07/03/2012

Homem apontado como elo entre lobistas e filha de Mantega deixa cargo


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Antônio Sérgio Lima Braga pediu exoneração da Secretaria de Assuntos Estratégicos. Ele disse querer evitar constrangimentos por acusação

Rodrigo Rangel e Gabriel Castro
Silêncio: ministro Guido Mantega não comenta o assunto
Silêncio: ministro Guido Mantega não comenta o assunto (Ueslei Marcelino/Reuters)
Apontado como elo entre a filha do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e um grupo de lobistas com atuação em Brasília, o subsecretário de Desenvolvimento Sustentável da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência deixou o cargo no último dia 3. O caso foi revelado por VEJA há duas semanas. Antônio Sérgio Lima Braga admitiu ser amigo de Marina Mantega, mas negou que fizesse intermediação de interesses de lobistas.
 
Os lobistas diziam contar com a ajuda da modelo e atriz Marina Mantega para resolver problemas na estrutura do Ministério da Fazenda. Em reuniões com empresários em Brasília, eles afirmavam contar com o auxílio da filha do ministro, por exemplo, para facilitar a liberação de financiamentos para grandes empresas e nomeações para cargos em bancos públicos.
 
A portaria que oficializou a exoneração de Sérgio Braga, “a pedido”, foi assinada pela ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. O subsecretário se reuniu com o ministro Moreira Franco na última sexta-feira. Segundo a própria Secretaria de Assuntos Estratégicos, ele chegou com a decisão tomada e com a carta de demissão pronta. Argumentou que deixaria o cargo para evitar constrangimentos em função da reportagem de VEJA. O ministro Moreira Franco confirma o encontro, mas não comenta o conteúdo da carta. "Isso é uma coisa interna", diz.
 
Contrato - Um dos negócios em que o grupo de lobistas dizia estar trabalhando em parceria com Sérgio Braga e Marina Mantega é a liberação de um financiamento bilionário do Grupo Bertin, gigante dos setores de agronegócios e infraestrutura. O lobby, nesse caso, seria necessário porque o financiamento, negociado com a Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e BNDES, está emperrado há mais de seis meses. O Bertin confirmou a VEJA ter contratado tanto a empresa de consultoria dos lobistas quanto uma firma do próprio Sérgio Braga. Negou, porém, que o objetivo dos contratos fosse facilitar a liberação do financiamento.
 
Procurado por VEJA antes da publicação da primeira reportagem, o ministro Guido Mantega limitou-se a dizer que não tinha conhecimento de que lobistas de Brasília estavam falando em nome de sua filha. Ele preferiu não responder se adotaria providências para apurar o caso. Depois, manteve o silêncio. Marina Mantega também não falou sobre o assunto.

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