20/10/2011

Na TV, PCdoB e ministro se dizem vítimas de calúnias


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Foi ao ar há pouco, em rede nacional, a propaganda semestral do PCdoB. Aproveitou o espaço para se das suspeitas que rondam o Ministério dos Esportes.

A peça foi encerrada com uma aparição do ministro Orlando Silva. Atribuiu as acusações ao incômodo de “muita gente” com o revelo da pasta que dirige.

Disse que, “quando o PCdoB assumiu o ministério dos Esportes no governo Lula, o ministério não tinha a visibilidade nem a importância de hoje.”

Jactou-se: “Com muito trabalho, trouxemos a Copa e as Olimpíadas para o Brasil.” Como se os dois eventos fossem conquistas dele e do partido.

O ministro não disse palavra sobre o programa ‘Segundo Tempo’, foco das denúncias que o assediam.

Prosseguiu: “É claro que a importância que o Ministério dos Esportes conquistou através do trabalho do PCdoB incomoda muita gente”.

E entrou no miolo da encrenca: “Nos últimos dias, nosso partido foi atacado com denúncias mentirosas que partiram de um sujeito procurado pela Justiça.”

Absteve-se de mencionar que o sujeito, o PM João Dias, foi militante do PCdoB. Concorreu a deputado distrital, em Brasília, como representante da legenda.

Referiu-se às acusações como “uma tentativa atrapalhada de atingir” o PCdoB e ele próprio.

Fez pose: “Procurei imediatamente a Justiça. E já prestei o meu depoimento para ajudar a esclarecer todos os fatos.”

Quem assistiu ficou com a impressão de que o ministro já foi ouvido pelo Judiciário. Tolice. O inquérito contra ele ainda está por vir.

Será movido pelo procurador-geral da República Roberto Gurgel, que já anunciou a decisão de requerer ao STF a abertura da investigação.

Por ora, Orlando Silva manifestou-se apenas em dois foros políticos, comissões da Câmara e do Senado. Não foram inquirições, mas sessões de elogios e louvações.

“Vou até as últimas consequências para defender a minha honra e os 90 anos de história de um partido que nunca se envolveu em escândalo”, disse o ministro.

O que Orlando Silva esqueceu de mencionar é que o PCdoB e seus quadros só chegaram às cercanias dos cofres na gestão Lula.

Foi a partir daí, informam os relatórios do TCU e da CGU, que proliferaram os malfeitos nos convênios do ‘Segundo Tempo’, programa criado em 2003.

Entre os beneficiários das verbas estão, a propósito, um sem número de ONGs ligadas ao PCdoB. Entre elas as duas entidades do ‘pecedobê’ João Dias.

Alheio às indicações sobre o debate que corre no Planalto sobre a conveniência de substituí-lo, Orlando Silva falou como ministro longevo:

“Vamos seguir trabalhando porque a Copa está aí e o desenvolvimento do país não pode parar.”

Além da Copa, que, por ora, inspira dúvidas apenas quanto aos prazos das obras, também estão aí o ‘Segundo Tempo’ e suas irregularidades.

Sobre isso, de novo, nenhuma palavra do ministro.

Antes de Orlando Silva, soou no programa do PCdoB o presidente da legenda, Renato Rabelo. A certa altura, disse:

“Nunca nos intimidamos diante de qualquer luta. Já enfrentamos ditaduras, delatores e provocadores. Sempre resistimos!”

Curiosamente, o delator que se insurge contra o PCdoB é um policial militar que a legenda admitiu como candidato.

Um sujeito que, depois de beliscar R$ 3,1 milhões das arcas geridas pelo PCdoB no Ministério dos Esportes, converteu-se em escândalo.

Quer dizer: o PCdoB pariu Mateus e agora se recusa a embalá-lo. O partido, seu ministro e seus dirigentes fingem que não é com eles


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