06/11/2011

Chegamos ao Planeta dos Macacos. Uma macaca, acreditem!, até enviou um comentário para o blog… Ou: Eles todos odeiam o povo!


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“Pessoal, a gente pode estar a poucos dias de desencadear um processo de revolução sem volta. Isso é fazer história!”. Essa frase magnífica é de um dos “estudantes” que invadiram a Reitoria da USP e está registrada numa esclarecedora reportagem do Estadão de hoje (ver post abaixo). O rapaz está convicto de que a revolução socialista começa com a invasão do prédio de administração da USP. Huuummm… Não faz muito tempo, o PCdoB achava que o mundo começaria a mudar no Araguaia, não é? O que distingue esse sujeito daqueles líderes religiosos que anunciam o fim do mundo? Só o credo. A loucura é a mesma.
Ocorre que essa é uma demência que conta com o apoio de alguns professores da universidade, que estão há anos enchendo a cabeça daqueles pobres coitados com finalismos, redenções, escatologias. Como diria, lá vou eu, Karl Marx no “18 Brumário de Luís Bonaparte”, “a tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos. E, justamente quando parecem empenhados em revolucionar-se a si e às coisas, em criar algo que jamais existiu, (…) os homens conjuram ansiosamente em seu auxílio os espíritos do passado, tomando-lhes emprestado os nomes, os gritos de guerra e as roupagens, a fim de apresentar a nova cena da história do mundo nesse disfarce tradicional e nessa linguagem emprestada.”
Aqueles gatos pingados não têm, em si, importância nenhuma, é evidente! Mas são o sintoma de uma doença. Os cursos de humanidades das universidades brasileiras, com as exceções de praxe, tornaram-se berço do proselitismo atrasado, ignorante, passadista, canhestro. Ocorre que são eles a formar os professores que, depois, darão aulas a nossos filhos e netos, transferindo para as salas dos ensinos fundamental e médio a espantosa soma de mistificações, de distorções e de cretinismos que exercitam no ambiente universitário, sem que haja um só instrumento de avaliação da qualidade do trabalho que fazem. Sua produtividade se mede pelo número de manifestos, greves e ocupações.
É preciso, obviamente, pôr um ponto final nessa prática. E, como sempre, o melhor remédio é a democracia — inclusive para nos curar dos excessos da própria democracia, como queria Tocqueville. É preciso que fique evidente que os invasores da Reitoria cometem um crime que não pode ser tolerado. Não basta desocupar o prédio, como determina a Justiça. É preciso responsabilizar civil e criminalmente os responsáveis por um ato de banditismo. Ou estarão aqueles pouquíssimos estudantes e funcionários da USP acima da lei?
Que coisa!!! Os extremistas de esquerda não aceitam que vigorem na Cidade Universitária as leis que valem para o resto do país. Eles se sentem acima da Constituição da República e dos seus códigos legais. Aquele seria um território soberano, com regras próprias. Dias interessantes estes, não? Recomendar a um ex-presidente que se trata no SUS é tomado como um “detestável ataque”; viver sob as leis a que se submete toda gente é impensável para aquela casta de privilegiados. A propósito: a reportagem de VEJA flagrou dois invasores deixando o prédio por algum tempo. Um assumiu a direção de um Polo sedan. Outro embarcou num Kia Soul estalando de novo. Deve ser o tal “processo de revolução sem volta”. Vai ver todo brasileiro desdentado terá direito a um… Kia Soul!
O comentário da macaca
Escrevi um post obre um texto da professora Ana Fani Alessandri Carlos, do Departamento de Geografia da FFLCH. Não há causa ruim que esta senhora não abrace. Lendo a estrovenga que escreveu, numa língua que lembra o português, a gente entende que ela é contra a presença da PM no campus. Manguei, sim, de sua gramática sofrível, do ilogismo de seu manifesto, das espantosas bobagens que perpetrou. Conforme eu esperava, recebi uma enxurrada de protestos indignados. Ontem, alguém que se identifica como Débora, enviou-me o seguinte mimo:
Senhor Jornalista,
Boa noite.
Não foi o seu texto que me chamou a atenção.
Não foi o que a Professora da USP escreveu e nem os erros gramaticais encontrados no texto dela.
Foi a sua postura arrogantee o seu menosprezo com a ciência geográfica.
Sinto muito pelos graves erros de português que cometi…prefiro errar na escrita oficial, do que tratar às pessoas com arrogância e ainda me achar o máximo por isso…
Amo Geografia…e pelo jeito você não entende nada do que seja a ciência geográfica…cabulou as aulas?
Cada macaco no seu galho…é mais que seu dever escrever bem. O que lhe falta é assunto, é conteúdo…precisa humilhar as pessoas para se sentir o melhor?
VolteiAi, ai… Não, Débora, eu me sinto melhor proporcionando prazer, mas não se anime. Um “tratar às” e “preferir do que” pode fazer com a minha libido o que a Kriptonita faz com o Super-Homem. Que diabo está acontecendo? Estudei em escola púbica. Também os professores de história e geografia corrigiam os textos dos alunos — afinal, dominavam o código. Essa gente comete erro de ortografia, sintaxe e regência até quando está comendo grama?
Ela não me quer tratando de questões que digam respeito à USP, ao curso de geografia, à patrulha ideológica feita pela militância, nada! Num momento inspirado, afirma: “Cada macaco no seu galho!” O que dizer à macaca confessa? Espero que abandone depressa a sala de aula para sair se pendurando por aí, com outros de sua espécie.
Essa gente, mais do que qualquer outra coisa, responde pela miséria da educação brasileira. A burrice é um mal sem competidores. Casada com a ideologia, aspira à condição de cultura alternativa, progressista e até “revolucionária”. Esta senhora não merece nem mesmo que eu lhe dê uma banana.
Por Reinaldo Azevedo

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