01/12/2011

Sob pressão britânica, União Europeia impõe sanções ao Irã


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Lista de alvos determinados em reunião em Bruxelas tem 180 autoridades e empresas



O chanceler britânico William Hague  conversa com seu equivalente holandês Uri Rosenthal em Bruxelas Foto: THIERRY ROGE / REUTERS


O chanceler britânico William Hague conversa com seu equivalente holandês Uri Rosenthal em BruxelasTHIERRY ROGE / REUTERS

BRUXELAS - Sob pressão do Reino Unido, a União Europeia aceitou nesta quinta-feira impor novas sanções ao Irã. Reunidos em Bruxelas, ministros de Relações Exteriores dos países do bloco concordaram com lista de alvos que inclui 180 autoridades e empresas iranianas. O bloco também ampliou as sanções à Síria. Os chanceleres não chegaram, porém, a um acordo para a imposição de um embargo à comercialização de petróleo.


De acordo com o ministro das Relações Exteriores francês, Alain Juppé, a Grécia, que depende do petróleo iraniano, se opôs a esta medida. Alguns países defenderam a interrupção da comercialização com o Irã como forma de reduzir os recursos do país para a possível construção de armas atômicas. A Liga Árabe participou da reunião.

Na chegada ao encontro, o chanceler do Reino Unido, William Hague, havia prometido pressionar a UE para isolar o Irã. Hague afirmou que novas sanções ao país persa não seriam uma retaliação à invasão à embaixada britânica em Teerã, na terça-feira, mas sim uma tentativa de frear o programa nuclear iraniano.

Antes da reunião com os ministros, o chanceler britânico também comparou o Irã à Síria, avaliando que "há uma ligação entre o que está acontecendo no Irã e o que está acontecendo na Síria". Hague disse acreditar que o governo iraniano ajudou o regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, acusado de matar milhares de pessoas em oito meses de repressão a protestos.

- Vou defender a intensificação das sanções econômicas ao Irã, particularmente o isolamento do setor financeiro iraniano - disse Hague à rádio da BBC em Bruxelas, antes da aprovação das sanções. - Eu ressalto que as medidas que eu espero que concordemos hoje estão relacionadas ao programa nuclear iraniano, não são medidas em reação ao que aconteceu na nossa embaixada.

Cumprindo a promessa de responder ao ataque de terça-feira, na quarta, o governo do Reino Unido retirou seus pessoal diplomático de Teerã, fechou sua embaixada na cidade, expulsou os diplomatas britânicos de Londres, e ordenou o fechamento da representação iraniana em sua capital. O ministério das Relações iraniano considerou a decisão precipitada e prometeu retaliar.

Guerra contra Irã pode ser necessário, diz Israel

O ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, disse nesta quinta-feira que um ataque militar contra o Irã poderá ser necessário. Barak, no entanto, reiteirou que esta não é a internção do governo de Tel Aviv e afirmou que espera que as sanções econômicas e a pressão da comunidade internacional sejam suficientes para convencer Teerã a acabar com seu programa nuclear.

- Nós não precisamos de guerras desnecessárias. Mas com certeza seremos testados quanto - disse Barak a uma rádio israelense.

Israel, assim como outros países do Ocidente, está convencido de que o Irã está desenvolvendo uma bomba atômica, apesar da insistência de Teerã em negar o carácter bélico de seu programa nuclear. O Estado judeu diz que a bomba nuclear iraniana representaria uma ameaça a seus cidadãos, usando como exemplo as declarações do próprio presidente Mahmoud Ahmadinejad a favor da destruição de Israel.

Itália chama embaixador do Irã para protestar

Em apoio ao Reino Unido, a Itália convocou nesta quinta-feira o embaixador iraniano em Roma para expressar sua "firme condenação" ao ataque em Teerã e para alertar que o país poderá tomar novas medidas. O governo italiano também cobrou que seus diplomatas no Irã sejam devidamente protegidos. Na quarta-feira, França, Alemanha e Holanda convocaram seus embaixadores em Teerã. A Noruega anunciou o fechamento temporário de sua representação no Irã.

Na reunião em Bruxelas, os ministros europeus discutiriam uma resposta conjunta ao relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre o Irã. Divulgado no mês passado, o documento indicou novas provas de que o programa nuclear iraniano tem atividades de caráter militar, inclusive testes para a produção de bombas atômicas.

Alegando preocupação com as novas informações, Reino Unido, Canadá e EUA já adotaram novas sanções contra o Irã. O governo britânico proibiu todas as instituições financeiras do país de negociar com suas equivalentes iranianas.

A medida levou o Parlamento iraniano a aprovar uma lei rebaixando os laços com o Reino Unido, o que incluiria a expulsão do embaixador do país em Teerã. Os manifestantes que invadiram a embaixada britânica exigiam o cumprimento imediato da medida.

O Globo 

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