05/10/2011

Delúbio Soares ser tratado como popstar e dar autógrafos em ato de desagravo me dá vergonha passiva — para dizer o mínimo


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Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, distribuindo autógrafos em ato de desagravo, para o qual a imprensa foi barrada (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)
Amigos do blog, me digam uma coisa: para que serve a CUT?
A CUT aglutina não sei quantos milhares de sindicatos no país, e diz falar por milhões de trabalhadores.
Diz lutar por melhores salários, por melhores condições de vida, por aprimoramentos nas leis trabalhistas.
Promove greves reivindicatórias.
E nega, nega, nega, mas é velha e notória correia de transmissão de um partido político, o PT.
Desde o começo do lulalato, seus ex-chefes foram beneficiados com gordos e bem remunerados cargos na máquina pública e em organismos em que o governo tem peso fundamental, como o chamado “Sistema S”, que reúne Sesc, Senac, Senai etc.
A CUT nega ser mera extensão do PT, mas pergunto: tem cabimento, tem algum cabimento, a entidade, que diz representar todos esses milhões de brasileiros que trabalham, promover um “ato de desagravo” a Delúbio Soares, o homem que é acusado pelo procurador-geral da República como sendo o operador do maior escândalo da política brasileira em todos os tempos, o mensalão? Ou seja, o escândalo de compra de votos de deputados para apoiar projetos de intereesse do governo no Congresso, que explodiu em 2005, na primeira fase do lulalato?
Cabimento, não tem, mas, minha gente, foi exatamente isso o que a CUT fez, em Guarulhos (SP).
E ainda utilizando um prédio público, o da Prefeitura Municipal da cidade, governada pelo prefeito Sebastião Almeida, do PT.
Delúbio deitou e rolou. O que você vai ler abaixo, publicado pelaFolha.com, me dá vergonha passiva, para dizer o mínimo. Toda essa gente atrás de autógrafo do homem!
É claro que Delúbio deve ser considerado inocente até que seja decretada sua culpa pela Justiça. Mas “desagravo” e festa para ele ANTES do julgamento? Leiam vocês mesmos:
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Delúbio dá autógrafos, distribui CDs e se diz inocente em ato da CUT.
Por Bernardo Melo Franco, de São Paulo
Sorrisos, abraços, filas de autógrafo, pedidos de foto.
Com tratamento de “pop star”, o ex-tesoureiro petista Delúbio Soares, 55, lançou ontem uma campanha para tentar mobilizar sindicalistas e militantes em sua defesa no processo do mensalão.
Ele é apontado pelo Ministério Público como o operador do esquema. Se for condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), pode pegar até 111 anos de prisão pelos supostos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
Delúbio foi homenageado em ato de desagravo antes da abertura da plenária nacional da CUT (Central Única dos Trabalhadores), em Guarulhos, na Grande São Paulo. O evento ocorre até sexta-feira num auditório da prefeitura local, comandada pelo PT.
A central barrou a entrada de jornalistas e expulsou a equipe da Folha, que estava credenciada para cobrir o evento e aguardava a fala do petista no plenário, entre cerca de 500 dirigentes sindicais.
O petista aproveitou a reunião para distribuir um CD interativo e um livreto de 80 páginas com a cópia de sua defesa e citações do jurista Ruy Barbosa (1849-1923).
O CD, com tiragem de 10 mil exemplares, reúne fotos, artigos e links para videoclipes de suas músicas preferidas a seleção vai de Águas de Março, com Tom Jobim e Elis Regina, a É o amor, de Zezé di Camargo e Luciano.
“É uma coisa única no Brasil. Você põe no computador e ele atualiza sozinho. Daqui a 20 anos, vai continuar funcionando igual”, disse Delúbio à reportagem.
O livreto teve tiragem dobrada: 20 mil exemplares, bancados pelos companheiros petistas que ele não identifica e com os logotipos de dois escritórios de advocacia.
Questionado sobre o que tem feito desde que foi afastado do PT, disse: “Estou trabalhando muito.” E encerrou a conversa, apressado.
O ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares
Delúbio autografando: distribuição de 10 mil CDs e 20 mil livretos, bancados por "amigos" não identificados (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)
DISCURSOS
Segundo relatos ouvidos pela reportagem, Delúbio se declarou inocente, reclamou da imprensa e disse ter sofrido com as acusações.
O ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, que o acompanhava, repetiu a tese de que o mensalão não existiu: tudo não teria passado de um esquema de caixa dois.
Os discursos foram aplaudidos pela plateia, que depois fez fila para pedir autógrafos. O petista organizava a demanda: Um de cada vez, um de cada vez, repetia.
Readmitido pelo PT em abril, quase seis anos depois de ter sido expulso do partido, Delúbio saiu satisfeito.
“Ele falou que está sendo injustiçado, que isso prejudicou muito ele”, disse Valneide Silva, 45, dirigente da CUT no Pará. “Até que provem o contrário, ele é inocente. Eu sempre acreditei nisso.”

Ricardo Setti

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