05/10/2011

Carros híbridos e elétricos: o Toyota Prius chega no ano que vem, mas Brasil está na contramão: em vez de estimular, pune com imposto quem quer comprar


Share/Bookmark

Toyota Prius: lá fora, 39 mil reais; no Brasil,130 mil
Uma excelente notícia a de que a fabricante de automóveis japonesa Toyota vai trazer para o Brasil no ano que vem o Toyota Prius, carro híbrido — que tem motor a combustão, mas cuja rodagem alimenta baterias elétricas com as quais ele também circula — mais bem sucedido do planeta. (Leia no site de VEJA).
Pena que o preço estará nas nuvens, por volta de 130 mil reais. Mas não é de estranhar.
Como não é de estranhar que o excelente Ford Fusion híbrido, lançado pela Ford no ano passado, tenha vendido até julho passado penas miseráveis dez unidades — afinal, o preço bate nos 140 mil reais.
Isso porque nós, amigos do blog, para variar, vamos na contramão mundial, como aquele soldado do batalhão que marcha com passo errado e e acha que só ele está certo: o governo, em vez de o governo incentivar os carros elétricos ou híbridos — – que, obviamente, poupam petróleo e poluem menos –, faz o contrário: taxa-os pesadamente.
A reportagem do site de VEJA informa que “estudam-se” incentivos a esses veículos. Mas não se tem notícia das conclusões de um grupo de estudos criado em 2009, durante o lulalato, para analisar a questão e propor políticas. O grupo tinha à frente um representante do Ministério da Fazenda, manteve audiências com diversos setores da indústria automobilística brasileira a respeito de veículos híbridos ou movidos a eletricidade e enviou técnicos ao exterior para ver como é tratada a questão nos países mais industrializados.
O antecessor de Dilma estava para anunciar um plano de ação para esses veículos em maio de 2010, mas cancelou o ato e nunca mais se falou no assunto.
Versão híbrida do Honda Fit: no Japão, algo como 34 mil reais
Um setor da indústria automobilística, de que fazem partes fábricas japonesas, vem pressionando o governo para que os elétricos ou híbridos sejam tributados mais ou menos da forma como ocorreu com os veículos de motor 1.0, mais econômicos, e cuja compra sucessivos governos vêm estimulando com apenas 7% de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a alíquota mais baixa para automóveis.
Pressão contrária exerce o setor mais tradicional da indústria, que está menos avançado em lançamento de híbridos e elétricos e gostaria de manter as coisas como estão. Por desatualização da legislação em relação ao mundo em que vivemos — o Brasil, burramente, continua taxando os veículos com base no tipo de motor que usam, mas não inclui em categoria alguma os produtos da modernidade –, híbridos e elétricos foram remetidos para a classificação geral de “outros”, e pagam o IPI mais salgado: 25% do preço. Some-se a isso os 12% de ICMS, mais o IPVA… e por aí vai.
Bem diferente de países europeus e do Japão, que taxam menos híbridos e elétricos e, no caso destes, conferem bônus para quem compra, que podem atingir 5 mil dólares. Um Honda Fit híbrido custa, no Japão, muito razoáveis 18.600 dólares (cerca de 34 mil reais). No Brasil, se um Honda Fit a gasolina custa algo como 55 mil reais…
Nos EUA, o modelo mais básico do híbrido Toyota Prius, o Prius Two, custa 23.050 dólares (41,1 mil reais). Aqui, se forem mesmo colocados à venda por 130 mil, vão custar… mais do que o TRIPLO!
Por falar no Prius, vejam que coisa de Primeiro Mundo: todos os táxis da bela cidade de Vancouver, no Canadá (3 milhões de habitantes na região metropolitana), são esses híbridos japoneses. Em qualquer capital da Europa, aumenta a olhos vistos o número de híbridos, especialmente o Prius, nas frotas de táxi.
No Brasil, é isso que se vê.

Nenhum comentário: