19/11/2011

O combate secreto de Chávez contra o câncer


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O presidente venezuelano declarou estar curado do câncer, mas 
fontes em seu país afirmam que ele pode 
não sobreviver até as eleições de 2012

Leonardo Coutinho e Duda Teixeira
Ariana Cubillos/AP
Inchaço e fadigaO presidente participa de uma cerimônia militar em Caracas, em 6 de novembro: câncer 
de próstata com metástases nos ossos 
e um tumor maligno no cólon
 Inchaço e fadiga O presidente participa de uma cerimônia militar em Caracas, em 6 de novembro: câncer 
de próstata com metástases nos ossos 
e um tumor maligno no cólon
Há um mês, o presidente venezuelano Hugo Chávez beijou a imagem de gesso do médico José Gregorio Hernández (1864-1919), idolatrado como santo em seu país, em agradecimento à “cura” de seu câncer. Jogo de cena. A foto acima, feita duas semanas atrás, desvela a realidade. O rosto inchado, a pele ressecada, a ausência de cabelos e o aspecto cansado compõem o retrato de um homem doente, muito doente. “Sua aparência mostra que o tratamento continua, e que o câncer ainda está ativo ou poderá voltar”, diz o oncologista Ademar Lopes, de São Paulo. Essa avaliação é reforçada por um conjunto de relatos detalhados da evolução do câncer de Chávez, produzidos por fontes da Venezuela, aos quais VEJA teve acesso. Segundo tais relatos, ele não só segue doente como seu quadro clínico se complica a cada dia. O câncer, que estava restrito à próstata e ao cólon, há muito se espalhou, com metástases nos ossos. As fontes venezuelanas, apoiadas em exames médicos, afirmam que a sobrevida de Chávez dificilmente superará um ano. O tirano, que governa a Venezuela por doze anos, amarga um crepúsculo antecipado. Nas eleições presidenciais de outubro do ano que vem, ele poderá não estar presente.
O primeiro a alertá-lo sobre a gravidade de seu problema de saúde foi um médico espanhol, em janeiro. Na ocasião, Chávez já convivia fazia mais de um ano com sintomas que apontavam para a existência de um tumor na próstata. O venezuelano, contudo, postergou a realização dos exames sugeridos. Em maio, o primeiro sinal de saúde frágil se tornou visível. Chávez apareceu em público apoiado em uma muleta. De acordo com a versão oficial, a causa era uma lesão no joelho. A dificuldade para andar tinha outro motivo, segundo os relatos obtidos por VEJA: o avançado estágio do câncer nos ossos. No mês seguinte, Chávez foi internado em um hospital de Havana, em Cuba, para extirpar o tumor na próstata. A intervenção cirúrgica, não recomendada para casos de neoplasia nessa glândula com metástase, pode ter sido um erro médico gravíssimo que acelerou a disseminação do câncer. Uma segunda cirurgia foi feita dez dias depois, conforme disse o próprio Chávez. Desse ponto em diante, a terapia passou a ser comandada por médicos europeus, com equipamentos importados. Os cubanos foram relegados ao papel de observadores.
O visual inchado de Chávez dos últimos dias, com o queixo emendando no peito, pode ser lido como uma evidência de que o tumor da próstata já teria alcançado o reto (a parte final do intestino), comprimindo as vias urinárias, ou como um efeito dos corticoides usados na quimioterapia. O urologista Fernando Almeida, da Unifesp, e os oncologistas Sergio Azevedo, da UFRGS, e Samuel Aguiar Junior, do Hospital A.C. Camargo, em São Paulo, fizeram uma análise crítica dos relatos obtidos por VEJA. De acordo com eles, alguns procedimentos citados não condizem com o tratamento-padrão de um câncer de próstata. Tumores originados nessa glândula, por exemplo, não requerem quimioterapia — e Chávez já enfrentou quatro sessões. Segundo as fontes da Venezuela, o uso da quimioterapia se deve ao aparecimento de um câncer no cólon, que perfurou a parede