30/08/2011

Simon critica José Dirceu e Lula e diz que "governo paralelo enfraquece a presidente"


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Da Agência Senado
Em Brasília



Em pronunciamento em Plenário nesta terça-feira (30), o senador Pedro Simon (PMDB-RS) fez um alerta à presidente da República, Dilma Rousseff: os encontros do ex-presidente Lula e do ex-ministro José Dirceu com autoridades do atual governo, registrados pela imprensa, podem enfraquecer a autoridade da presidente. Para Simon, que fez questão de dizer não acreditar na prática de "negociatas ou atos ilícitos" entre os envolvidos, esses encontros poderiam ser confundidos com um governo paralelo.

"O que o senhor José Dirceu está fazendo num quarto de hotel com o presidente da Petrobras aqui em Brasília? Estariam fazendo o quê? Discutindo política. E é competência do senhor José Dirceu conversar com o presidente da Petrobras, num hotel, discutindo política? É competência do senhor José Dirceu ter uma série de pessoas, uma série de ministros, num quarto de hotel em Brasília, discutindo política?",  questionou o senador.

Pedro Simon lembrou ainda que "todo dia" o ex-presidente Lula aparece na imprensa "falando com o ministro, falando com o governador, com o parlamentar". O senador ponderou que Lula nunca falou mal da atual presidente e que sempre reforçou a tese de que, em 2014, ela será candidata à reeleição. Mas questionou se essas reuniões não seria um "governo paralelo".

"São essas coisas que estão ficando graves. E alguém se pergunta então se a presidente Dilma não está recuando. Eu digo que não", afirmou o senador, acrescentando que muitos se perguntam se não teria passado a hora de a presidente mostrar firmeza em seu governo.

Governo sóbrio

Simon ressaltou que a presidente Dilma tem um "estilo sóbrio" de governar, em que as pessoas indicadas pelos partidos para o governo devem ter ficha limpa, biografia transparente e competência para exercer o cargo que desempenham. E que, quando há necessidade, ela afasta seus subordinados "sem estardalhaço".

"Aí começaram a surgir movimentos. Na Câmara, no Senado, líderes, partidos iam fazer represálias, iam cruzar os braços, iam apresentar uma votação de propostas negativas ao governo. Chegou a se falar que haveria um movimento que levaria à tentativa de afastamento da presidente. Eu não acredito que ela retroaja na sua maneira de ser, sinceramente, eu não acredito", afirmou o senador.

Pedro Simon concluiu o pronunciamento dizendo que "reza" para que a presidente tenha coragem e que "não se assuste com alguns, principalmente do PT e do PMDB", pois o que for feito no governo será cobrado pelo povo na rua.

Ele afirmou que o movimento que se está criando no Brasil, integrado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e uma série de entidades e de parlamentares "no sentido do estabelecimento de uma ética, de uma dignidade, de uma seriedade neste país está crescendo".

Em aparte, o senador Pedro Taques (PDT-MT) afirmou que em nenhum país civilizado ex-presidentes se reúnem com ministros para tratar de projetos em andamento e que isso "enfraquece a governabilidade".

Já o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) elogiou o fato de Simon não ter feito nenhuma ilação de que esses encontros fossem negociatas e afirmou que é indiscutível que, com eles, "se cria a impressão de que há poderes paralelos à presidenta e, nesse caso, dois: o presidente Lula e o ex-ministro".

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