31/01/2012

Pressão provocou demissão do presidente da Casa da Moeda


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Sob a mira do próprio partido que o indicou, o PTB, Denucci Martins sai exaltando avanços da instituição que comandou

MARIANA DURÃO / RIO - O Estado de S.Paulo
A exoneração do presidente da Casa da Moeda, Luiz Felipe Denucci Martins, publicada ontem no Diário Oficial da União, está relacionada, segundo fontes ouvidas pela Agência Estado, a pressões políticas. O que circula nos meios ligados à área, há dois anos, é que o próprio PTB, que teria indicado o executivo para o cargo em 2008, estaria reivindicando a sua saída.
Denucci foi avisado da perda do cargo no sábado, dois dias antes da publicação de sua saída e reuniu ontem cedo cerca de 400 funcionários da Casa da Moeda para informá-los da exoneração. Seu substituto ainda não foi confirmado, mas é provável que, interinamente, o posto fique com o atual diretor de Tecnologia, Carlos Roberto de Oliveira.
O ex-presidente não quis dar entrevistas. Em nota por e-mail, não falou de possíveis motivos de sua saída, preferindo destacar sua atuação na instituição.
O executivo afirma que, quando assumiu o cargo, o Brasil corria o risco de desabastecimento de cédulas e a Casa da Moeda tinha resultados financeiros "modestos para a importância da instituição". Afirmou ter optado por uma "administração rigorosa" e pela estratégia de buscar novos nichos de mercado até fora do País. "Na última sexta-feira, como meu último ato na presidência, assinei os documentos finais do balanço, que demonstram o sucesso obtido: faturamento de R$ 2,7 bilhões e lucro líquido de R$ 517 milhões. Isso significa que o faturamento foi ampliado em seis vezes, e o lucro líquido em 20 vezes", afirmou.
Multa. Antes da Casa da Moeda, o economista Luiz Felipe Denucci Martins, de 67 anos, passou pelo Banco Central em São Paulo, a Superintendência de Seguros Privados (Susep) e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), entre outras. Em 2010 vieram à tona investigações da Receita Federal e da Polícia Federal contra o executivo, por atos anteriores à sua nomeação para a Casa da Moeda. Foi multado pela Receita em R$ 3,5 milhões, por suspeita de fraude no pagamento do Imposto de Renda e por ter trazido ao País dólares equivalentes a R$ 1,8 milhão de uma conta em Miami - dinheiro incorporado à sua empresa na época, a Horizonte Capitalização.
Os balanços da Casa da Moeda confirmam que na gestão de Denucci houve um salto nos resultados financeiros . O bom desempenho pode ter despertado o interesse de partidos políticos pela estatal. Em 2007, a empresa registrou receita líquida de R$ 473,5 milhões e lucro líquido de apenas R$ 28,8 milhões. No ano seguinte, sob nova direção, o faturamento líquido saltou para R$ 760,9 milhões e o lucro líquido mais do que triplicou, para R$ 103,5 milhões. Em 2009, no auge da crise financeira global, a Casa da Moeda faturou R$ 1,5 bi e lucrou R$ 330 milhões. Em 2010, teve receita acima de R$ 2 bilhões e lucro de R$ 415 milhões.

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