15/02/2012

Comissão de Ética reage à intervenção de Dilma


Share/Bookmark

Presidente teria cogitado mudar 5 membros do colegiado após ameaça de investigação contra ministro Pimentel; ‘Seria desonroso’, diz conselheira



Tânia Monteiro, de O Estado de S.Paulo


BRASÍLIA - Sob pressão do Planalto, integrantes da Comissão de Ética Pública da Presidência rechaçam a acusação de que o colegiado extrapolou ao abrir investigação contra o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel. Nesta quarta-feira, 15, oEstado revelou que a presidente Dilma Rousseff, agastada com a comissão, pretende não renovar o mandato de três dos sete conselheiros. Para Marília Muricy, membro da comissão, uma intervenção no órgão "seria desonroso para Dilma".


Marília, que em um parecer, de dezembro, recomendou à presidente a demissão do ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi, desagradando ao governo, disse que "não acredita" que a presidente esteja insatisfeita "com quem está exercendo corretamente a função pública".
A conselheira negou que a comissão tome decisões apenas com base na imprensa, mas ressalvou que o colegiado aponta os problemas que enxerga e oferece soluções à presidente, que as acata ou não, já que este é um órgão de assessoramento.
Na segunda-feira, mais uma vez, a Comissão de Ética contrariou Dilma, ao abrir investigação para apurar a conduta de Pimentel e os contratos assinados pela empresa de consultoria dele, em 2009 e 2010.
A próxima reunião da comissão está marcada para o dia 12 de março, quando será discutido o relatório do conselheiro Fábio Coutinho sobre a situação de Pimentel. O governo já vinha se queixando da comissão desde que foi apresentada denúncia contra os ganhos considerados exorbitantes do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci.
Insatisfeita com a comissão, a presidente poderá reformulá-la quase que integralmente, no meio do ano, quando cinco dos seus integrantes concluem seus mandatos. Dois deles não podem sequer ser reconduzidos.

Nenhum comentário: