26/09/2011

Dois farsantes contracenam no vídeo produzido e dirigido pela TV Câmara


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Produzido e dirigido pela Câmara dos Deputados, um vídeo protagonizado por dois vigaristas comprova que, na novilíngua do Congresso,  “sessão” pode ser sinônimo de fraude. Aparentemente, as imagens registram uma reunião da Comissão de Constituição e Justiça que, seguindo sem desvios o regimento, aprova um balaio de projetos em apenas três minutos. Ao lado da secretária que cuida da ata, César Colnago (PSDB-ES) faz de conta que preside uma sessão com o quórum mínimo de 31 parlamentares. “Havendo o número regimental, declaro aberta a reunião”, avisa. A câmera mostra o deputado Luiz Couto (PT-PB) como se fosse um dos muitos presentes. É o único. Outros 34 assinaram a lista e viajaram para o feriadão que agora começa na tarde de quinta-feira e só termina na manhã de terça.
“Em discussão”, continua Colnago. “Não havendo quem queira discutir, em votação. Os deputados que forem pela aprovação, permaneçam como se encontram.” A câmera fecha de novo em Luiz Couto, sentado na primeira fileira. O número regimental não se mexe. “Aprovado”, comunica o presidente. O tucano e o petista reprisaram o script para livrar-se de três blocos de projetos – relativos à concessão e renovação de radiodifusão, acordos internacionais e projetos de lei. Além dos artistas principais, o elenco incluiu um grupo de coadjuvantes formado por assessores dos gazeteiros. Filmados por alguns segundos, todos capricharam na pose de deputado.
“Nada mais havendo a tratar, declaramos encerrada a reunião”, diz Colnago três minutos mais tarde. Fisionomia sóbria, despede-se do único presente como se enxergasse uma pequena multidão. E convoca a próxima reunião, “a realizar-se na terça feira, às 14h30.” Espertamente, os funcionários da TV Câmara evitaram registrar a continuação da conversa entre os dois deputados. Para azar dos impostores, um repórter do Globo estava por perto. “Um coroinha com um padre, podia dar o quê?”, ouviu o padre Luiz Couto do parceiro que jura ter sido coroinha. Enquanto a secretária mal continha o entusiasmo pela enxurrada de projetos aprovados, Colnago recitou a última fala: “Depois dizem que a oposição não ajuda…”

Augusto Nunes

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