19/10/2011

Orlando Silva acha que pode continuar ministro “no grito”. Ou: Quem entende de “Processos de Moscou” é o PCdoB


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O ministro Orlando Silva presta depoimento, neste momento, a duas comissões do Senado, que realizam sessão conjunta: a de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor, Fiscalização e Controle e a de Educação, Cultura e Esporte. Silva tem o direito de se defender, e a imprensa tem a obrigação de relatar a sua tática.
Segundo o ministro, estão tentando tirá-lo “no grito”. Errado! Ele é que tenta ficar “no grito”, ainda que um grito dado à sua maneira, naquele misto, como já apontei, de indignação contidamente exaltada e cara de bebê chorão. Silva faz de conta que o seu ministério não é o que é: uma bagunça que acaba, oram vejam, servindo ao PC do B. Boa parte dos convênios irregulares e das esquisitices envolve gente do seu partido. A notícia mais interessante do dia dá conta de que uma fábrica — sim, uma fábrica — de jogos de dama e xadrez recebeu R$ 10 milhões da pasta. O PCdoB realizou recentemente um encontro nas dependências da empresa, que se diz uma associação cultural-esportiva ou estrovenga assim. Devagar aí, Silva!
Ainda que o policial João Dias Ferreira estivesse mentindo e se vingando — vamos ver —, Silva já colecionou mais motivos para sair do que outros ministros que caíram. Não dá para negar: Pedro Novais e Wagner Rossi foram defenestrados por muito menos. Alguém vai lhe perguntar por que seu ministério fez um novo contrato com a entidade dirigida pelo policial mesmo depois de suspeitas de irregularidade num primeiro contrato?
Ora…
Silva se comporta como se nada mais houvesse a depor contra a sua gestão além da acusação do policial. Reitero: VEJA denunciou as lambanças no Ministério do Esporte em edição do dia 5 de março de 2008. Lá já havia elementos de sobra para o bilhete azul e o cartão vermelho.
O ministro também disse outra coisa:
“Nesta semana quero encerrar todas as explicações necessárias para desmascarar as farsas publicadas”.O homem vive aquela ilusão de que basta ser enfático para mudar o que é fático. E não basta. Também não é ele que decreta quando deixará de ser assediado pelos fatos.
Quanto a ele insistir que João Dias “é bandido”, dizer o quê? Repito o que escrevi ainda no sábado de manhã: então ele é um ministro que se reúne com bandidos e celebra convênio com eles. Bandido ou não, o fato é que o homem não é um qualquer, não é mesmo? A sua proximidade com Agnelo Queiroz, por exemplo, atual governador do Distrito Federal, hoje petista e antes “pcdobista”, ex-chefe de Orlando, está mais do que provada.
Orlando Silva tenta fazer de conta que está sendo vítima de uma reedição dos Processos de Moscou. Tenha paciência! Ademais, de “Processos de Moscou”, convenhamos, quem entende é o PCdoB.
Por Reinaldo Azevedo



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