13/02/2012

Em 2004, ministra admitiu ter feito 'treinamento de aborto'


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Para Eleonora Menicucci, objetivo era que 'pessoas não-médicas pudessem lidar com aborto'; ONG nega curso

estadão.com.br
* Atualizado às 21h
Ministra disse ter feito curso de aborto para 'não-médicos' - Beto Barata/AE - 07.02.2012
Beto Barata/AE - 07.02.2012
Ministra disse ter feito curso de aborto para 'não-médicos'
Em uma entrevista concedida em 2004 a uma professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a ministra Eleonora Menicucci (Secretaria de Políticas para as Mulheres) admitiu ter participado de um "treinamento de aborto" na Colômbia com uma ONG brasileira. Segundo a ministra, que à época era docente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), um grupo do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde viajou ao país vizinho, em data não especificada, para aprender a fazer o procedimento "com sucção".
"A gente aprendia a fazer aborto com aspiração. (...) Porque a nossa perspectiva no Coletivo (era que as pessoas se) auto-capacitassem, e que pessoas não-médicas podiam lidar com o aborto", afirmou Eleonora na entrevista à professora de História Social Joana Maria Pedro, no dia 14 de outubro de 2004. O texto foi divulgado pelo jornalista Reinaldo Azevedo, em sue blog no site da revista VejaA transcrição está disponível no site da UFSC.
A atual ministra não afirma se participou ou presenciou a realização de abortos na Colômbia. Até 2006, a prática era considerada crime naquele país - mesmo em casos de estupro, risco de morte para a mãe ou má-formação do feto.
A presidente do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde afirmou ao estadão.com.br que desconhece a realização de qualquer treinamento de aborto pela organização. Segundo Ana Galati, a ministra Eleonora Menicucci deixou o grupo em 2004 e que a ONG não realiza nenhum tipo de capacitação para não-médicos.
"O Coletivo ensina mulheres a fazer auto-exames (de mama e colo de útero), não para fazer aborto", disse a presidente do Coletivo. Ela afirmou que o grupo é favorável à descriminalização da prática, mas que não incentiva ou encaminha a clínicas as mulheres que procuram a ONG interessadas em realizar abortos.
Eleonora também já disse ser favorável ao aborto, mas assumiu o compromisso de seguir a orientação do governo na aplicação de políticas públicas referentes a essa prática. Atualmente, o aborto é crime, exceto em casos de estupro e de risco de morte para a mãe.

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