mas não prejudica o aluno porque os outros resultados possíveis não aparecem entre as alternativas”, explica. Para ele, questão não deve ser anulada porque era possível encontrar uma opção certa.
O Etapa questiona ainda o item 51, que envolvia a densidade de um legume. Segundo Moreno, a diferença é que na pesquisa da internet mencionada na questão a densidade do legume é metade da densidade da água. O mesmo enunciado, entretanto, diz que o legume fica um terço para fora da água quando submerso. “Isso pode causar dúvida, porém o mais provável é que o aluno chegue à resposta correta”, afirma o coordenador.
Para o Objetivo, a questão deveria ser cancelada. "Essa pergunta é totalmente furada", diz o professor Ricardo Helou Doca, de física. "O aluno que privilegiou a parte final do enunciado se deu mal."
Ainda na parte de Ciências da Natureza, o Cursinho da Poli diz que o teste 64, da prova amarela, pode provocar interpretações errôneas. O enunciado explica o que é a formação de um carbocátion e pede que o aluno identifique as estruturas químicas encontradas nos produtos e no carbocátion. É consenso entre os professores do cursinho que a resposta correta é a letra A. Porém, de acordo com o professor Adauto Pessoa, o gráfico que explica as reações tem um erro de conceito. “Não gostamos muito da elaboração da questão, mas o gráfico não compromete a avaliação, desde que o aluno não considere as questões energéticas, que estão equivocadas. Dá pra resolver”, diz Adauto.
Ciências Humanas
De acordo com os docentes da área de Humanas do Cursinho da Poli, uma das questões do Enem pode dar margem para discussão sobre qual seria a alternativa correta. Trata-se do item 36, da prova amarela. No enunciado, dois textos comparam a situação agrária da Europa no século 19 com a da América Latina no século 21. Foi solicitado aos estudantes que, a partir da interpretação dos dois textos, apontassem a alternativa que explicasse como as alterações tecnológicas interferem na vida das populações locais. A resposta considerada correta pelos professores do cursinho foi a da letra E, que afirmava que as inovações desorganizam o modo tradicional de vida, obrigando as populações a buscarem melhores condições no espaço urbano ou em outros países, em condições às vezes precárias. Porém, os docentes consideram que as alternativas A e C também podem ser vistas como consequência parcial das inovações. A letra A refere-se à ao êxodo rural e a letra C à ampliação do protagonismo do Estado. “As alternativas A e C são muito genéricas e podem se aplicar a uma consequência para essas inovações, mas a letra E é mais completa. É como se as outras duas estivessem ‘menos certas’, mas não estivessem erradas”, explica o professor de geografia Rui Calaresi.
Outra questão problemática é a de número 20, também na prova amarela, a respeito de história antiga. O aluno deveria analisar um mosaico e inferir qual característica política romana estava presente na figura. “Havia duas possibilidades de resposta correta”, comenta o professor Daily de Matos Oliveira, do Objetivo. “As respostas sobre imperialismo e diversidade dos territórios poderiam ser consideradas corretas. Isto pode ser questionado.”
Procurado, o Ministério da Educação (MEC) disse que não se manifestará sobre as reclamações dos cursinhos.

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