08/02/2012

Joguem nas costas do general; melhor do que nas de Dilma ou Wagner! Ou: No samba-enredo de Carnaval, os PMs em greve são os bandidos, e Wagner, o mocinho


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Leiam o que informa o jornal “A Tarde”, da Bahia. Volto em seguida:
“Três fontes ligadas ao governo estadual dão como certa a saída do comandante da 6ª Região Militar, general Gonçalves Dias, que se confraternizou com PMs grevistas no dia de seu aniversário, após receber um bolo de presente. Um congressista baiano disse que a atitude causou constrangimento às Forças Armadas e tirou a autoridade do comandante das tropas que policiam Salvador. Outras duas pessoas ligadas ao governo admitem que ele deixará o posto, mas que ainda não recebeu comunicação oficial. O general perdeu a confiança de seus superiores. O Comando Militar do Nordeste, sediado em Recife, já estaria escolhendo o novo comandante.”
ComentoEscrevi um post sobre aquele episódio nesta manhã. Vale a pena ver.
Gonçalves Dias, mesmo comandando o cerco aos grevistas, tinha sido a nota de descontração e alívio de tensão num enredo absurdo, potencialmente explosivo. Deram-lhe o bolo. Era de bom tom que recebesse. Abraçou o manifestante e chegou a enxugar uma furtiva lágrima. Aí já passou da conta. Planta-se por aí que o Exército não gostou. Huuummm… Conhecendo a índole dos militares, que certamente não se sentem confortáveis ao reprimir outros homens de farda, quase colegas — as PMs são forças auxiliares das Forças Armadas, como reza a Constituição —, o mais provável é que Dilma e Jaques Wagner não tenham gostado. Por quê?
Gente que dá bolo de presente ao general e um abraço emocionado não pode ser assim tão má, né? No jogo dos protagonistas e antagonistas, a Wagner não ficou reservado o do mocinho. O que eu achei? O discurso que o militar fez afirmando que não haveria confronto é parte da guerra, como é a porrada, quando não resta alternativa. O choro e o abraço terno eram dispensáveis.
De todo modo, esses eventos foram irrelevantes para o andamento da coisa. Nada têm a ver com o impasse. A substituição do general, se confirmada, é só uma forma de achar um bode expiatório. A GREVE DA POLÍCIA MILITAR É INACEITÁVEL. Omitir a cadeia de responsabilidades que resultou no imbróglio é igualmente irresponsável. E dela fazem parte Lula, Dilma Rouseff e Jaques Wagner.
Gonçalves Dias era muito apreciado pelos petistas porque comandou, durante oito anos, o esquema pessoal de segurança de Lula em seus deslocamentos Brasil afora. No vídeo abaixo, vocês vão ver a solenidade de posse do general no Comando da 6ª Região Militar. Prestem atenção ao que diz Jaques Wagner.
Eis a grande virtude do general, segundo Wagner: “Quem cuidou do presidente Lula durante tanto tempo vai cuidar da Bahia e de Sergipe”.
Certo!
Por Reinaldo Azevedo

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