do intestino e provocou uma infecção. O tumor no cólon também explica a segunda cirurgia. A possibilidade de aparecerem dois tumores simultaneamente é rara, mas não impossível. Como os sintomas foram menosprezados por mais de um ano, as células do câncer de próstata se espalharam para os ossos, o que foi detectado numa análise citológica. Em agosto, os médicos concluíram que o tratamento em duas frentes, com quimioterapia e radioterapia, fracassou. Cogitou-se, então, a transferência de Chávez para um centro de oncologia na Europa. Ele recusou a proposta. Em setembro, fez sessões em uma clínica montada na ilha La Orchila, onde está localizada uma casa de praia da Presidência.
No fim de outubro, Chávez tomou uma decisão surpreendente, segundo as fontes da Venezuela. Informado da gravidade de sua doença, preferiu não se submeter a um tratamento mais agressivo, que certamente o tiraria das atividades públicas. Optou por receber uma terapia mais leve. Ainda assim, teve de abandonar o programa dominical Alô Presidente e os discursos intermináveis. Agora, raramente sai de Caracas. Prevendo não concorrer às próximas eleições por motivo de saúde, Chávez escolheu como substituto o chanceler Nicolás Maduro. Ele é o único integrante do governo que conhece toda a verdade sobre a doença do chefe. Em 2012, Maduro deparará com uma oposição organizada e vigorosa. Sete candidatos na casa dos 40 anos participarão de uma eleição primária em fevereiro, para a escolha do nome a enfrentar o chavismo. Embora a doença tenha elevado em oito pontos porcentuais a popularidade do governo, a empatia não se converteu em apoio político. Para 52% dos venezuelanos, o preferido no próximo pleito é um opositor.
Em Havana, Chávez recebeu tratamento no Centro de Investigaciones Médico-Quirúrgicas (Cimeq). Seus leitos são reservados para membros do Partido Comunista, militares e artistas do país. Embora seja considerado o melhor da ilha, o Cimeq tem tomógrafos com mais de dez anos de uso e outros aparelhos que são pequenos “frankensteins”, montados com peças de equipamentos antigos holandeses e franceses. Há três anos, um cardiologista do Cimeq teve um tumor no pâncreas e veio a São Paulo se tratar. Suas despesas foram pagas por um mês pelo governo da ilha. Um telegrama da missão diplomática americana de 2008, divulgado pelo WikiLeaks, afirma que o chefe do Cimeq, um neurocirurgião, foi à Inglaterra fazer uma cirurgia no olho e, desde então, retornava periodicamente para acompanhamento.
Como presidente da Venezuela, país com a quinta maior reserva de petróleo do mundo, Chávez encontraria tratamento adequado em seu próprio país. Ou poderia seguir o exemplo do paraguaio Fernando Lugo, que trata um câncer linfático no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, desde o ano passado. No início de julho, o chanceler venezuelano Nicolás Maduro esteve no Brasil para consultar médicos brasileiros e preparar uma possível vinda de Chávez. O preço a pagar por essa opção seria que, muito provavelmente, os detalhes de sua doença não ficariam em segredo. Em uma democracia consolidada, eles quase não existem. A luta da presidente Dilma Rousseff e agora a do ex-presidente Lula são conhecidas em minúcias por todos os brasileiros. Chávez lida com sua doença da mesma maneira que administra seu país: sem transparência e ignorando os sinais de deterioração. No ano passado, a inflação foi de 28% e o PIB caiu 1,5%. Caracas tem a maior taxa de homicídios da América Latina: 122 mortos por 100 000 habitantes. Cartunistas são presos por fazer uma simples piada. Disposto a acelerar o que considera uma revolução inédita e apaixonado pela crença na própria infalibilidade, Chávez recorreu, na ideologia e na medicina, aos cubanos. Com isso, não curou seu país, nem a si próprio.

Jornada para a história
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SARNEY: DESPESAS PESSOAIS À CUSTA DO SENADO


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Vício arraigado - Sarney: despesas pessoais à custa do Senado
Ciente de que sua imagem nos últimos anos despencou ladeira abaixo, José Sarney resolveu se mexer. Contratou em julho uma consultoria, a carioca Prole, para fazer um diagnóstico e sugerir como agir para seu filme ficar menos queimado.
Entre as ideias propostas estava a criação de um site para recontar sua trajetória política e literária. O conteúdo é 100% chapa-branca — mas ninguém esperaria outra coisa. A reciclagem de um passado tão movimentado só esbarrou num detalhe: como é de praxe, Sarney não coçou o bolso.
Os 24 000 reais pagos pela pesquisa foram pendurados na conta do Senado — repetindo o que ocorreu em 2009, quando uma empresa recebeu 8 600 reais para organizar o acervo pessoal de livros e documentos de Sarney.
Ao usar dinheiro público para fins particulares, fica mais difícil ainda para Sarney conseguir ficar bem na foto.
Por Lauro Jardim

Dilma escolheu ministros sob suspeita, diz Serra


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SILVANA MAUTONE - Agência Estado
O ex-candidato à Presidência da República pelo PSDB, José Serra, disse hoje que é preciso responsabilizar a presidente Dilma Rousseff pela escolha dos ministros que recentemente deixaram o governo sob suspeita de corrupção. "Há uma tendência de jogar tudo nas costas do Lula. Não é que o Lula não tenha responsabilidade, mas não é ele sozinho. É o governo dele e o novo governo", afirmou hoje à Agência Estado.
Na opinião de Serra, o número de ministros envolvidos em suspeita de corrupção é muito alto para um governo que tomou posse há menos de um ano. "Para um governo recém-formado, do total de ministérios, que são pouco mais de 20, quase um terço já foi comprometido", afirmou. "Houve algo errado nas nomeações. E quem os elegeu foi a Dilma, foi ela quem os escolheu. Ela tem a responsabilidade pelo que está ocorrendo. Ninguém é obrigado a aceitar de um governo anterior a nomeação de futuros ministros."
Serra participou hoje da cerimônia de posse da nova diretoria do Núcleo Sindical do PSDB em São Paulo. O partido organizou neste ano formalmente 15 núcleos sindicais, numa tentativa de intensificar sua relação com os trabalhadores. Questionado se essa iniciativa era uma tentativa de reaproximação com os sindicatos, Serra negou que tenha ocorrido um afastamento entre o PSDB e os trabalhadores. "Criou-se um mito de que houve afastamento, mas isso é bobagem", afirmou. 

18/11/2011

Pelé rebate críticas e diz que Romário é 'mal informado'


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Em evento no Museu do Futebol, ex-jogador diz que não recebe nada da CBF e contra-ataca deputado

GIULIANDER CARPES - Agência Estado
Pelé rebateu nesta sexta-feira as recentes críticas que recebeu de Romário, que o acusou de não ter "consciência" do que está acontecendo na preparação para a Copa de 2014 e chegou a insinuar que ele pudesse receber dinheiro da CBF. "O Romário é muito mal informado", afirmou Pelé, durante um evento em São Paulo, exatamente uma semana depois de ter sido atacado pelo ex-jogador e hoje deputado federal.
Pelé disse que não precisa de cargo público, pois já é rei
"Uma vez eu disse que ele calado é um poeta. Agora isso também vale. O Pelé fala muita m.... Ele não tem noção de p... nenhuma do que está acontecendo no País. Não conhece de leis e estatutos", afirmou Romário, durante evento na última sexta-feira, também em São Paulo, quando atacou Pelé por ele ter defendido o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. "Eu não levo nada da CBF, talvez ele leve."
"Não ouvi o que ele falou. Sou admirador do Romário, um excelente jogador. Mas, independente de ser fã dele, gostaria de dizer que o Romário é muito mal informado", disse Pelé, que ainda rebateu a provocação feita pelo deputado para que ele se candidatasse a algum cargo público para "entender" as coisas. "Fala para o Romário que eu já me candidatei a rei e faz tempo que eu ganhei."
Durante o evento no Museu de Futebol, no Pacaembu, em São Paulo, Pelé também mostrou otimismo com a preparação brasileira para a Copa de 2014. "Tivemos alguns problemas, inclusive com a escolha do estádio de São Paulo, mas fiz parte do Comitê Organizador da Copa no Japão (em 2002) e eles estavam muito mais atrasados que o Brasil. Na África (em 2010), foi muito pior", comparou o ex-jogador.
Indicado pela presidente Dilma Rousseff para ser o embaixador da Copa do Mundo de 2014, Pelé ainda pediu um voto de confiança do torcedor brasileiro. "Temos que ter confiança. O Brasil tem tempo de fazer a Copa. Temos que torcer para dar certo. E não ficar torcendo contra. O Brasil está bem, tenho plena certeza de que vai fazer a melhor Copa de todos os tempos", avisou o ex-jogador. 

Dirceu critica 'linchamento' de ministros de Dilma


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O ex-ministro José Dirceu esteve em Porto Alegre (RS) para lançar seu livro ’Tempos de Planície’. Foto: Daniel Favero/Terra
O ex-ministro José Dirceu esteve em Porto Alegre (RS) para lançar seu livro ’Tempos de Planície’
Foto: Daniel Favero/Terra

DANIEL FAVERO
Direto de Porto Alegre
O ex-ministro da Casa Civil do governo Lula José Dirceu (PT), apontado como um dos "cabeças" do esquema de distribuição de propina que ficou conhecido como mensalão, criticou o que considera "pré-julgamento" e "linchamento" de ministros do governo Dilma Rousseff acusados de envolvimento em denúncias de corrupção. A declaração foi feita durante uma sessão de autógrafos para o lançamento de seu livro Tempos de Planície, na noite desta sexta-feira em Porto Alegre (RS).
"A única coisa que eu não aceito, nem se deve aceitar é o pré-julgamento, o linchamento, não dar presunção da inocência, não esperar o devido processo legal. Chega um ponto no qual o ministro pede para sair, a família pede para sair, como aconteceu com Orlando Silva (do PCdoB, ex-ministro do Esporte). Não há nada contra o (Carlos) Lupi (do PDT, ministro do Trabalho) especificamente na Polícia Federal, nem no Ministério Público. Há denúncias de irregularidade em convênios, de ilicitudes que precisam ser apuradas, agora, não há nada que diga que ele é o responsável", disse Dirceu, que deixou o governo de Lula sob acusações de comandava um esquema de compra de votos no Congresso.
Ele disse que as denúncias não necessariamente indicam que há envolvimento de líderes do executivo e das respectivas pastas. "O presidente Fernando Henrique Cardoso disse que o governo do presidente Lula foi um sistema de corrupção de fisiologismo. Pois bem, eu fui nos arquivos e encontrei 64 escândalos do governo dele. Isso quer dizer que o Fernando Henrique é corrupto, que o governo dele era um sistema de corrupção, que os ministros que estavam nas pastas onde ocorreram aqueles escândalos eram corruptos? Não."
Ex-ministro comemora Comissão da Verdade
Dirceu, que foi preso e torturado durante o regime militar, comemorou a criação da Comissão da Verdade - sancionada pela presidente Dilma hoje -, que vai apurar os crimes cometidos durante a ditadura, como um dos acontecimentos mais importantes de para sua geração.
"Acho que é um acontecimento histórico no Brasil. Nós devemos isso aos familiares, aqueles que lutaram desde a época da anistia pelo esclarecimento dos crimes da ditadura, para que as famílias tivessem de volta os restos mortais dos seus filhos, pais irmãos e também da presidenta, que cumpriu com a sua história, fez jus à sua biografia, e articulação política, tanto do ministro da Justiça como da articulação do governo, que conseguiu quase uma unanimidade que tivemos para aprovar essa lei", disse.
Ele defendeu ainda que apenas os repressores sejam alvo de investigação, porque quem lutou contra a ditadura já foi condenado. "Quem lutou, lutou porque estava defendendo um Estado do direto, a ordem constitucional. Estava defendendo aquilo que até a Carta das Nações Unidas garante, que é o direto de rebelião, porque o que houve no Brasil um golpe militar, uma ditadura, e os crimes que foram cometidos precisam ser apurados. Não tem nada a ver com aqueles que pegaram em armas, lutaram e defenderam. Até porque nós já fomos condenados, exilados, assassinados, outros desaparecidos. Eu fiquei 10 anos sem nacionalidade, banido do Brasil, tive que voltar clandestino para o País, fiquei 11 meses preso, e muitos com o próprio (José) Genoino foram barbaramente torturados, a nossa presidente também."
O livro
Durante a sessão de autógrafos, Dirceu aparentava bom humor e tirava fotos com todos que solicitavam. O primeiro a receber sua dedicatória foi o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT), a quem o ex-ministro se referiu como "grande mestre". Durante o evento, Dirceu foi muito saudado pelo público, composto, em grande parte, por militantes do PT.
O livro reúne textos e artigos escritos por Dirceu, um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores, sobre sua visão do partido, governo e das relações que estabelecidas com a sociedade.

“Somos siamesas”, diz uruguaia que dividiu cela com Dilma


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Em entrevista exclusiva ao site de VEJA, Maria Cristina de Castro conta detalhes da época em que foi torturada ao lado da agora presidente da República

Luciana Marques
A presidente Dilma Rousseff em evento em Brasília
A presidente Dilma Rousseff em evento em Brasília (Fernando Bizerra Jr./EFE )
Até hoje a presidente Dilma Rousseff chama Maria Cristina de Castro de “Tupamara”. O apelido vem da época em que as duas dividiram uma cela do presídio Tiradentes, em São Paulo, na década de 1970, durante a ditadura militar. É uma referência aos Tupamaros, grupo guerrilheiro que atuava no Uruguai, de onde Cristina havia fugido. Tupamara, agora naturalizada brasileira, foi convidada de honra de Dilma na cerimônia de sanção da Comissão da Verdade,realizada nesta sexta-feira no Palácio do Planalto.
Atualmente ela é coordenadora de julgamento e finalização de arquivo da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Cristina também trabalhou como analista de sistemas no Ministério de Minas e Energia - quando Dilma chefiava a pasta -, onde criou alguns constrangimentos. Primeiro, levou uma bronca de Dilma por não conseguir resolver um simples problema na impressora. Depois, foi acusada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) de realizar um contrato sem licitação e repleto de irregularidades para modernizar a área de informática da pasta. Reportagem de VEJA de outubro de 2010 mostrou que o prejuízo ao erário chegaria a 5 milhões de reais.
Acervo pessoal
Maria Cristina de Castro, de blusa vermelha, participa de manifestação no Chile em 1973
Maria Cristina, de blusa vermelha, participa de protesto no Chile em 1973
Nesta entrevista exclusiva ao site de VEJA, Cristina conta, em português mas ainda com forte sotaque, histórias da época em que foi torturada com Dilma e fala de suas impressões sobre a criação da Comissão da Verdade.
Que diferença a Comissão da Verdade faz para os presos políticos? Alguns especulam que a Comissão da Verdade será uma caça às bruxas, outros especulam que não vai fazer nada. Mas é o próximo passo constituir um grupo de notáveis que se debrucem sobre os elementos históricos e que tornem isso público. Estou, como dizem no Brasil, feliz como um pinto lixo, no lugar que queria estar há muitos anos.
Como é trabalhar com Dilma? Aquilo que falam que ela é rigorosa é verdade. Ah, sim. Vou contar um episódio interessante, mas ela vai me bater depois. Eu era responsável pelo planejamento estratégico de informática no Ministério de Minas e Energia, em 2003, e encontramos um caos na rede, que não funcionava. Os equipamentos eram precários e Dilma tinha urgência em usar os recursos de informática. Em um determinado dia, Dilma quis imprimir algo e me chamou porque não conseguia. Não encontrei uma solução. Só sei que saí da sala andando para trás, com Dilma diante de mim. Eu só dizia: “Sim, ministra, sim, ministra, tudo bem, ministra”. Eu digo que apanhei, mas não posso repetir aqui o diálogo porque tenho medo de ser demitida por justa causa.
Dilma é muito exigente? Ela tem profundo respeito pelo nosso trabalho e, por isso, se dá o direito de cobrar. Ninguém é obrigado a aceitar um contrato de trabalho, mas, se aceitou, o compromisso com a gestão tem que ter resposta.
Qual sua relação com a presidente? Sou suspeita para falar, mas Dilma é a pessoa mais coerente que já conheci. Não que ela seja a mesma nesses anos todos, porque a vida nos muda. Mas aquela passagem pela cadeia nos tornou irmãs siamesas. Há uma confiança natural mútua. Quando ela fala, já sei o que vai dizer.
Como ela era na cadeia? Ela era a comandante das celas, porque tinha grande liderança. Quando a gente era torturada, ela organizava as gritarias dos presos. Quando a gente voltava da tortura, ela organizava a recepção e me dava sopinha na boca. A parte humana e solidária dela aparecia muito mais do que agora que está envolvida em uma gestão pública. 
Dilma usou armas durante o regime militar? Tudo o que se fala na imprensa é o que eu sei da boca dela. Acredito no que ela fala: que ela não usou armas. Por não concordar com a luta armada, ela teria tido várias brigas com o Carlos Lamarca, que era da mesma organização. Mas, na prisão, falávamos muito pouco sobre nossas vidas. As paredes ouviam, então não havia como fazer confidências políticas.
Como vocês se comunicavam então? Havia várias celas em um corredor comum, onde havia uma caixinha com areia para cuidar de um gato que transitava por lá. Nós tínhamos encontrado o gatinho e o chamávamos de Brutus. A cama do gato era onde guardávamos papeis para nos comunicarmos entre uma cela e outra. Também tinha uma caminha para uma tartaruga. Como era um lugar com detritos e com o qual ninguém se importava, era nossa caixa de correio. Tudo isso pensado e organizado com o rigor que até hoje Dilma tem. Ela tinha a consciência de que estávamos enfrentando um perigo muito forte. Ela tem hoje essa mesma figura, os mesmos dons, o mesmo perfil.
Pode citar um dom da presidente? Não acreditem se ela falar que é uma boa cozinheira. Não é. Na televisão é, mas na cadeia a gente comia pão com mortadela quando ela cozinhava. 
Cristiano Mariz
Maria Cristina de Castro
A uruguaia Maria Cristina de Castro
Como foi o reencontro com Dilma após a prisão? Nos encontramos na torre do Tiradentes, em 1972, e ela vestia um moletom azul, óculos grandes de grau e tinha aquele cabelo todo enrolado. Foi uma emoção muito forte. Nos vimos em 2000 no Rio Grande do Sul e depois ela me chamou para participar da transição do primeiro governo Lula porque eu tinha especialidade em informática. 

A senhora conversa com Dilma com frequência? 
Claro que a presidente da República não está disponível para mim quando quero. Para falar de trabalho, só quando ela chama. Pessoalmente, ela é minha irmã do peito. Até hoje ela me chama de Tupamara.

Lula recebe visita de Mano Menezes: ‘Contamos com você em 2014′


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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu na tarde desta sexta-feira, 18, a visita do técnico da seleção brasileira, Mano Menezes. O encontro aconteceu no apartamento de Lula, em São Bernardo do Campo, em São Paulo. O técnico entregou uma camiseta 10 da seleção com uma mensagem de apoio: “Força, eterno ‘presidente Lula’. Contamos com você em 2014. Abraços do amigo Mano Menezes”, escreveu Mano na camiseta.
Lula está em repouso em casa devido ao tratamento de câncer na laringe, recém detectado. Na imagem, o presidente já aparece mais pálido, com o bigode ralo e com um chapéu tampando o couro cabeludo, que recentemente foi raspado pela primeira-dama.
Lula inicia na próxima semana o segundo ciclo de quimioterapia para tratar o câncer na laringe. Lula deve ser internado no Hospital Sírio-Libanês na próxima segunda-feira, 21, quando completará 21 dias da primeira sessão de quimioterapia. O ex-presidente terá de completar três ciclos de quimioterapia para dar início ao tratamento radioterápico.
Devido ao tratamento, Lula não tem saído de seu apartamento, onde vem recebendo visitas frequentes de amigos, ministros e da presidente Dilma Rousseff. Na última sexta-feira, Lula gravou participação no programa partidário do PT que será veiculado em cadeia nacional no próximo mês.

STJ quebra sigilo de Agnelo e Orlando Silva


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MARIÂNGELA GALLUCCI E LÍGIA FORMENTI - Agência Estado
O ministro Cesar Asfor Rocha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), determinou hoje a quebra do sigilo bancário e fiscal do governador do Distrito Federal (DF), Agnelo Queiroz, e do ex-ministro do Esporte Orlando Silva. O acesso aos dados foi requerido pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que conduz no Ministério Público Federal as investigações sobre suspeitas de um esquema de corrupção no Ministério do Esporte.
Além de Agnelo e Orlando, o policial militar João Dias Ferreira e mais oito empresas e entidades tiveram o sigilo quebrado por determinação do STJ. O objetivo de Gurgel é saber se eles se envolveram num esquema de desvio de recursos públicos do programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte. Há um inquérito aberto no STJ para apurar as supostas irregularidades.
A quebra de sigilo vai de 2005 a 2010. Agnelo foi ministro do Esporte de 2003 a 2006 e Orlando de 2006 até outubro deste ano. Ambos negam envolvimento com as supostas irregularidades no programa destinado a incentivar a prática esportiva entre crianças e adolescentes carentes. Há suspeitas de que o dinheiro liberado para o Segundo Tempo tenha sido desviado para pessoas ligadas ao PC do B.
Pela decisão de Asfor Rocha, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) também poderá fazer um rastreamento de eventuais movimentações suspeitas envolvendo os investigados. O ministro determinou ainda que sejam colhidos depoimentos do governador, do ex-ministro do Esporte e de outras 26 pessoas.
Anvisa - Hoje, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a abertura de sindicância para apurar indícios de irregularidades cometidas por Agnelo, quando dirigia o órgão. A decisão foi tomada depois de diretores analisarem auditoria feita no processo da liberação de documentos da empresa União Química, feita por Agnelo. O lobista da empresa, Daniel Tavares, havia afirmado que a autorização fora concedida mediante pagamento de propina a Agnelo. O lobista informou ter entregue ao atual governador entre R$ 200 mil e R$ 300 mil para que processos da farmacêutica fossem facilitados na Anvisa.