10/11/2011

"Lupi deveria falar um pouco menos", diz Vaccarezza


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Líder do PT critica verborragia do ministro do Trabalho, mas declara apoio ao pedetista, ameaçado depois que VEJA revelou corrupção na pasta

Gabriel Castro
Cândido Vaccarezza: menos, Lupi, menos
Cândido Vaccarezza: menos, Lupi, menos (Cristiano Mariz)
O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza, disse nesta quinta-feira que o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, "fala muito". Em entrevista coletiva em Brasília, o deputado comentou os excessos do pedetista: "Acho que ele deveria falar um pouco menos. Ele mesmo disse isso", avaliou Vaccarezza. "Ele atribuiu isso ao sangue italiano - mas eu conheço vários italianos que falam menos."
As declarações do líder foram feitas em um tom mais próximo da brincadeira do que da censura. Ainda assim, demonstram como o descontrole verbal de Lupi tem causado incômodos dentro do governo e podem acelerar a queda do ministro, na berlinda desde que VEJA revelou um esquema de cobrança de propina dentro do ministério, comandado por assessores de Lupi. 
Depois de dizer que só sairia do cargo "abatido a bala", garantir que continuaria ministro em 2012 e 2013 e afirmar que ainda "carregaria o caixão" de muita gente, Lupi pediu desculpas à presidente Dilma Rousseff nesta quinta-feira, em depoimento à Comissão de Fiscalização Financeira da Câmara. Mas cometeu um novo excesso: "Presidente Dilma, me desculpe, eu te amo."
Apesar das ressalvas ao comportamento do ministro, Vaccarezza defendeu o ministro do Trabalho: "Lupi é ministro, diferente de alguém que no passado disse 'estou ministro'.  E, como ministro do governo, tem todo o nosso apoio.".
Conforme relatos de diretores de Organizações Não-Governamentais (ONGs), parlamentares e servidores públicos, o esquema no Ministério do Trabalho funciona assim: primeiro o ministério contrata entidades para dar cursos de capacitação profissional e, depois, assessores exigem propina de 5% a 15% para resolver 'pendências' que eles mesmos criam.
DRU - O petista também disse que o recuo na votação da Desvinculação das Receitas da União (DRU), nesta quarta-feira, se deu porque o governo percebera indícios de que o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), concederia uma liminar em que a oposição pedia o adiamento da sessão. Isso porque o regimento da Câmara prevê que, quando a Casa analisa uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), é preciso haver um intervalo de cinco sessões ordinárias entre o primeiro e o segundo turnos de votação do texto. Isso só não ocorre quando há um acordo geral para a chamada quebra de interstício. Mas, no caso em questão, a oposição não aceitou abrir mão do prazo, que só deve vencer daqui a dez dias.
"Nós tivemos informações indiretas de que o ministro Marco Aurélio poderia interpretar o andamento da votação não como uma questão interna mas como uma questão constitucional, e aí dar uma liminar", disse Vaccarezza. Só aí o governo decidiu adiar a sessão e esperar o prazo regimental. Antes disso, o Planalto havia pedido que a base aliada atropelasse o regimento para garantir uma aprovação célere da proposta. "A minha avaliação era de que seria muito difícil quebrar o interstício sem um acordo. Mas posição do governo eu não discuto, eu cumpro", comentou o líder.  
Flexibilidade - A DRU permite que o governo aplique livremente 20% dos recursos que, no Orçamento, são vinculados a uma determinada área, como a Seguridade Social. Se não for renovado, o dispositivo perderá o efeito ainda neste ano.  A pressa do governo baseia-se na necessidade de votação da proposta em dois turnos em cada Casa. Com o adiamento, o prazo fica ainda mais apertado, já que a garantia da DRU é essencial para o cálculo do Orçamento, cuja elaboração está na reta final.

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