16/11/2011

Denúncias contra Lupi revelam rixa entre Força Sindical e CUT


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As denúncias envolvendo o ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), revela uma disputa entre as centrais sindicais. De um lado, a maior central do país, a CUT (Central Única dos Trabalhadores), ligada ao PT, e, do outro, as outras cinco entidades, lideradas pela Força Sindical, ligada ao PDT.

A CUT não subscreveu a nota conjunta das centrais, divulgada na segunda-feira, de apoio a Lupi --o antecessor de Lupi no Ministério do Trabalho, Luiz Marinho (PT), fora presidente da CUT nos anos 1990.

A cúpula da Força Sindical vê na "má vontade" da CUT em defender Lupi um "claro interesse" em retomar o ministério. A avaliação que o presidente da Força, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, tem feito aos dirigentes da central em São Paulo é que o PDT pode perder o Ministério do Trabalho, e receber outro em troca.

A substituição de ministérios seria uma forma do governo Dilma Rousseff demonstrar que os partidos não são donos dos ministérios. "Ficou a impressão de que o Ministério do Esporte é do PC do B e do Trabalho é do PDT", afirmou um dirigente da Força, que não é filiado ao PDT e pediu para não ser identificado.

Uma das principais fiadoras de Lupi no Trabalho, a Força avalia que não terá peso suficiente para indicar um substituto, caso Lupi deixe o ministério --especialmente se o PDT deixar a pasta.

Segundo Wagner Gomes, presidente da CTB (Central Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras), braço sindical do PC do B, a situação de Lupi está "superestimada". "Ele conduz, desde o início de sua gestão [em 2007], um trabalho importante de organização do movimento sindical. Sempre busca a opinião das centrais quando faz alguma articulação com os sindicatos. É um ministro importante para o governo, e tem sofrido a mesma pressão política que sofreu o Orlando [Silva, ex-ministro do Esporte]", afirmou.

Para Gomes, "essa acusação de que o ministro pegou carona em um teco-teco é muito pouco relevante para derrubá-lo".

Para João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical, a gestão de Lupi à frente do Ministério do Trabalho teve como "principal trunfo" a repartição com as centrais sindicais do equivalente a 10% do que é arrecadado anualmente com o imposto sindical.

A medida foi chancelada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em abril de 2008 --de lá para cá, o equivalente a R$ 351 milhões foi repartido com CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST e CGTB. Entre abril de 2008 e março de 2010, o encarregado de fazer a interlocução de Lupi com as centrais era Luiz Antônio de Medeiros, então secretário de Relações do Trabalho do ministério --Medeiros é o fundador da Força Sindical, de 1991, entidade que presidiu até 1999, quando entregou o cargo a Paulinho.

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